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TESLA, UM CARRO ELÉTRICO CHOCANTE
E lá estava eu, debruçado sobre o capô do carro da minha filha, com um calor miserável, trocando as velas do lazarento. Mãos cheias de graxa, quando escapa a chave de vela e... Tung! Ai! que tirou uma lasca do dedinho! Enquanto xingava passei a olhar aqueles montes de pecinhas, fios, caninhos, mangueiras, bloco de ferro e vi que aquilo pra funcionar direito era quase que fruto do acaso, de tão complicado que é. E aí, caí em mim que o motor dos atuais automóveis é no fundo, um raio de uma máquina primitiva, um engenho que já era para estar no museu do século XX. Fedorento, barulhento, intoxicante, desperdiçador que aproveita mal a comida que lhe damos, gerando pouco trabalho útil, já que somente 30% da energia liberada na explosão se transforma em movimento – os outros 70% viram calor inútil. E na garagem de casa estava uma scooter elétrica sendo abastecida na tomada comum da parede. É uma Motor Z S500, com 0,8 cv de potência, e com ela tenho circulado pela redondeza. O motor – que parece uma panelinha com uns 25cm de diâmetro por uns 15cm de espessura –, fica no cubo da roda. Andando com ela me sinto um autêntico “Jetson” do futuro. Ela não fede, não faz barulho, não polui o ar nem os ouvidos, gasta 5 vezes menos em reais por km rodado que uma scooter a gasolina e, por incrível que pareça, ainda leva uma garupa. Uma delícia! Só escutamos um “ziiimm” baixinho quando aceleramos. Os pedestres se surpreendem, matutando como é que aquilo anda sem fazer barulho algum. A velocidade máxima está por volta de uns 45km/h e a autonomia por volta de uns 25km nos acelera de alívio da cidade. Os 40km de autonomia divulgado pela montadora (essa é uma montadora mesmo, pois importa a scooter completa e desmontada da China e só junta as peças) só são alcançados sob condições ideais: asfalto plano e liso, e numa tocada sem variações de velocidade. O tempo de recarga quando a bateria está totalmente descarregada, é de 6 a 8 horas. Mas isso raramente acontece, pois nos acostumamos a ligá-la à tomada assim que voltamos pra casa após cada volta. Esse costume, além de nos garantir maior autonomia na próxima volta, garante vida útil maior às baterias – que são quatro, pesam 6kg cada e o kit das quatro custa R$ 450,00. Se as recarregarmos só quando esvaziarem de todo (ciclo), elas duram uns 300 ciclos. Se sempre que pudermos “completarmos o tanque”, elas podem durar o dobro do tempo ou mais. Na prática, a montadora espera que durem de um a três anos, conforme o uso. “Verde-Encanados”
Com ela não devemos nos arriscar a encarar o trânsito jogo duro de São Paulo, pois ela não tem arranque tão forte nem velocidade final pra isso. Mas, tomando o cuidado de andar pelas quebradas, ruas mais calmas, ela circula muito a contento. Ideal para cidades do interior e litorâneas, desde que sejam razoavelmente planas, já que ela não tem marcha, portanto, não encara subidas mais íngrimes. Só sei que achei a motinha bárbara e comecei a me aprofundar mais nos veículos elétricos produzidos no mundo desenvolvido, e fiquei encantado. A Subaru deve lançar um carro exclusivamente elétrico no ano que vem, assim como a Peugeot. Grandes investidores estão comprando fábricas de baterias, vislumbrando aumento da demanda. E vem aqui o melhor da história: o Samir da Motor Z, me falou para entrar no site do Tesla, um carro elétrico, esportivo de dois lugares, fabricado nos EUA. O Tesla foi projetado por engenheiros malucos-geniais que adoram carros esportivos. São milionários que fizeram a fortuna no Vale do Silício – centro de alta tecnologia na Califórnia – e resolveram produzir um carro elétrico “chocante”. Vamos aos dados do Tesla:
0 a 100 km/h em 4 segundos. Velocidade máxima: 210km/h. Autonomia: 400km!!!! Tempo para recarga: 3 horas e meia. Baterias a lítium (parecidas com a dos telefones celulares) que pesam ao todo 400kg. 100% do torque está disponível desde zero rpm (uma característica dos motores elétricos), ou seja, ele já sai com tudo. Será montado sob a leve carroceria de alumínio do Lotus Elise, cujo fabricante colaborou no projeto, tal qual o primeiro protótipo. Os cem primeiros já foram vendidos sob pagamento integral antecipado de U$ 100.00,00. Suspensões independentes por duplo A, câmbio de duas marchas, ar-condicionado, freios ABS, airbag etc etc. E atrás disso vêm outros desenvolvimentos, como placas foto-voltaícas que carregam as baterias com a luz solar e sistemas de carga ultra-rápida, a ponto de um ônibus elétrico recarregar suas baterias durante as breves paradas para o entra e sai dos passageiros, e mais montes de novas soluções tecnológicas que estão viabilizando o carro elétrico, tanto o uso no dia-a-dia, como baixando o seu custo de fabricação. E é aí que vem a sacada genial do pessoal que idealizou o Tesla: em vez de fazerem um carro chocho, sem graça, que só satisfazem os “verde-encanados”, eles fizeram um carro superesportivo. A idéia era: “Já que vai acabar saindo um carro caro, então façamos um carro para quem pode pagar por isso, e que paga com prazer, pois vai ter muito prazer em dirigi-lo. Esse é o jeito de viabilizarmos financeiramente o desenvolvimento da tecnologia”. Deu certo, viabilizaram o Tesla esportivo e com ele desenvolveram a tecnologia que será aplicada num sedan de quatro lugares que custará U$ 50.000,00. Ainda é um preço alto, mas já viável, pois além das muitas vantagens do carro elétrico – como custo baixíssimo por km rodado, suavidade e silêncio, respostas rápidas ao acelerador – os carros elétricos são “cool”, como dizem os gringos, são legais. São e serão cada vez mais chiques. Hoje em dia usar casaco de pele de bicho selvagem assassinado não é chique, é blasfêmia. Em breve a consciência ecológica chegará também aos carros. Então, é isso aí! Estou contentíssimo com o Tesla, pois ele me trouxe ótimas esperanças de podermos continuar a nos divertir largando o pau em carros esportivos mesmo sem usar gasolina. Tesla: www.teslamotors.com Mais sobre veículos elétricos: www.evworld.com
Arnaldo Keller |