Publicado em 07/02/2008
O lendário Corvette ZR1 está de volta
Arnaldo Keller

Na década passada a GM ofereceu por alguns anos um Corvette especial, era o ZR1 (o Z é em homenagem ao engenheiro Zora Arkus-Duntov, o grande melhorador do Corvette nas décadas de 50 e 60). Seu motor V8 tinha bloco de alumínio, 4 válvulas por cilindro (sendo que os Corvette comuns tinham bloco de ferro e 2 válvulas por cilindro) e produzia pouco mais 400 cv. Além do motor mais leve e potente tinha suspensão sofisticada com controle eletrônico, freios melhores etc. Entrou para a história e deixou saudades por ser o melhor da geração C4.
A geração C5 veio com grande melhoria de desempenho em relação à anterior, mas não teve um Corvette assim especial que se destacasse dos demais. E agora com a geração C6, a GM volta a balançar o coreto trazendo de volta a linha especial ZR1. Até agora - fora o fato do carro ser conversível, targa ou cupê de dois lugares - havia duas opções na linha Corvette: motor de 6,2 litros com 430 cv, ou motor de 7 litros com 505 cv. Nesse último nós já andamos, lembra? E deu pra ver que é um carro espetacular, que segundo um piloto da Stock-Car em Interlagos, ele dá pau nos carros dessa categoria mesmo com o ar-condicionado ligado e pneus de rua.
Mas, 505 cv não bastaram para a acirrada competição que o Corvette vem tendo com o Viper da Chrysler. Antes do lançamento do Viper no início da década de 90 o Corvette reinava sozinho como puro-sangue esportivo americano até que Lee Iacocca, presidente da Chrysler, resolveu arrumar uma encrenca para a GM lançando o Viper. Iacocca, o antigo chefão da Ford, que bolou o Mustang e que havia assumido a presidência da Chrysler para tirá-la do buraco e tirou, sempre foi um dirigente inteligente. Ele sabia que os esportivos podem não dar lucro imediato, mas trazem prestígio à marca e orgulho a seus funcionários. Daí que ele ordenou que fizessem um esportivo de dois lugares que fosse mais potente que o Corvette de então, e de lá pra cá os dois vêm disputando qual é o esportivo mais demoníaco dos EUA.
O motor V10 de 8 litros do Viper já está com 608 cv de potência e 77,4 kgfm de torque. Na prática, na pista de testes mesmo com 103 cv a menos o Corvette de 7 litros vem andando junto com o Viper. Perde um pouquinho na arrancada do 0 a 100 km/h, perde outro pouquinho na velocidade final, pois ele atinge “só” 320 km/h e o Viper 330 km/h, mas, devido à sua melhor estabilidade, melhores freios, melhor aerodinâmica etc ele acaba virando o circuito mais rápido. Isso bastaria para um comprador europeu que se importa mais com o conjunto do carro do que com números absolutos de arrancada e velocidade final, mas não basta para o norte-americano típico. Ele quer ter o mais forte, mesmo que nunca use nem metade disso, mesmo que tenha medo de acelerar a fundo o bicho. Para esses a GM em breve colocará à venda o ZR1 que terá 630 cv, portanto será mais forte que o Viper, ao menos por enquanto.
Desafio
O projeto do ZR1 começou quando o engenheiro-chefe da GM, Dave Hill, desafiou seus engenheiros ao ver que com o Corvette fariam U$100.000. Um Corvette de 430 cv custa nos EUA U$ 50.000. Um de 505 cv custa U$70.000. “Então rapazes? Me façam um que tenha preço de venda de cem mil”, foi o desafio. Internamente o projeto passou a ser chamado de Blue Devil, Diabo Azul.
E foi assim que nasceu o novo ZR1. O motor com 630 cv de potência e 83 kgfm de torque é o de menor cilindrada, 6,2 litros, porém comprimido por um blower de 4 rotores da Eaton. Pistões forjados, válvulas especiais, virabrequim reforçado, câmbio reforçado Tremec TR6060 (vai no eixo traseiro para melhor distribuição de peso, tal qual todos os Corvette atuais), suspensão melhorada, embreagem de dois discos, chassi de alumínio com partes de carbono, freios Brembo, mais fortes (os maiores de um carro de série, com 15,5 pol. na frente e 15 pol. atrás), pneus 285/30R19 na frente e 335/25R20 atrás etc etc. Tudo isso só lhe custou 70 kg a mais que o modelo normal. Sua potência e torque são tamanhos, que basta a 1ª marcha para cumprir o teste do 0 a 100 km/h que se estima que faça em menos que 3,5 seg.
A velocidade final agora é atingida em 6ª marcha. Já no Corvette de 7 litros e 505 cv a final é atingida em 5ª, com a 6ª marcha só para viajar em giro baixo, pois ela é tão longa que seus 505 cv não são o bastante para vencer a resistência do ar acima de 300 km/h. Já os 630 cv do ZR1 são suficientes para levar o giro ao máximo em 6ª marcha, e pelos meus cálculos é potência bastante para que esse Corvette atinja 348 km/h.... O velocímetro mede até 370 km/h.
Com a velocidade a essas alturas a aerodinâmica é importantíssima. Cada km/h a mais de velocidade final custa muitos cv de potência. E é nessas que o Viper vai dançar, pois o Corvette tem aerodinâmica muito melhor e pelos meus cálculos (cálculos esses que já expliquei em matéria anterior) o Viper terá que ter 735 cv para atingir os mesmos 348 km/h que o ZR1 atinge com 630 cv, o que parece impraticável. Esse ZR1 portanto veio para esfregar o nariz do Viper no chão. A não ser que melhorem muito a aerodinâmica do Viper, o que só seria conseguido reestilizando totalmente o carro, a Chrysler terá que se conformar com o 2º lugar.
E agora, Dona Chrysler? Que é que a senhora vai aprontar?

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