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Sport-utility faz
jus à fama da Toyota em fazer carros resistentes |
A
linha Hi-Lux da Toyota fez muitos fãs por todo o Brasil. Quem já teve algum membro dessa
família há de concordar que os Hi-Lux são valentes, robustos e muito confiáveis
mecanicamente. O representante utilitário dessa família chama-se no Brasil SW4: um
sport-utility que alia as qualidades do restante da família ao conforto no transporte de
até sete passageiros. Acontece que o segmento de utilitários é um dos mais disputados
no mundo, e no Brasil quem tem dinheiro para pagar mais de R$ 150 000 em um carro exige
que ele tenha o conforto e a tecnologia dignos de um veículo desse segmento. E por mais
que o SW4 seja um ótimo veículo, a versão argentina (que vinha para o Brasil) estava
defasada em relação aos seus concorrentes que oferecem modelos mais modernos. Talvez
seja por isso que a Toyota do Brasil resolveu trazer outro modelo para disputar esse
segmento: trata-se do Land Cruiser Prado, um sport-utility que faz jus à fama da Toyota
de fazer carros resistentes, mas que traz muito conforto para seus ocupantes. Dentro da
Toyota, a família Land Cruiser é de um segmento superior ao da Hi-Lux. Melhor para nós,
já que o Land Cruiser Prado é muito bonito. Seu design é bem moderno, com destaque para
o grupo ótico dianteiro, que avança sobre o capô. Dentro, surpreende perceber que ele
acomoda bem até oito pessoas em três fileiras de bancos. Como ele é maior que o SW4 em
comprimento (4 850 mm para o Prado contra 4 655 mm do
SW4), os passageiros que sentam na terceira fileira de bancos estão bem melhor acomodados
do que os da terceira fileira de bancos do SW4 que, na prática, só era bom para
crianças. Outra diferença importante é que o acabamento do SW4 estava mais adequado à
proposta de ser um jipão, fácil de limpar, mas sem grandes inovações tecnológicas.
Já o Prado não. Embora muito valente no fora de estrada como um bom Toyota, o acabamento
é esmerado e ele conta com muitos esquipamentos de comodidade. Para mostrar que ele topa
todos terrenos, em cima do painel há um display digital que agrega dados do computador de
bordo além de bússola, altímetro e até barômetro para saber se vai chover. Logo
abaixo um ótimo aparelho de som Panasonic composto por CD player com disqueteira embutida
para seis discos mais rádios Am/Fm, o mesmo equipamento utilizado no Corolla SE-G, o top
de linha. Seu motorista está muito bem-servido: conta com banco com regulagem de altura
(manual) e lombar (elétrica), que aliado às regulagens de altura e distância do volante
acha rapidinho a mais cômoda posição de dirigir. Como o bicho é grande, alguns
detalhes são bem-vindos, como o recolhimento elétrico dos espelhos retrovisores externos
para enfrentar uma vaga apertada ou para liberar o fluxo dos motoboys que andam entre as
faixas de trânsito.
FICHA TÉCNICA |
Motor:
2982 cm3, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, turbo-diesel com intercooler.
Potência: 131 cv a 3 600 rpm
Torque máximo: 35 kgfm a 2 000 rpm
Transmissão: manual, cinco velocidades ou automática de quatro
0 100 km/h: 12,7 segundos
Velocidade máxima: 165 km/h
Preço inicial: R$ 166 140 |
Virando a chave quase não dá para perceber que ali debaixo do capô há um motor diesel,
já que seu funcionamento é bem silencioso. Em qualquer pisadinha no acelerador (sem
cabos, drive by wire) dá para sentir a força desse motorzão de três litros turbo. O
que me surpreendeu foi saber que esse motor que gera nada menos que 35 kgfm de torque (a
apenas 2 000 rpm!) é um quatro cilindros!! Como em um veículo desse porte o mais
importante é a força do motor e não sua potência, é pouco útil a informação que
ele possui 131 cv. Parece pouco, mas acelere o bicho e vai entender o que eu estou
falando. Ele parte faminto pelo asfalto, ganhando velocidade com muita rapidez. O Prado
conta com um ótimo sistema de tração nas quatro rodas. Do tipo permanente, em
situação normal de trânsito 60% da força de tração está concentrada nas rodas
traseiras e o restante nas dianteiras. Para mandar bem em terrenos acidentados, esse
sistema conta com três diferenciais (dianteiro, central e traseiro) que transferem a
tração de qualquer uma das rodas que estiver atolada para a que estiver em melhor
situação de solo. Mesmo fazendo isso automaticamente, há uma alavanca de tração ao
lado da de câmbio que possui três posições: H, para situação normal de trânsito;
HL, que bloqueia o diferencial central e divide o torque por igual entre os eixos; e LL,
que é a reduzida para enfrentar terrenos e trilhas onde carros normais nem sonhariam
entrar. São os detalhes, no entanto, que fazem do Prado um excelente veículo. Há desembaçadores elétricos até nos vidros laterais
traseiros, cintos de segurança de três pontos para TODOS os oito passageiros
ótimo exemplo de segurança , porta-copos em todas as fileiras de bancos, regulagem
de intensidade de ar-condicionado traseira independente da dianteira e com saídas de ar
no teto (!), descansa-braços com porta-objetos, bancos traseiros reclináveis e muitas
outras coisas que você só vai se dando conta no uso diário do veículo. Nenhum
automóvel é perfeito e o Prado fica devendo no comando de toque único para fechar/abrir
os vidros elétricos além da regulagem de altura do facho do farol, já que por ser muito
alto, freqüentemente incomodava os outros motoristas. Em tempo, na Europa e em outros
mercados o Prado também é comercializado em uma simpática versão compacta de três
portas, e no Brasil já tivemos produzidos por aqui um representante da família Land
Cruiser: trata-se do antigo Toyota Bandeirante, um legítimo Land Cruiser da primeira
geração dessa família que começou sua saga em 1951, no Japão. Nem precisa dizer o
quanto esse carro evoluiu entre o Bandeirante e o Prado...
