|
Bom na lama,
melhor no asfalto |
 |
A Mitsubishi Motors apresentou à imprensa
especializada seu mais novo modelo comercializado no Brasil, o Airtrek. A montadora
japonesa declara em seu material de apresentação do modelo que o Airtrek junta os
conceitos de um Sport Utility com o de um sedan. O Airtrek possui tração permanente nas
quatro rodas (AWD, All Wheel Drive) e altura elevada em relação ao solo o que lhe
proporciona maior versatilidade para enfrentar múltiplos tipos de piso. Mas ele não é
um legítimo fora-de-estrada como seus irmãos Pajero.
Afinal o Airtrek não possui marcha reduzida nem diferencial
auto-blocante. Seu sistema de tração na verdade é destinado para melhorar sua
performance em terrenos levemente acidentados ou de pouca aderência. Lembra muito o
conceito do Subaru Forrester, que se não fosse pelo insignificante trabalho dos
responsáveis pela Subaru no Brasil, poderia esse ser considerado seu principal
concorrente por aqui. O Mitsubishi Airtrek será comercializado no Brasil com apenas uma
configuração mecânica: motor de 2,4 litros, quatro cilindros, dezesseis válvulas e
transmissão automática de quatro velocidades com sistema seqüencial chamado pela
Mitsubishi de Sports Mode que permite a mudança de marchas com apenas um
toque na alavanca para a frente ou para trás, idêntico ao sistema Tiptronic
utilizado no Audi A3/Golf GTI. Lá fora ele também pode ser encontrado com um motor de
quatro cilindros de dois litros aspirado e com turbo. Como curiosidade, vale a pena dizer
que na Europa e nos Estados Unidos ele se chama Outlander, por aqui e na Ásia chama-se
Airtrek. SuperAuto esteve na apresentação desse novo modelo e eu vou relatar o que achei
do Airtrek no trecho de test drive que a Mitsubishi ofereceu à imprensa.
COMO ANDA
Ele é cerca de 30 cm maior que o Ford EcoSport. Seu design é
moderno, mas de gosto duvidoso. Para mim, a parte mais bela do carro são suas lanternas
traseiras transparentes. Tem um e sessenta de altura, maior portanto que um carro normal
mas mais baixo que a maioria dos Sport Utility. Mesmo assim tem uma boa altura em
relação aos solo (205 mm) que propicia encarar as terríveis lombadas urbanas sem medo
de raspar o assoalho. O ângulo de ataque é de 22,1 graus e o de saída é de 22,2 graus.
O quatro cilindros de 2,4 litros desenvolve 136 cv a 5 000 rpm com torque máximo de 20,9
kgfm a 2 500 rpm. Está de bom tamanho para os 1 530 kg do Airtrek. Ele ganha velocidade
rapidamente subindo aclives com razoável força sem comprometer o conforto. Em qualquer
situação de uso o silêncio predomina. Encarou com valentia os pequenos trechos
acidentados do circuito do test drive. Isso demonstra bem o tipo de utilização desse
carro: ele foi feito para rodar no asfalto a maior parte do tempo, mas se por algum motivo
for necessário pôr o veículo em trechos de terra, não vai haver problemas. Como o carro é japonês, a alavanca de freio de mão está deslocada
para o passageiro, já que lá eles usam o sistema de mão-inglesa. Mas se a ênfase é
rodar com conforto, aí a coisa muda de figura. O Airtrek possui os equipamentos
tradicionais de comodidade, como o sistema de direção hidráulica, ar-condicionado, CD
player no painel, vidros, travas das portas e espelho retrovisores com comando elétrico e
travamento das portas à distância, duplo air-bag e freios com ABS. O problema é que
pelo preço do carro (R$ 108 400 sem banco de couro, R$ 109 900 com), ele deveria oferecer
mais. Os vidros elétricos por exemplo, só o do motorista conta com sistema de toque
único (one-touch) e mesmo assim só para a operação de descida. Há espelhos de
cortesia nas palas do pára-sol, mas não são iluminados. Não possui computador de bordo
(trip control), equipamento disponível até no Fiat Dobló mais simples. O sistema de som
é bom, mas não possui controle remoto no volante, coisa que o pequeno Renault Clio tem.
Não há nem regulagem de altura de faróis, equipamento disponível no Novo Corsa, carro
de categoria bem inferior. Isso é compreensível pelo fato que nos Estados Unidos, o
maior mercado do mundo, o Airtrek começa custando ao redor de 18 000 dólares, ou seja,
é um carro barato para eles. Mas para nós, R$ 100 000 é preço de carro de gente
grande, e esse tipo de consumidor privilegia o conforto. O Airtrek estará nas
concessionárias Mitsubishi a partir de junho.
| É BOM |
DÁ PARA MELHORAR |
* valentia no fora-de-estrada
para um veículo familiar |
* Falta equipamentode comodida |
FICHA TÉCNICA |
MITSUBISHI AIRTREK |
| Motor |
2351 cm3, quatro cilindros, dezesseis válvulas |
| Potência |
136 cv a 5 000 rpm |
| Torque
máximo |
20,9 kgfm a 2 500 rpm |
| Aceleração zero a 100 km/h |
11 segundos (estimado) |
| Velocidade Máxima |
190 km/h (estimado) |
| Preço |
a partir de R$ 108 400 |
Texto e fotos: Marcelo
Pizani |