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EMERSON E WILSINHO NA GT3, UMA ÓTIMA CATEGORIA

Publicado em 15/05/2008

EMERSON E WILSINHO NA GT3, UMA ÓTIMA CATEGORIA

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EMERSON E WILSINHO NA GT3, UMA ÓTIMA CATEGORIA

Arnaldo Keller

Última 6ª feira, 8:15 da manhã. Eu acabara de chegar no Autódromo de Interlagos para definir a área a estacionar os 80 carros clássicos que convidamos para participar do evento Quatro Rodas Experience (esses carros serão reunidos no estacionamento do Shopping Iguatemi no próximo sábado pela manhã, e de lá, às 10:30, sairão para o autódromo para umas voltas pela pista). Pois então, era cedo, quando vejo um segurança barrar no portão que dá acesso aos boxes, um carro preto que já conheço. Cheguei no segurança: “— Cara! Você ta maluco! Esse é o Emerson! É o Rei daqui, rapaz! Que história é essa de barrar o cara!”

Pois é, só rindo com essa. O Emerson muito tranqüilo, como sempre, explicando pro desmiolado do segurança que ele precisava entrar. “— Vai correr com o quê, Emerson?”, perguntei. “— Porsche GT3. Eu e o Wilsinho”, ele respondeu. “— Bárbaro!! Bárbaro!! Boa sorte!!”, foi o que deu pra falar de tão chocado de contente que eu estava em poder ver meu ídolo de novo nas pistas. Bárbaro, emocionante.

Foi aí que este repórter, o mais desinformado de todos, ficou sabendo que haveria uma prova da categoria GT3 e que o Emerson faria dupla com o Wilsinho pilotando um Porsche. “Hummpf!”, logo pensei ca comigo: “De Porsche? Que pena. Vai tomar pau, porque o carro é o mais fraquinho da categoria que tem Viper, Ferrari 430, Ford GT (a recriação da Ford do GT40) e Lamborghini Gallardo.”

O Treino

O treino começaria às 11:00 e o Emerson chegou às 8:30, o primeiro piloto a chegar. O cara é profissional, não brinca em serviço. Fiquei para ver os treinos. Às dez e pouco ele já estava dentro do carro ajustando pedais, volante etc. e aprendendo os comandos do carro. Ligou o motor boxer de 6 cilindros e o motor gritou afinado, mostrando uma tremenda saúde, subindo rápido de giro.

A cilindrada deve ser de uns 3,6 litros e a potência máxima sei que é 480 cv. Belo motor, belo grito, mas os Viper têm 10 cilindros, 8 litros e 670 cv, as Ferrari 430 têm V8 de 4,3 litros e 480 cv, o Ford GT tem V8 de 5 litros e 520 cv, a Lamborghini Gallardo tem V10 e 490 cv. Outro galho é que o Porsche tem o motor pendurado atrás do eixo traseiro, e isso não é bom que eu sei, enquanto os outros têm motor central dianteiro (Viper) ou traseiro (Ferrari, Lamborghini e Ford GT), ou seja, adiante ou atrás o motor está entreeixos, o que dá muito mais equilíbrio.

De qualquer modo, fiquei muito emocionado por estar presenciando esse momento, vendo de pertinho o Emerson dar a primeira partida num motor nessa sua volta às nossas pistas. Bárbaro!

Encontrei o Juliano Lossaco, que pilotaria um Ferrari, e ele disse: “— Cara! Os Viper disparam na Subida do Café e nas retas! E o Ford GT é um monstro, o melhor conjunto, sem dúvida.”

Vamos às dúvidas que tirei:

A Lamborghini Gallardo, que na versão de rua tem tração nas quatro, na de pista tem só tração traseira; o regulamento exige. O pessoal de equipe disse que na pista seca praticamente não haveria diferença, mas que na chuva, se ela tivesse tração nas quatro, seria muito melhor. Essa não me precisava falar.

Os Viper foram recentemente liberados de uma restrição na alimentação do motor. Antes estavam com menos de 500 cv e agora pulou para 670 cv. Pesam uns 1.200 kg. O torque máximo está perto dos 80 mkgf. Uns monstros!