FICHA DE AVALIAÇÃO SUPERAUTO
LAND CRUISER PRADO
CONFORTO
Espaço de sobra para até oito passageiros
viajarem com conforto. Porta-copos em todas as fileiras de bancos, regulagem de altura e
profundidade do volante de direção e de altura no banco do motorista. Comandos bem a
mão, mas não tem controle remoto do sistema de som no volante. O ar-condicionado digital
independente traseiro e dianteiro é ótimo para evitar conflitos familiares. Espelhos de
cortesia nas palas de pára-sol iluminados e muitos porta-objetos distribuídos pelo carro
todo.
NOTA: 8,5
EQUIPAMENTOS DE SÉRIE
Ar-condicionado digital, direção
hidráulica, CD player com disqueteira embutida no painel, travamento das portas à
distância por controle remoto, computador de bordo com dez funções, cruise control,
duplo airbag, trio elétrico, espelhos retrovisores externos com recolhimento elétrico,
bússola, altímetro e barômetro digitais, bancos traseiros escamoteáveis, regulagem
lombar do banco do motorista elétrica, porta-óculos, kit de ferramentas, volante
revestido em couro. Falta regulagem de altura do facho do farol, comando remoto do sistema
de som no volante e sistema one-touch para abertura/fechamento dos vidros elétricos.
NOTA: 8,0
DESIGN E ACABAMENTO
O carro é muito bonito e tem personalidade
própria. Com design moderno, foge um pouco do conservadorismo do segmento. Os espelhos
retrovisores externos são cromados, assim como as maçanetas internas. Já as externas
são da cor do veículo. Por dentro essa modernidade permanece com o acabamento do painel
em aço escovado com (poucos) detalhes em madeira.
NOTA: 8,5
PORTA-MALAS
A Toyota não divulgou esses dados, mas
segundo revistas estrangeiras sem a terceira fileira de bancos a capacidade aproximada do
porta-malas é de 620 litros. Com esses assentos deve cair para menos de 200 litros.
NOTA: 6,0
SEGURANÇA
Duplo airbag frontal de dois estágios para
motorista e passageiro, bancos traseiros com sistema de fixação para cadeira de
crianças (ISOFIX), barras de proteção nas portas, cintos de segurança de três pontos
para todos os passageiros, sendo os dianteiros com regulagem de altura, faróis auxiliares
de neblina, freios a disco nas quatro rodas com sistemas ABS, EBD (distribuição
eletrônica de força de frenagem) e BA (Brake Assist sistema de auxílio de
frenagem), LSD (diferencial com deslizamento limitado), luz auxiliar de freio
(brake-light), travas elétricas com acionamento à distância e controle na chave. Pena
que não traga airbags laterais e do tipo cortina para proteger a cabeça dos ocupantes.
NOTA: 8,0
ECONOMIA
Como o Prado é pesado, o consumo é um
tanto prejudicado. Na cidade ele roda em média 8,5 km para cada litro de diesel e na
estrada sobe para 12,5 km/litro.
NOTA: 6,5
PERFORMANCE
Aceleração de zero a 100 km/h é feita em
12,7 segundos e a velocidade máxima é de 165 km/h. Desempenho bem compatível com a
proposta do carro. Não vamos esquecer que estamos a bordo de um veículo que pesa quase
três toneladas (2850 kg).
NOTA: 7,0
CONJUNTO MECÂNICO
Ótimo motor turbo-diesel de três litros e
apenas quatro cilindros que sobre-alimentado por turbo-compressor e intercooler produz
ótimos 35 kgfm de torque. O sistema de tração permanente é muito bom, conferindo
segurança sobre qualquer tipo de piso. A suspensão alia conforto e robustez, utilizando
na dianteira um sistema independente com braços duplos, mola helicoidal e barra
estabilizadora, mas a traseira utiliza eixo rígido.
NOTA: 7,5
RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO
O Land Cruiser Prado custa R$ 166 140 na
versão com câmbio manual e R$ 168 980 na versão automática. Os concorrentes mais
próximos são o Mitsubishi Pajero Full (R$ 190 980 a diesel), o Nissan Pathfinder (R$ 177
600 somente a gasolina) e o pouco conhecido Ssangyong Rexton (R$ 129 900, diesel). Está
bem situado e é o único com capacidade para até oito pessoas.
NOTA: 7,0
DIA-A-DIA
Típico veículo que confere muito status
ao seu proprietário, o Prado, apesar de grandão, é muito fácil de se dirigir. A
visibilidade traseira é que não é lá essas coisas, já que o estepe viaja pendurado na
quinta porta. A grande capacidade do tanque (87 litros) confere boa autonomia e os muitos
equipamentos de comodidade transmitem muito conforto a todos. Não dá para exigir muita
agilidade no trânsito com o tamanho dele, mas na estrada ele reina.
NOTA: 8,5
Total de pontos: 75,5 pontos (de um total de 100)
Land Cruiser Prado |
| ITEM |
NOTA
(0 a 10) |
| Conforto |
8,5 |
| Equipamentos
de série |
8,0 |
| Design
e acabamento |
8,5 |
| Porta-malas |
6,0 |
| Segurança |
8,0 |
| Economia |
6,5 |
| Performance |
7,0 |
| Conjunto
Mecânico |
7,5 |
| Relação
custo-benefício |
7,0 |
| Dia-a-dia |
8,5 |
| Total |
75 |
Texto e fotos: Marcelo Pizani
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