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Publicado em 03/01/2008

O HOMEM ALEGRE DO PAPO VERDE

Arnaldo Keller

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Protótipo do Volt da GM americana

Falar de carros elétricos não é novidade, já que: 1º - o primeiro carro elétrico foi construído em 1838, pelo inglês Robert Davidson; 2º, no final do Século XIX havia nas ruas mais carros elétricos que carros a gasolina, em 3º o primeiro carro a ultrapassar a barreira dos 100km/h foi o “Jamais Contente”, um carro elétrico com forma de um pepino, pilotado pelo belga Camille Jenatzy; ele atingiu 105,9km/h em 1899. Por fim, em 4º, lá por 1908, o nosso Santos Dumont elegantemente rebocava seu ultra-leve Demoiselle (Libélula) pelas ruas de Paris com um Peugeot elétrico.

No início da história do automóvel, o elétrico era muito mais prático e elegante. Não precisava virar aquela manivela estúpida para dar a partida. Seu contragolpe chegava a quebrar braço, arrancar dentes, ou ao menos criar situações cômicas com o Gordo impaciente ao volante de um Ford T e o Magro desajeitado ajeitando o chapéu e virando a manivela. Páu! Púff! Fumaceira preta...

Então, esse raio da manivela bruta simplesmente impedia que as mulheres dirigissem. As mulheres, naquele tempo, eram mais delicadas, femininas, e era inimaginável submeter uma mulher a esse tipo de manivelada. E o carro elétrico não pegava fogo, não exalava mal cheiro e, muito importante, quase não fazia barulho. Era muito mais elegante, já que uma das características do elegante é não incomodar a paz dos outros. Naquele tempo as pessoas não estavam acostumadas com a barulheira, como nós atualmente estamos. As pessoas, naturalmente, odiavam barulho besta. Um moto-boy, de escapamento aberto e buzina zunindo, nas ruas daquele tempo seria caçado com cartucheira.

Em 1909, por exemplo, existia o Baker, o carrinho coqueluche das mulheres. Motor elétrico, um carro fechadinho, com teto e janelas, uma gracinha, na certa com o perfuminho delicado delas e renda de linho branco no encosto. Rodava até 50km com uma carga na bateria e atingia 32km/h de máxima. O entrevistador e colecionador americano Jay Leno tem um, e, por incrível que pareça, sua bateria é original e está funcional. A fábrica Baker era inovadora. Foi ela que inventou o eixo diferencial.

A própria Oldsmobile (mais tarde comprada pela GM) fabricava carros elétricos e só partiu mesmo para os a gasolina após um incêndio que arrasou sua fábrica na cidade de Ransom. Então, já que estavam no zero, resolveram redirecionar a produção. Não fosse esse fogo, segundo a Oldsmobile, ela provavelmente estaria produzindo elétricos até hoje...

INVENÇÕES MUDAM O CURSO DA HISTÓRIA

Mas aí, em 1910, veio uma revolução que viabilizou d’uma vez o carro a gasolina: a Cadillac lançou a partida elétrica. E então, com isso a mulher não precisaria mais se descabelar de manivelar o carro para animar o motor a pegar; bastaria que ela apertasse um pequeno botãozinho, um ponto “G”, como diz o nosso presidente, que o motor milagrosamente pegaria. Depois, era só engatar e relaxar ...

Isso agradou também aos homens, pois não ficava bem um homem adulto ficar manivelando no meio da rua. Para esse serviço os ricaços tinham seus choferes, que, com luvas, manivelavam para eles. Mas, e os remediados? Os que tinham dinheiro para comprar um Fordinho T baratinho, mas não tinham para empregar um chofer com luvas? Como é que ele fazia? Humilhar-se, manivelando na frente de todo mundo? Ainda por cima, depois de uma certa idade o homem já não tem mais o ímpeto de manivelamento e podia faltar-lhe forças e o carro podia não pegar.

É realmente interessante como pequenas invenções, como a partida elétrica e o Viagra, por exemplo, podem mudar o curso da história; taí o Renan e o fim da CPMF pra comprovar a teoria. A Cadillac (que depois foi comprada pela GM), com sua invenção da partida no botão (na verdade era no pedal, pois era no assoalho e pra apertar com o pé), jogou o carro elétrico para quase um século de ostracismo. Mas o elétrico está voltando. O próprio presidente atual da GM, Bob Lutz, afirmou que o carro elétrico não é só possível, mas é também uma necessidade, e é por isso que a empresa está investindo pesado nele.

Na década de 1990 ela lançou o Impact, porém, logo em seguida, vendo que o nome podia ser mal interpretado (“impacto”, pancada), mudaram para EV1, de Electric Vehicle.

Mas acontece que cansei de ficar manivelando esta história toda enrolada aqui sozinho e, se me dão licença, continuo ela na semana que vem. OK?

Abraço,
Arnaldo

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