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Vou relatar o que vi neste terceiro festival, apesar de ser um cara suspeito
para comentar. Sou suspeito porque fui um dos incentivadores do primeiro. Suspeito porque
o nosso jornal, desde então, é um dos que o patrocina. Suspeito porque esse é um dos
tipos de corridas que mais gosto: multi-marcas, multi-modelos, tudo meio misturado, onde
torcemos mais pelos carros que pros pilotos, podendo comparar os carros na hora do racha
pra valer. Suspeito porque passei o dia entre amigos, um monte de gente legal, que estava
lá para competir, mas que, antes de tudo, estava lá porque adora carros esportivos,
tanto fazendo o ano de fabricação, adora correr, adora ver correr, e não tem frescura,
pelo contrário, quer mesmo é ver a coisa ardendo.
O Auto Union DKW Club do Brasil, que organiza a tradicional Subida de Montanha ao Pico do
Jaraguá, é o organizador. O José Luis Nogueira Fernandes é o presidente e o Eduardo
Pessoa de Melo é o diretor, a cabeça e as pernas do festival sem ele a coisa não
anda. E os carros andaram, e como andaram... Dias antes do festival já havia 111 carros
inscritos.
Pela manhã tivemos provas de slalom e arrancada. Cheguei na hora
do slalom, dei uma olhada na reta em frente aos boxes e vi um cone tomando uma bicuda de
um Mini Morris e indo pro espaço. Fui pros boxes para checar os carros que ali estavam.
DKW, Puma Malzoni, Subaru Impreza Turbo, Mitsubishi Lancer Evolution, Maverick, vários,
preparados, Mustang (vários, uns 8), Porsche Boxster S, Audi A3, BMW hatch, BMW Z4,
Lobini, Chamonix 550, K.Ghia motor AP, Porsche 356 originais (uns 3 ou 4), Puma VW
(vários), Fuscas, Chevette motor Opala 6 cil, Alfa Romeo GTV, Porsche 928, de Tomaso
Mangusta, dentre outros... Enquanto olhava os carros nos boxes, dava para escutar as
derrapagens no slalom... sguíínnch, ruóóómmp, riááá, tófff. De vez em quando
escutava um tóff e via um cone passando mais alto que a mureta. Devia estar
divertido por lá, mas fico aflito se não vejo todos os carros assim que chego, então,
fiquei xeretando os carros.
Arrancada
A prova de arrancada foi dominada pelos Maverick. O Maverick de arrancada do Batistinha,
com pára-quedas e tudo foi o mais rápido. O Maverick lilás do Eduardo (outro Eduardo),
foi o segundo. O danado queimava pneus até o final da terceira um canhão. E olha
que é um carro pra andar na rua.
Antes da largada para a categoria A, os até 1.200 cm3, foi feita uma largada no estilo
antigo de Le Mans, onde os carros ficaram parados de um lado da pista e os pilotos do
outro. Dada a largada os pilotos saíram correndo, entraram nos carros e largaram. Super
legal, tradição. Na categoria A, Alfonso Abrami venceu com seu DKW carretera. Belo DKW,
teto rebaixado, pára-lamas traseiros cortados em sua parte inferior para vazão de ar,
câmbio de Golf, se não me engano, e um motor afinadíssimo. Andou pra caramba. O Eduardo
P. De Mello chegou em segundo e um Mini Morris, apesar de ter andado bem, tomou ralo
desses dois e chegou em terceiro.
Na B, onde a cilindrada máxima ia até 1.800 cm3, tivemos um péga muito bom, com
destaque para um pequeno Citroën AX do Alexandre Salsano, que largou lá de trás, buscou
todo mundo, liderou e brigou encarniçadamente com o Puma do Alfredo da Silva Amaral que
vinha liderando. Porém, ao final, o Puma do Alfredo ganhou. Belo péga. Esse
Citroënzinho é endiabrado, e eu sabia que esse carrinho ia dar trabalho, pois, apesar de
ter um motor pequeno, de 1,4 litros, o bichinho faz curva feito gente grande. O Alexandre
soube faze-lo andar. Em terceiro, outro Puma, o do Francisco Alves Neto. Fato curioso:
não lembro qual dos Puma tinha um piloto tão alto que abriram um buraco na capota para
caber sua cabeça com capacete. Era bom avisa-lo do que fizeram na década de 1960 com o
GT40 do Dan Gurney que também é altão: fizeram um abaulado na capota. Era gozado ver o
capacete branco mais alto que a capota do Puma.