O Ford GT corre com um motor Ford V8 de 5 litros de cilindrada. Não é o mesmo motor que tem a versão de rua, que tem supercharger (compressor), mas sim um motor usado na Le Mans Series. Gera 520 cv a 7.200 rpm e uns 70 mkgf de torque. É um tremendo motor que está com a potência restringida para poder correr na categoria, pois esse motor costuma gerar 720 cv a mais de 8.000 rpm. Como dá pra ver, esse motor está poupado na GT3, o que se deduz que não deve quebrar.

Pilotos Doidões

Daí que pergunta daqui e pergunta dali, cheguei à conclusão que a categoria está com o regulamento ainda meio confuso. A organização procura deixar os carros meio parelhos, restringindo potência, mexendo no peso, mexendo na aerodinâmica etc. Isso para que a categoria seja competitiva, mas não estou gostando muito dessa linha. Não estou gostando porque, afinal, o que queremos ver é que carro é realmente o melhor. Por exemplo, na corrida o Lamborghini pareceu andar bem melhor que os Ferrari, principalmente quanto à aceleração. Ok, mas os carros têm restrições, cada um as suas, e essas restrições estão corretas? Elas refletem qual é o melhor dos dois na versão de rua?

Afinal, estamos lá pra ver uma briga de gigantes, de supercarros bem parecidos com os que vemos na rua, e, apesar da maioria das pessoas não ter ‘bala’ pra comprar um carro desses, a gente quer saber quem anda mais.

Foram duas corridas, uma no sábado e outra no domingo. A cada uma, era obrigatória a troca de pilotos. O Emerson largou em 9º. Na largada, o Ford GT pilotado pelo cineasta Walter Salles, que por sinal pilota pra caramba, largou em primeiro. Paulo Bonifácio, que largara em 2º de Lamborghini, perdeu duas colocações na largada, mas logo no fim da Reta dos Boxes as recuperou e papou o Ford GT por fora na Curva do Sol, numa tremenda pilotada. O Ford GT, estando em 2º, tomou dois toques de um Viper na traseira, mesmo assim, conseguiu recuperar a ponta na 3ª volta. Logo depois foi obrigado a entrar nos boxes para arrumar o estrago nos extratores traseiros e lá perdeu muito tempo.

Nessas, o Viper do Wagner Ebrahim assumiu a ponta, pois já havia ultrapassado o Lamborghini do Paulo Bonifácio. Logo depois, o Fabio Casagrande forçou seu Viper na freada do Lago para passar o Lamborghini e passou reto, acertando o Viper do Ebrahim. Moral, Lamborghini na frente de novo, até que se envolvesse num acidente com outro Viper. Parece que os Viper deixam seus pilotos doidões.

Nesse rolo todo o Emerson, que largou em 9º e papou alguns, subiu para o 4º lugar e entrou nos boxes. A equipe se confundiu na parada e com essa troca de pilotos o Wilsinho entrou na pista em 9º, posição que manteve até a bandeirada. Ganhou o Viper da dupla Xandy Negrão e A. Mattheis.

Dupla Sensacional

No domingo, o Ford GT disparou e logo assumiu a 1ª colocação, para não mais perdê-la, não dando bola pra mais ninguém e só correu o bastante pra ganhar. O Wilsinho largou em 9º, posição de sua chegada no dia anterior e passou o carro para o Emerson, que entrou na pista colado num Viper. Mas o Viper é muito mais forte e não deu chance, foi abrindo.

Vi três papadas do Emerson em três Ferrari, duas na freada da Junção, por dentro, sabendo como ninguém aproveitar a, creio que a única, qualidade do Porsche, que freia pacas. E uma na descida do Mergulho, também por dentro, porque o piloto da Ferrari deve ter bambeado as pernas quando viu quem o estava cutucando e se atrapalhou.

Os Fittipaldi chegaram em 9º. O Wilsinho comemorou 50 anos de automobilismo e o público se emocionou com isso e por tê-los de volta às nossas pistas, principalmente porque estão de novo juntos, uma dupla sensacional. Pena que com esse Porsche aí a coisa não role.

Bárbaro! Tomara que a categoria cresça e o Nelson Piquet está esperando chegar seu Ford GT pra entrar na parada...

A próxima será em Brasília e depois voltam a São Paulo. Avisarei quando será, para que os caros leitores compareçam ao autódromo e se divirtam com um bom automobilismo.

Abraço, Arnaldo


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