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Publicado em 26/06/2008 O DESAFIADORDodge Challenger com motor V8 e potência de 425cv: uma pechincha, só que nos EUAArnaldo Keller ![]()
Foto: Divulgação Os EUA é um país diferente da gente, mesmo. Veja aí que carro zero você consegue comprar com R$65.000,00 - nada com mais de 4 cilindros - e depois compare com o que o pobrezinho do americano compra: o novo Dodge Challenger com um V8 de 425cv e mais tudo quanto é equipamento. É mole? No começo da década de 60, Lee Iacocca, então na Ford, criou um novo segmento de muito sucesso, os “Pony Cars” (pony = pônei). Ele lançou o Mustang em 1964, um carro pequeno para os padrões americanos, que em algumas versões vinha com um bom V8 - um carro divertido de guiar. A GM logo pegou seu vácuo e em 1967 lançou o Camaro, outro sucesso. Faltava a Chrysler lançar o seu pony. Ela demorou, e o Dodge Challenger só apareceu em 1970, três anos antes da primeira crise do petróleo. Com a crise, o mercado dos V8 de grande cilindrada ruiu. E agora a Chrysler volta a chegar atrasada para o banquete. O barril de petróleo está caríssimo e esse lançamento parece meio sem propósito, a não ser o retorno publicitário que o belo e potente carrão dá à marca. Enquanto o mercado norte-americano está deixando de comprar os beberrões V8 e fluindo para os Civic e Corolla da vida (a venda dos Civic, lá, aumentaram em 54%, e, curiosidade, vendem cinco vezes mais que os Fit, por eles considerados pequenos demais), a Chrysler chega com um maravilhoso pony-car com um V8 de 6,1-litros, 425 cv de potência e 58 mkgf de torque. A jóia da CoroaFaz 4,8 segundos no 0 a 100 km/h e atinge 272 km/h de máxima - um desempenho estupendo. Esses são os números do Challenger com câmbio automático de 5 marchas. Só no ano que vem chegará o câmbio mecânico, e não creio que o desempenho melhorará muito, já que os automáticos de hoje estão muito eficientes. Mas isso não é só questão de desempenho. O que interessa é o prazer de cambiar no pedal da embreagem e na alavanca de câmbio um V8 bem bruto. Esse câmbio automático tem a opção auto-shift, em que você escolhe as marchas mudando-as na alavanca de câmbio. Uma opção bem melhor que as borboletas atrás do volante e que viram com ele, caso do Civic, cujo sistema só serve para um bobo impressionar outro bobo. Borboletas atrás do volante só prestam se forem fixas à coluna de direção, tais quais as dos Ferrari e Maserati, por exemplo. Essas que viram junto com o volante nos atrapalham em curvas fechadas, quando viramos o volante mais de 90 graus, e a gente não sabe mais onde uma ou outra estão. Não confundir com o caso dos Fórmula 1, porque nesses o volante vira muito pouco de batente a batente. Por R$36.000,00 o americano comprará o Challenger básico, o “fraquinho”, com motor V6 de 250 cv, mas a versão que promete ter maior venda é o “médio” com um V8 de 5,7-litros que gera 370cv. Esse custará ao redor de R$ 50.000,00. Vejam só... 370 cv por 50 mil reais. Pode? Por R$ 15.000,00 a mais você leva a jóia da coroa, o tal SRT8 com 425 cv. Pelas minhas contas, o de 250 cv deve atingir 227 km/h e o de 370 cv 260 km/h. Isso mostra que o carro tem boa penetração aerodinâmica. Nada excepcional, somente boa, mas mostra que tiveram alguma preocupação com isso. As linhas do novo Challenger tentam ser fiéis às do antigo, e conseguem, pois elas logo nos lembram de onde vieram. A plataforma é a mesma do Chrysler 300, que é boa, e basicamente a única diferença é a distância entreeixos encurtada em 10 cm. Freios a disco da Brembo na frente e atrás lhe garantem freada de 100 km/h a zero em escassos 33 metros. São ventilados. Pneus Eagle da Goodyear. 245/45R20 na frente e 255/45R20 atrás. Os “pobres” gringosE agora vem a melhor parte, onde ele se diferencia pra valer do concorrente Mustang: ele tem suspensão independente nas 4 rodas. Ôpa! Finalmente alguém da indústria americana descobre que carro que atinge 272 km/h precisa de suspensão boa! Na traseira ele tem suspensão de multi-braços, o que lhe garante melhor aderência nas arrancadas e melhor contorno em curvas que o Mustang, que ainda usa o pesado eixo rígido, suspensão de caminhonete. Outra vantagem sobre o Mustang é o espaço para os passageiros de trás. Nele, quem vai atrás vai bem. Já no Mustang, quem vai atrás vai torto. O problema é o peso: são 1.900 kg, portanto, 260 kg a mais que o Mustang, ou seja, ele com piloto pesa tanto quanto um Mustang carregado com piloto mais três passageiros de 85 kg cada. Peso atrapalha quem quer correr. E agora o maior apelo do carro, o motor Hemi de 6,1 litros. Virabrequim forjado, pra agüentar o tranco. Bloco reforçado, com melhorias nos sistemas de refrigeração e lubrificação. Cabeçotes hemisféricos, cujo design proporciona ótima queima da mistura. Um motor que é um ícone da marca. É aspirado, não tem supercharger, nem turbo, nem nada, o que nos faz prever que os preparadores terão um prato cheio para envenenamentos dos mais cabulosos. Em breve os gringos estarão tirando mais de 600 cv desse monstro sem maiores problemas. É só esperar um pouquinho pra ver... Enquanto isso, vá vendo o que dá pra comprar aqui com R$ 65.000,00 e veja que bela máquina vem. Um pormenor importante: os “pobres” gringos pagam ao redor de 6% de impostos na compra de um carro, enquanto que nós, os “ricos” brasileiros, pagamos mais de 42 %... Abraço, Arnaldo Compartilhe: |