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É
verdade que as minivans dominaram o mercado de carros familiares no mundo inteiro. Mas
muita gente ainda prefere as velhas e boas peruas station wagon do que um monovolume de
design limitado. Afinal uma station wagon salvo grande derrapada dos estilistas
é um carro que pode ser tão ou mais atraente que a versão sedan que o origina, e
uma minivan sofre a limitação natural do formato da carroceria. Mas o Brasil a gente
sabe, aparece um modismo e todo mundo corre atrás. Para quem tem personalidade própria
e uma boa grana sobrando é que a Renault comercializa por aqui a perua
Laguna Grand Tour Privilége. Chamar de perua é pouco: o Laguna Grand Tour é uma senhora
perua indicada para quem deseja um veículo que atenda a uma família mas cujo design não
denuncie a caretice dessa proposta. O design é arrojado, elegante e sofisticado. Na
única versão trazida para o Brasil pela Renault (a top de linha Privilége), o motor
utilizado é um ótimo V6 de três litros e 24 válvulas que desenvolve 210 cv, mais que o
Omega australiano que possui um motor maior de 3,8 litros e que desenvolve 200 cv. Design
arrojado mais motor potente fazem uma combinação ideal para deixar de lado qualquer
resquício de imagem de carro-familiar.
Mas se for necessário abarrotar o porta-malas de tralha e levar a família toda para
viajar, o Grand Tour também cumpre bem esse papel. E melhor: com toda segurança. Só
você sabe o quanto vale o bem estar e a segurança de sua família, e nesse item o Grand
Tour vem muito bem equipado. Ele conta com oito airbags, um saudável exagero que ameniza
o impacto de uma colisão ocorrida em qualquer lado do veículo. Os freios são a disco
nas quatro rodas com sistema auxiliar de freios ABS, controle dinâmico de condução ESP
e anti-derrapante ASR. Além disso também traz um sistema de auxílio a frenagem muito
parecido com o BAS da Mercedes Benz que disponibiliza potência máxima de frenagem
conforme a pressão no pedal do freio. Precisa de tudo isso? Talvez não, mas é sempre
bom saber que esses recursos estão lá. Mesmo porque essa peruinha não tem exatamente o
desempenho de um veículo familiar: dotada com câmbio automático de cinco velocidades, a
montadora declara uma aceleração de zero a 100 km/h em 8,3 segundos e uma velocidade
máxima de 235 km/h. Não se esqueça que estamos falando de um veículo que não tem
pretensões esportivas e que pesa mais de uma tonelada e meia... se o Grand Tour agrada
nos quesitos design, desempenho e segurança, também não deixa por menos nas categorias
tecnologia & conforto. Para começar não há chaves para se abrir as portas ou ligar
o carro. Um cartão metálico do tamanho desses magnéticos de banco e um pouco mais
espesso cumpre essas duas funções. Para se destravar as portas basta apertar na tecla
correspondente em relevo nesse cartão. Para ligar o carro, insere-se esse cartão em um
bocal apropriado ao lado do console para que uma tecla escrito start pisque ao
lado do volante. Com o cartão inserido, basta apertar essa tecla para que o motor entre
em funcionamento. O câmbio é do tipo sequencial automático, muito parecido com o
Tiptronic criado pela Audi em parceria com a Porsche: com um simples toque na alavanca de
câmbio para cima ou para baixo se reduz ou aumenta a marcha engatada. Os bancos
dianteiros possuem regulagem elétrica, o volante de direção pode ser ajustado em altura
e profundidade e os comandos do sistema de som podem ser regulados por controle remoto
instalado atrás do volante. Para completar o requinte, bancos revestidos em couro, um enorme teto solar elétrico que se abre até o banco
traseiro, farol de xenônio e muitos porta-objetos. Para amenizar o tormento de uma das
tarefas mais chatas que se faz em um automóvel que é estacionar, um sensor de
obstáculos instalado no pára-choques traseiro avisa com um bip sonoro quando se aproxima
demais de um obstáculo. Quer mais? Ao se esquecer de apagar os faróis por exemplo, uma
gravação feminina em legítimo sotaque de Portugal avisa: luzes acesas. O
preço desse privilégio é de R$ 133 610 nas concessionárias Renault de São Paulo.
Avaliação SuperAuto
CONFORTO
Espaço de sobra para cinco passageiros viajarem sem apertos, ótima
ergonomia deixando todos os comandos bem ao alcance das mãos do motorista, baixíssimo
índice de ruído, bancos dianteiros com regulagens elétricas de posicionamento, banco
traseiro com descansa-braços central com porta-copos, volante regulável em altura e
profundidade, ar-condicionado digital com opção de se manter temperaturas individuais
para o motorista e passageiro do banco dianteiro, diversos porta-objetos espalhados pelo
carro inteiro, função de fechamento de vidros e teto solar por controle remoto. Se não
dá para fugir do trânsito caótico de nossa cidade, a bordo dele no entanto essa tarefa
fica mais agradável...