Na categoria C, a que ia até 2.400 cm3, ganhou uma menina de 17 anos, a Roberta Amaral,
pilotando um Alfa Romeo GTV. E como pilotou! Essa menina é do ramo. Que categoria! Andou
redondinho o tempo todo, perfeita. Soube andar forte e cuidar do carro. Freava no ponto
certo, curvava liso, acelerava forte e ia embora. Maravilha de menina! Os marmanjos
ralavam e estrebuchavam e ela seguia impávida. Achei que o Alfa da Roberta estava acima
dos concorrentes e ele seria um carro para a Força Livre. O BMW 2,3 litros do Julio
César Picolli, que chegou em segundo, e o Stilo Abarth do Manuel Assunção, que chegou
em terceiro, estavam bem menos mexidos que o Alfa, da Roberta. Mas essa diferença não
seria de muita ajuda se ela não soubesse pilotar. A menina é fera e sabe pensar enquanto
pilota.
Na D, a acima de 3 litros, o racha foi entre os V8, os Maverick e os Mustang GT. Os
Mustang GT eram todos da década de 1990. A disputa boa foi pela liderança. Por ela
lutaram o Mustang 1995 do Márcio Cardoso contra o Maverick 1976 do Fernando Rabellato. Em
terceiro chegou o Carlos Alberto no seu Maverick GT 1976. Essa categoria foi boa de motor,
mas ruim de curva. Os Mustang e os Maverick davam um trabalho lascado para os pilotos. De
perfil, no S do Senna, dava pra ver perfeitamente o quão pequena é a distância
entre-eixos desses carros, principalmente a dos Mustang. A gozação ficou por conta de um
Mercedes preto, que devia estar com os amortecedores pifados e sem barra estabilizadora, e
sempre fazia o S do Senna, atravessado, entortando, ora prum lado, ora pro outro o
piloto era doidão. Olhávamos pra cara do piloto e ele ria pra caramba enquanto tratava
de endireitar o Mercedão. Apostávamos quando ele iria rodar e sair pra grama. Acabou
saindo da pista e levantando um poeirão, mas até que demorou. Esse cara é um sarro.
Força Livre
Na Força Livre o Batistinha voltou a dar show com seu Mavrick GT branco. Ele pilotou
forte e consistente. Seu carro ajudou, pois estava muito bem acertado, tanto de motor
quanto de suspensão, mas ele foi o melhor piloto do dia, com certeza. Se eu estivesse
indo de carona até poderia tirar um cochilo, tal a segurança de sua tocada. Parabéns!
Não deu chance para o Maserati 3200 turbo, ano 2000, também com pneus slicks, que andou
bem, mas nem tanto e chegou em segundo. O ralo mesmo foi entre um Porsche Boxster S
amarelinho, um Mitsubishi Lancer Evolution e um Subaru Impreza Turbo. A luta foi
engalfinhada, mas não deu outra, a tração integral do Subaru e do Lancer fez valer suas
vantagens e eles levaram o Boxster S.
O amigo Hermenegildo que fez a proeza de deixar um VW Zé do Caixão bonito ,
como sempre, saiu bombando, entortou pra caramba nas curvas no começo da corrida, e
depois, não o vi mais. Cadê você, cara? Cê tá vivo? Onde é que cê foi parar com
esse teu caixão ambulante?
Agora sério: este festival, três anos atrás, era um sonho, uma promessa de um evento
legal, no estilo dos que ocorrem em Goodwood, Brooklands, Laguna Seca. Agora ele é uma
realidade, que, com certeza, vai crescer e ficar ainda mais bacana. O Jornal
Primeiramão/Superauto tem o prazer e a honra de estar presente desde o começo. Parabéns
a todos, os organizadores e os pilotos. O dia foi inesquecível.
Abraço a todos,
Arnaldo

Arnaldo Keller
arnaldokeller@yahoo.com.br
apoio
FENO DE COAST-CROSS E TIFTON
FAZENDA CACHOEIRINHA
PIRASSUNUNGA SP
tel. (19) 9729-1778
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