Publicado em 14/08/2008
A volta da Ténéré
Duplo disco na dianteira, dois escapes e carenagem integral são destaques da pequena esportiva Green 150 Sport
Texto: Leandro Mello / Fotos: Divulgação

O lendário nome de uma parte do deserto do Saara está de volta. Ténéré foi usado pela primeira vez em 1983 quando a Yamaha lançou seu primeiro modelo, uma cópia perfeita de como eram as motocicletas de rally na época. No idioma Tuareg esse nome significa deserto.
A Ténéré fez muito sucesso no Brasil, porém deixou de ser fabricada no começo dos anos 90. No lugar a XT600E dominou a categoria, até que no final de 1995 foi apresentado o novo modelo com motor refrigerado a água, injeção eletrônica e 660 cc. Esse ano, a Yamaha lançou a nova Ténéré com a base mecânica da XT 660R, porém com o visual marcante de uma motocicleta de rally, toda carenada.
Pelas fotos eu tinha a impressão que seria um modelo muito mais Racing, com características semelhantes a de uma KTM ou Husqvarna. Tive a oportunidade de pilotar essa moto na Itália por mais de 200 km. Diferente do que pensava, o visual Racing é só na aparência mesmo; a moto tem uma pegada muito mais urbana. Para quem pilotou uma Suzuki Freewind suas características são bem parecidas: uma moto com reações mais tranqüilas do que temperamento esportivo.
Conforto
Em comparação à XT, o conforto é seu ponto alto. O banco também é inteiriço, porém, dividido em dois níveis e com anatomia perfeita para que o piloto encaixe de uma forma bem mais confortável, essa característica é nítida já na hora de sentarmos na moto.
A carenagem também é excelente para estrada, o escudo frontal protege bastante os ocupantes do vento, aumentando assim a velocidade de cruzeiro, que pode ser mantida acima dos 140 km/h.
Desempenho

Dotada do mesmo propulsor que equipa a XT 660X, e em função da carenagem oferecer um furo aerodinâmico maior, a nova Ténéré cravou 191 km/h. Na XT demora um pouco mais e se torna um pouco mais cansativo para andar em velocidades altas.
A velocidade máxima vem mais fácil, pois o piloto fica praticamente todo escondido do vento, tendo um arrasto aerodinâmico menor, ao passo que na XT é preciso abaixar o máximo no tanque e mesmo assim sentir uma instabilidade maior com a pressão do vento. No que diz à aceleração, elas se equivalem bastante.
Freios
Esse é outro ponto que a Ténéré se sobressai. O freio dianteiro conta com duplo disco e oferece um poder de frenagem maior. Ele consegue ser bem modulável, não tendo a pegada inicial brusca, porém se apertar o manete com vontade, a potência é bem maior que a XT660.
Suspensão
Da mesma forma que sentei na moto e senti um conforto maior, sendo uma posição mais urbana e estradeira do que uma off-road propriamente dita, a suspensão também parece ser mais macia. Logo que sentamos, ela afunda a traseira bastante, até mais do que a XT, que se manteve mais firme, pode até ser regulagem, mas com certeza é bem diferente de uma motocicleta de rally, que tem um funcionamento mais Racing, trabalhando de forma progressiva ela afunda um pouco mais.
Conclusão

A Ténéré é muito mais voltada ao uso urbano e estradas do que se esperava, pensei que seria uma motocicleta com pegada mais esportiva e no fim é uma ótima opção tanto para quem quer uma moto para o dia-a-dia quanto para passear nos finais de semana em viagens com garupa.
A XT é bem semelhante de comportamento, porém é mais desconfortável em geral, tanto pelo banco como pela falta da carenagem, que fez muita diferença na estrada.
A velocidade maior da Ténéré também é um grande atrativo, e o principal é que sua roupa não trouxe prejuízo para se deslocar dentro das cidades, ela é tão fina quanto a XT. Agora só falta esperar a Yamaha se pronunciar. O lançamento é mundial e o preço ainda não foi definido.