|
|
|
|
Honda Civic EXS É hoje, o automóvel nacional mais desejado pelos brasileiros. No lançamento do “New Civic”, há alguns meses, eu disse que o maior problema desse carro é que a Honda não tinha produção suficiente para atender a futura demanda. Dito e feito. Para se levar um Civic de oitava geração para sua casa, mesmo assinando um cheque polpudo, você vai ter que esperar por pelo menos quatro meses. Afinal, o que tem esse carro para ser tão cobiçado? É simples. O Civic de oitava geração (terceira aqui) é o melhor automóvel já produzido no Brasil. O design é um dos fatores que mais pesam na escolha. Se nas gerações anteriores ele podia ser considerado até conservador pela pouca criatividade na ousadia de suas linhas, a nova geração adotou estratégia contrária: é moderno, inovador e muito bonito. Se antes o Civic era adquirido por homens na faixa de 45/50 anos, o jovial design dessa geração fez com que ele fosse preferido também pelos mais jovens. Muitos antigos compradores de hatchbacks como o Audi A3, migraram para o Civic, já que o A3 nacional deixou de ser produzido e o importado custa cerca de 40% a mais.
Sem falar que o antigo design conservador do Civic nunca fez muito sucesso com as mulheres, coisa que esse faz bastante. Convidamos a jornalista Mariana Baccarin para dirigir o novo Civic. Ela é uma das mulheres que acha esse carro o mais atraente nacional. “Já achava o novo Civic lindo quando o via nas ruas. Dirigindo passei a gostar mais ainda dele. Ele continua lindo por dentro e é muito gostoso de dirigir”. Ela não está sozinha nessa opinião.
Se o design externo é um sucesso, o interno é igualmente inovador. O maior destaque fica para o quadro de instrumentos digital que está dividido em duas partes. A de cima mostra o velocímetro digital mais o mostrador de combustível e de temperatura do motor, e o inferior exibe o conta-giros, que fica em destaque na visão do motorista como em um carro esportivo. O volante também é bem bonito e incorpora as funções do sistema de som e do cruise control. Mas é dirigindo que se percebe as verdadeiras qualidades desse produto. Seu motor de 1,8 litro de 140 cv é levemente mais potente que o da versão anterior de 1,7 litro que desenvolvia nas versões V-Tec top de linha, 130cv. A versão avaliada é a jóia da coroa: a EXS completa com transmissão automática Tiptronic de cinco velocidades com mudanças nas borboletas atrás do volante. Se esse recurso representa uma inovação tecnológica atraente, na prática nem é muito útil. É que a transmissão automática do novo Civic responde muito rápido à pressão do pé do motorista no acelerador, puxando uma marcha inferior rapidamente quando se afunda o pé nesse pedal (manobra conhecida como ‘kick-down’), e aumenta a marcha sempre que se estabiliza a velocidade. Faz isso bem melhor que seu concorrente da Renault, o Mégane, onde as reações da transmissão automática desse francês são bem mais lentas e justificam obrigar mudanças manuais (o Mégane também traz transmissão automática tiptronic, mas os comandos estão na alavanca de câmbio, não nas borboletas como no Civic). No Civic, para quem não quer ‘pilotar’ o carro, basta deixar em ‘drive’ mesmo e esquecer, que a transmissão fará seu trabalho direitinho. Quanto mais evoluídas as máquinas, menos barulho elas fazem. Com exceção dos carros italianos onde o barulho do motor faz parte dos atrativos, nos carros sem pretensões esportivas quanto menos barulho, mais conforto. O Civic está nessa categoria. A qualidade do material empregado em sua construção faz com que não apareçam barulhos de plástico ou metal rangendo e que o motor opere silenciosamente. A Honda não divulga os dados de desempenho e consumo do novo Civic, mas em uma medição não-oficial feita por SuperAuto, a aceleração de zero a 100 km/h ficou na casa dos 12,5 segundos. A velocidade máxima fica ao redor dos 200 km/h. Já o consumo ficou na casa dos 10,0km/litro na cidade e 14km/litro na estrada. Vale a pena lembrar que o novo Civic só bebe gasolina, não há previsão para a adoção de motor flexível para esse japonês. Comenta-se, entretanto, que a família Civic deva ganhar por aqui outra versão de carroceria, a hatchback, exatamente pela atração que esse novo modelo exerce sobre os mais jovens. CONFORTO A BORDO O interior oferece mais mais espaço para quem viaja atrás graças ao aumento em 80mm na distância entreeixos e de 37mm na largura em relação ao Civic anterior. O assoalho continua plano, como na última geração, o que também possibilita melhor aproveitamento de espaço. A versão EXS é a mais completa. Traz de série um ótimo sistema de som composto por disqueteira de seis discos no painel com leitor de arquivos Mp3 de belo design, ar-condicionado digital, bancos revestidos em couro, ajuste de altura e de profundidade do volante de direção, de altura no banco do motorista, trio elétrico, direção hidráulica, duplo air-bag, faróis auxiliares, rodas de liga-leve e vidros verdes. Não há opcionais.
Detalhes como iluminação nos espelhos de cortesia nas palas do pára-sol e diversos porta-objetos contrastam no entanto com a falta de alguns equipamentos. O computador de bordo, por exemplo, só mede o consumo médio. Não há sensores de estacionamento, nem de chuva, itens presentes por exemplo em carros de categoria inferior, como no Palio da Fiat. E se é para fazer mais uma crítica, o porta-malas do Civic é o menor da categoria, comportando apenas 340 litros. Bola fora também é ele não contar com fechamento automático dos vidros elétricos a distância, como em muitos nacionais mais baratos. Nada disso tira o brilho do Civic, de longe ainda o melhor nacional. Como no comércio impera a lei da oferta e da procura, o preço do Civic EXS foi reajustado em relação ao que era praticado na época de seu lançamento. Custa agora R$ 80 350, R$ 2 750 a mais. Um preço semelhante ao do importado Ford Fusion, um ótimo concorrente que é maior, mais espaçoso e mais potente que o Civic. Mas que não é tão bonito e moderno como ele.
Texto e Fotos: Marcelo Pizani | ||||||||||||||||