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Publicado em 14/02/2008

RENAULT LOGAN 1.6, 8v, Hi-torque, flex

Arnaldo Keller

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Novo motor 1.6 de duas válvulas/cilindro é ótimo: silencioso, suave e elástico

Recentemente a Renault passou a oferecer o Logan com três opções de motor, todos flex. Antes eram duas, o 1.0 (77 cv com álcool) e o 1.6 (112 cv com álcool), ambas com 4 válvulas por cilindro. E agora chegou mais uma de 1,6 litros, esta com 2 v/c. É flex e também roda com gasolina pura para o caso de você querer viajar para países vizinhos. Produz quando abastecido com álcool 95 cv de potência máxima e 14,1 mkgf de torque a 2.850 rpm. Achei a nova opção a mais adequada para o modelo; vejamos por quê.

Fiquei uma semana com o carro. Peguei o trânsito acachapante paulistano, com seu péssimo asfalto cheio de buracos, e viajei para o interior, portanto pude testá-lo bem. Cheguei à conclusão que o Logan é ótimo para o uso urbano e razoável para a estrada.

Na Cidade

Sua suspensão é o seu forte. É o ponto de referência para o segmento. Para uso urbano é uma das melhores que já testei, superando carros de preços e portes bem mais elevados. Ela consegue ser firminha, justinha, ágil, e ao mesmo tempo muito macia e silenciosa. Tem bom vão-livre. Passa em asfalto ruim como se fosse nada, o que nos permite um rodar rápido, despreocupado e silencioso. O Logan é uma boa opção, bem mais barata para quem pensa num Ford Ecosport ou Palio Adventure só para poder rodar sossegado pela buraqueira paulistana.

O espaço interno é enorme e os bancos são anatômicos. Realmente cabem cinco pessoas com muito conforto e todos tendo uma visão arejada. Quem vai atrás vai olhando tudo e não sente aquela aflição de cair fora logo do carro pra poder tomar um pouco de ar. O banco de trás oferece bem mais espaço que um Toyota Corolla, por exemplo.

A ventilação forçada é boa e o ar-condicionado funciona a contento, esfriando rapidinho o ambiente e jogando um farto ventinho fresco onde bem desejarmos.

O novo motor 1.6 de duas válvulas/cilindro é ótimo. Silencioso, suave e elástico. Li uma avaliação de um jornalista dizendo que o motor é ruidoso e áspero. Ele errou na sua avaliação, pois a verdade é que o 1.6 vem bem balanceado, o que lhe permite manter a marcha lenta a baixas 600 rpm de modo quase imperceptível, e subir de giro até 6.000 rpm sem esforço. A ignição é entrecortada a 6.000 rpm, o motor começa a falhar o que obriga o motorista a finalmente trocar de marcha. Avaliar errado é péssimo, pois informa errado o leitor, influenciando-o mal numa tomada de decisão de compra, além do que joga um bom trabalho do fabricante no lixo.

Motor elástico e marchas longas. Esse conjunto de fatores leva a termos pouca necessidade de trocar as marchas. Isso é conforto. Logo acima de 2.000 rpm ele já tem ótima pegada, e a aceleração é muito boa dando-lhe uma arrancada semelhante aos carros com motor de 2 litros.

Motor esperto, suspensão boa, bons e precisos engates de marcha, pedal da embreagem leve, de curso curto, bons freios. Esse conjunto faz do Logan 1.6, 2 válv/cil um carro bem gostoso de se guiar na cidade.

Para tirar nota 9 no uso citadino de trânsito pesado só falta o câmbio automático. Acho que seria um opcional a ser avaliado pela Renault desde que não o encarecesse muito.

Para tirar nota 10 precisaria ter regulagem da posição do volante, pois ele está muito alto, o que nos cansa os braços e ombros. Isso não é muito perceptível quando estamos dirigindo na cidade, pois nesse caso estamos sempre nos movimentando, trocando de marchas, curvando etc, mas quando pegamos estrada e seguimos imóveis numa reta longa, a gente fica tentando achar uma posição relaxante e não encontra. A ergonomia para o motorista certamente falta aprimorar. A possibilidade de regulagem da distância e da altura do volante faria tudo se encaixar.

Na Estrada

No Carnaval viajamos pra fazenda em quatro adultos, um homem, eu, e três mulheres, portanto levamos um monte de malas, onde iam coisas da primeira à última necessidade - e coube tudo e sobrou espaço no enorme porta-malas.

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Ótimo para o uso urbano e razoável para a estrada

Quatro adultos, porta-malas cheio, e o carro nem ligou para o peso. Continuou firminho e ágil com reações prontas ao volante, e isso é ótimo, já que muitos carros quando carregados ficam molengões. O motor nem deu bola e acelerava rápido e plenamente a contento. Mesmo em subidas mais íngrimes raramente exigia redução de marcha. Pra vir pra fazenda em Pirassununga rodei 220 km nas estradas Bandeirantes e Anhangüera, e só coloquei a mão na alavanca de câmbio quando parava nos pedágios. Na fazenda acabei socando ele na lama e ele se vira até que bem.

A 120 km/h, em 5a marcha, o giro do motor está entre 3.300 a 3.400 rpm, o que é baixo, portanto gira silencioso e suave. É uma rotação bem baixa principalmente para um carro que tem um Cx (coeficiente aerodinâmico) ruim que nem o Logan, 0,36 (o Vectra antigo tem Cx = 0,28), e isso prova a boa elasticidade do motor que a essa rotação já produz potência suficiente para vencer esse arrasto que não é pequeno. Nessa rotação ele está pronto a reagir acelerando rápido caso seja necessário.

Até aí tudo bem, mas acima dessa velocidade o carro começa a sofrer com a ação dos ventos laterais, o que nos obriga a pequenas correções. Nada exagerado ou muito incômodo para o motorista. Do design do Logan - alto e com as laterais chapadas - já se espera essa deficiência. Então, essas duas deficiências aerodinâmicas, Cx alto e laterais chapadas, justificam a afirmação que fiz no começo da avaliação: não é show na estrada. Em viagens só cumpre satisfatoriamente bem sua função de transportar a família com conforto, reserva de potência, segurança e economia numa viagem dentro da lei.

Sendo assim justifico a afirmativa inicial de que acho este motor o mais adequado para o modelo. O 1.6 mais potente, o que em 4 válv/cil, é totalmente desnecessário, já que o Logan não é um carro para alta velocidade em estradas. Este 1.6 de 2 válv/cil é tão suave quanto o de 4 v/c, é bem mais elástico, provavelmente mais econômico e comprovadamente mais barato. E já que o Logan é um carro a ser comprado usando-se a razão e não a paixão, essa é a opção mais razoável.

A terceira opção, o motor 1.0, só vem com o cabeçote de 4 vál/cil. Esse quebra bem o galho, mas não oferece o conforto que o 1.6 oferece, pois exige mais trocas de marcha e não acelera gostosinho que nem este.

Um carro honesto, macio, silencioso, econômico, robusto, ágil, espaçoso, de boa mecânica. Falta regulagem da posição do volante.

Não podemos dizer que é um lindo carro, mas qual carro nacional é bonito? Fora o Vectra, o Punto, o Civic e o Mégane, todos são uma mixórdia, e a gente acaba se acostumando. Na prática isso não é o importante; tem gente que até casa com mulher feia... (Se bem que casar é uma coisa, e sair com ela na rua, é outra...).

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