NOTA: 8,5
EQUIPAMENTOS DE SÉRIE
Não há opcionais no Laguna Privilége. Ele vem com ar-condicionado
digital, direção hidráulica, teto solar elétrico, bancos dianteiros com regulagens
elétricas, CD player, farol de xenônio, computador de bordo, cruise control,
lavador de faróis, cartão inteligente para acionamento da partida e funções de
travamento das portas à distância, revestimento em couro nos bancos e painéis das
portas, lavador de faróis, sensor de estacionamento, câmbio automático sequencial entre
outros. Para se tornar um carro ainda melhor deveria contar com memória de posição nos
bancos elétricos (como nos Volvo e Audi) e computador de bordo tropicalizado
que marcasse o consumo em Km por litro como é comum no Brasil. Também nessa categoria é
comum vir disqueteira no painel ou no porta-malas, não disponível no Laguna.
NOTA: 8,5
DESIGN E ACABAMENTO
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O volante de
direção pode ser ajustado em altura e profundidade |
Muita diferença em relação a antiga perua Laguna (Nevada)
comercializada por aqui. O design frontal está mais para um carro japonês, mas não
deixa de ser bonito e de bom gosto. Uma ressalva quanto a faixa metálica acima da grade
dianteira que dependendo da cor destoa da elegância do carro. O caimento da linha
superior da carroceria em direção ao porta-malas confere uma leve aparência esportiva a
perua. É bom o acabamento interno, não se percebe nenhum ruído interno quando o carro
está em movimento, mas há (maldição dos carros modernos) abuso de plástico no
interior. A perua consegue ser mais atraente que a versão hatchback já avaliada por
SuperAuto.
NOTA: 8,0

PORTA-MALAS
Para uma station wagon (ou break, como os franceses chamam essas
peruas) o porta-malas é apenas mediano: comporta 475 litros, menos por exemplo que o
porta-malas do Clio Sedan, só para mantermos a coisa em família. Mesmo assim está longe
de ser pequeno. Com os bancos abaixados o volume transportado cresce para 1 500 litros.
NOTA: 6,5
SEGURANÇA
Freios a disco nas quatro rodas com sistema ABS, controle de tração,
oito airbags (frontais, laterais de tórax e laterais de cabeça para a frente e para
passageiros traseiros), faróis auxiliares de neblina, faróis de xenônio, controle
antipatinação (ASR), sistema auxiliar de pressão de frenagem, barras protetoras nas
portas... nesse quesito o carro está muito bem servido.
NOTA: 9,0
ECONOMIA
Média de 6,5 km/litro na cidade e 13,0 km/litro na estrada. O Laguna
é beberrão, mas nada de anormal em um carro com motor V6 e que pesa 1585 kg.
NOTA: 6,0
PERFORMANCE
Dados de fábrica indicam que o Laguna faz de 0 a 100 km/h em 8,3
segundos e atinge velocidade máxima de 235 km/h, números muito bons para um carro sem
vocação esportiva. Mas na prática a aceleração inicial demora um pouco para crescer
de rotação, característica típica de motores multiválvulas.
NOTA: 8,0
CONJUNTO MECÂNICO

É um V6 de três litros com duplo comando de válvulas, quatro
válvulas por cilindro com bloco e cabeçote produzido em alumínio. O câmbio automático
de cinco velocidades tem boa relação e o sistema de suspensão está bema adequado para
enfrentar nosso solo lunar com conforto sem prejuízo a estabilidade.
NOTA: 8,0
RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO
O Laguna Grand Tour custa R$ 133 610. É mais barato que outro
concorrente de peso, o Alfa Romeo Sportwagon V6 24V que custa US$ 49 211 (em torno de R$
150 000), e mais caro que o Citroën C5 Break Exclusive que custa R$ 102 350 mas ao
contrário dos outros dois, traz debaixo do capô um motor de apenas quatro cilindros ao
invés de um poderoso V6.
NOTA: 6,5
DIA-A-DIA
É sempre um enorme prazer dirigir um carro dessa categoria. Apesar de
grande (4 695 mm), sua leve direção hidráulica aliada ao sistema de auxílio de
estacionamento facilita bem esse tipo de manobra. Confere status ao seus ocupantes e uma
certa aura de exclusividade já que não há muitos desses rodando por aí. Conta com a
possibilidade de se recolher os espelhos retrovisores externos eletricamente ao se tentar
estacionar em vagas apertadas ou para se proteger das manobras de um motoboy.
NOTA: 8,0
Total de pontos: 77 pontos (de um total de 100)
Renault Laguna |
| ITEM |
NOTA
(0 a 10) |
| Conforto |
8,5 |
| Equipamentos
de série |
8,5 |
| Design
e acabamento |
8,0 |
| Porta-malas |
6,5 |
| Segurança |
9,0 |
| Economia |
6,0 |
| Performance |
8,0 |
| Conjunto
Mecânico |
8,0 |
| Relação
custo-benefício |
6,5 |
| Dia-a-dia |
8,0 |
| Nota
média |
7,7 |
Texto e fotos: Marcelo Pizani
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