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Os dois modelos
concorrem diretamente pelo preço
e pela "modéstia" de equipamentos e acabamento |
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Desde que a Fiat lançou o primeiro carro
com motor 1.0 no Brasil (o Mille) em 1990, esse segmento não parou mais de crescer. Os
modelos chamados "populares" representam quase 80% das vendas de veículos novos
no País. E é por isso que ninguém quer ficar de fora dessa briga.
A cada lançamento de uma montadora, as outras se mobilizam para neutralizar o poder de
fogo dos adversários com promoções e novas versões de seus modelos. E é isso que a
Fiat fez. Com a chegada de um concorrente de peso no mercado, o Chevrolet Celta, a Fiat
tratou de criar uma nova versão do Palio (Young), que utiliza a carroceria
antiga desse modelo mundial da montadora italiana. SuperAuto então resolveu
mostrar para você consumidor, os prós e os contras de dois dos modelos de menor preço
vendidos hoje no mercado brasileiro.
CELTA - R$ 14 170
Muito barulho para pouco carro
Como todo lançamento de um novo veículo
por uma das quatro grandes montadoras nacionais, o Celta ganhou um enorme espaço na
mídia. A intenção da General Motors era lançar um veículo espartano, como o carro
mais barato do Brasil. Conseguiu apenas uma parte desse objetivo.
O Celta é realmente um carro espartano. Mas não é o mais barato do Brasil, cargo esse
ocupado pelo pioneiro Mille. Esqueça todos os itens de conforto que você aprendeu a
exigir em um veículo nesses últimos anos. O Celta não traz quase nada deles. O objetivo
da montadora é claro: oferecer um carro barato, robusto, de mecânica confiável e de
design moderno e agradável, que serve como primeiro carro de um jovem ou como segundo
carro da família. Portanto esqueça comodidades como vidros elétricos, direção
hidráulica e ar-condicionado. Freios com sistema ABS então, nem pensar! Pelo preço
básico do Celta (R$ 14 170 nas concessionárias, R$ 13 390 pela Internet), você leva
apenas um meio de transporte para a casa.
O carro é absolutamente desprovido de itens até corriqueiros em outros modelos. Como por
exemplo, o espelho de cortesia na pala do pára-sol do passageiro da frente. No Celta,
não só o espelho não vem, como o material da pala do pára-sol ser pra lá de chinfrim,
não esquecendo de mencionar que essa pala é fixa, ou seja, não dá para rebater os
raios solares laterais.
O painel então, é triste: traz um velocímetro, um marcador digital de combustível, um
hodômetro digital, as horas e várias luzes-espia. Mesmo assim, a posição do volante de
direção cobre o velocímetro. Mas o que mais faz falta no Celta, é que como ele tem a
vocação de ser um carro urbano, deveria ter pelo menos porta-trecos espalhados pelo
carro. Quem dirige o dia inteiro pela cidade, sabe o quanto faz falta um lugar para
colocar celular, canetas, balas e o resto da tralha que um motorista
freqüentemente carrega para amenizar o etresse do trânsito. Pois no Celta, com exceção
do porta-luvas não há outro lugar para se colocar esses objetos.
Outro incômodo é o comando de regulagem dos espelhos retrovisores externos. Ele
simplesmente não existe! Para regular a lente dos espelhos, só enfiando a mãozona na
lente mesmo. O acabamento é bem simples, o painel da porta é de plástico em peça
única o que inviabiliza a colocação de alto-falantes sem danificar a peça.
Apesar de ser um projeto novo, o Celta utiliza o mesmo "powertrain" (motor e
câmbio) do Corsa. E essa é a melhor vantagem do carrinho. Esse motor 1.0 de oito
válvulas desenvolve 60 cv a 6 000 rpm. O Celta tem uma boa relação peso-potência o que
lhe confere agilidade no trânsito: cada cavalo tem que transportar 13,9 kg com o carro
vazio. O câmbio também é uma delícia, com encaixes precisos, mas a primeira tem uma
relação curta demais certamente para aproveitar melhor o pouco torque que um motor 1.0
disponibiliza ao seu usuário. O design externo do carrinho agrada bastante, frustrando
entretanto o curioso que o observa por dentro. O mostrador de combustível é bastante
prático, onde barras horizontais em cristal líquido vão se apagando em média, a cada
cinco litros de combustível consumidos.
