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Idosos e
deficientes merecem e precisam de acessos especiais |
O brasileiro despertou para os problemas
dos idosos e deficientes.
Nunca se falou tanto nos termos igualdade, acessibilidade, independência, adaptabilidade
e segurança como nos últimos tempos.
O start na consciência coletiva, seja do governo, empresariado, da população em geral,
foi dado pela arquiteta Sandra Perito, doutora na aplicação do conceito Universal Design
pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo e diretora -presidente do
Instituto Brasil Acessível.
Apesar de ser ainda pouco conhecido no País, o conceito do universal design já está
despertando a atenção de profissionais, por sua inegável relevância e por influência
dos países desenvolvidos. Essa tendência mundial está começando a ser estudada e
discutida nas universidades brasileiras, porém esse conceito ainda é pouco aplicado pelo
seu recente conhecimento pelo meio projetista.
Alguns passos são dados em direção a divulgar não só o conceito, mas também a sua
aplicabilidade, como por exemplo a Casa Cor deste ano. Arquitetos e decoradores, entre
outros profissionais envolvidos no evento, receberam uma cartilha desenvolvida
especialmente para a Casa Cor com recomendações para projetos baseadas no conceito
universal design, que visa proporcionar essencialmente segurança, liberdade e igualdade
no uso dos ambientes por todos os visitantes da Mostra.
De acordo com Sandra Perito, projetos residenciais adaptáveis que considerem as mudanças
fisiológicas, físicas, sensoriais e psíquicas do homem, baseados nos princípios do
univer- sal design, produ- zem boas soluções ambientais, capazes de aumentar a autonomia
do usuário, além de permitir que as adaptações aconteçam naturalmente, com facilidade
e custo reduzido.
Para se ter uma idéia do conceito, Sandra Perito mostra a aplicabilidade do conceito
dentro de um banheiro. Ela propõe a inclusão de cinco elementos críticos: espaço vazio
embaixo da pia, previsão para instalação de barras de apoio, piso antiderrapante, box
acessível e seguro, além de metais de uso facilitado.
 Dessa forma, torneiras e
registros de pressão de alavanca, de um quarto de volta ou monocromado, não exigem
esforço ou manuseio. Outra dica importante é o registro na entrada do box que permite ao
usuário regular a temperatura da água do lado de fora do box. Ainda no planejamento do
box, as portas com abertura para fora e com 80cm de vão possibilitam a entrada com
cadeira higiênica e também facilitam um possível socorro. Assim como a diferenciação
de textura e cor entre o piso do banheiro e do box torna-se ideal, pois assim é possível
facilitar a identificação por pessoas com baixa acuidade visual. A arquiteta alerta
ainda para a previsão de instalação de barras de apoio fixas no box e ao lado da bacia
sanitária e instalação de telefone, interfone ou botão de pânico.
Números e dados da deficiência no Brasil:
No Brasil, 14,5% da população, ou seja, 24,5 milhões de pessoas, são
portadoras de algum tipo de deficiência. Só em São Paulo, são 1 milhão de pessoas.
8,8 milhões de pessoas apresentam limitação motora. Ninguém sabe ao certo quantos se
movimentam em cadeira de rodas ou só caminham com uma bengala.
Números e dados sobre o idoso no Brasil
O Brasil concentra uma população de idosos na ordem de 15 milhões de pessoas com mais
de 60 anos. As mulheres são maioria.
62,4% dos idosos são responsáveis pelos domicílios e têm, em média, 69 anos de idade
e 3,4 anos de estudo.
Nos próximos 20 anos, a população idosa do Brasil poderá ultrapassar os 30 milhões de
pessoas e deverá representar quase 13% da população ao fim deste período.
Em 1980, existiam cerca de 16 idosos para cada 100 crianças; em 2000, essa relação
praticamente dobrou, passando para quase 30 idosos por 100 crianças.
Fonte IBGE Censo 2000
Instituto Brasil Acessível
(11) 5044-1054
Por Patricia Vilas |