O modelo testado veio com um kit de acessórios chamado de "pacote mais" que
consiste em chapa de proteção para o motor e cárter, vidros verdes com pára-brisa
degradê, desembaçador elétrico do vidro traseiro, limpador e lavador do vidro traseiro,
temporizador do limpador de pára-brisa, bateria de 42 ampères e desembaçador com
ar-quente. Esse pacote custa R$ 499,00 e a pintura metálica mais R$ 399,00.
PALIO YOUNG - R$ 13 618
O Palio "pelado"
Há pouco mais de um mês a Fiat apresentou
à imprensa especializada o novo Palio (já testado por SuperAuto), que traz inovações
estéticas e mecânicas ao carro-chefe de vendas da Fiat. No entanto, como é praxe no
Brasil, a montadora italiana manteve a versão com antiga carroceria em linha, em uma
única versão chamada "Young", como modelo de entrada na linha Palio. Não é o
modelo mais barato da Fiat no Brasil: a Fiat continua a produzir o Uno em sua versão
Mille Smart que é vendida por R$ 11 896 na rede e por R$ 11 440 pela Internet. O Smart é
o carro mais barato do Brasil. O Palio Young custa na rede
R$ 13 618 e R$ 13 100 pela Internet, ambos na versão três portas. Mais barato portanto
que o Celta da Chevrolet. Mas se o consumidor desejar mais conforto, pelo menos no
entra-e-sai familiar, a versão quatro portas sai por R$ 850,00 a mais. E essa é a maior
vantagem que o Palio Young tem sobre o Celta: a possibilidade da carroceria com quatro
portas. Vantagem essa minimizada é verdade, pelo fato que a versão básica do Young não
traz travas elétricas, o que significa mais portas para conferir uma a uma se estão ou
não travadas. Mesmo assim, é uma carroceria mais inteligente para quem faz uso familiar
de seu veículo.
De resto, o Palio Young peca pela mesma falta de acessórios e itens de conforto que seu
concorrente. Falta espelho de cortesia na pala do pára-sol, os espelhos retrovisores
externos também necessitam do sistema "mão-na-lente" para ser regulado, falta
porta-objetos na porta, e pasmem! até cinzeiro e acendedor de cigarros no
Young é opcional. O conjunto mecânico já é conhecido dos brasileiros e provou sua
valentia: trata-se do 1.0 de oito válvulas já utilizado nos Palio anteriores e que
desenvolve 61 cv a 6000 rpm.
O espaço interno é melhor no Palio que no Celta. A visibilidade também. Embora mais
potente, o Palio perde no torque máximo: 8,1 kgfm a 3000 rpm contra 8,3 kgfm a 3 000 rpm
do Celta. Atinge 152 km/h de velocidade máxima e acelera de zero a 100 km/h em 16, 2
segundos. O Celta acelera de zero a 100 km/h em 15,9 segundos e atinge 148 km/h de
velocidade máxima.
Conclusão
Palio é mais veloz (velocidade final) e
tem maior porta-malas que o Celta. O Celta por sua vez é mais rápido (aceleração de 0
a 100 km/h) e mais moderno que o Palio. Ambos pecam por "mesquinhez" em itens de
comodidade. Quanto custa por exemplo o espelho de cortesia na pala do pára-sol do
passageiro? Dois reais? Por que não projetaram um painel de porta com porta-trecos nos
dois modelos? Iria encarecer "muito" o preço final do carro? Na cabeça dos
dirigentes dessas empresas, quem compra esse tipo de veículo está pensando na economia e
não no conforto. Ok, é verdade. Mas certos mimos que eles poderiam oferecer
não encareceriam o produto e agradaria mais o consumidor.
Felizmente há a livre concorrência. E a montadora que sair na frente no quesito
oferecer mais por menos certamente conquistará uma boa parcela de
consumidores. Consumidor este, é bom deixar claro, que está entrando na
linha de produtos de uma montadora. Se seu primeiro veículo desta marca não o agradar,
certamente isso comprometerá a imagem que ele possui dessa marca no futuro, quando ele
decidir partir para um modelo melhor.
Texto
Marcelo Pizani |