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UM NOVO DESIGN

Publicado em 05/06/2008

UM NOVO DESIGN

BMW cria o Projeto i, departamento destinado a estudar a fabricação de carros exclusivamente elétricos

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UM NOVO DESIGN

Arnaldo Keller

A BMW, hoje, é considerada a melhor fabricante mundial de motores a combustão. Volta e meia, um de seus motores é eleito por academias independentes de engenheiros e jornalistas especializados, como o melhor do ano. Os prêmios são como um Oscar de Hollywood; alguns poucos contestam, mas a maioria aceita e respeita. Não conheço ninguém que manje mesmo de motor que não tire o chapéu para a BMW. E sempre estão se superando, pois todo ano a marca vem com uma boa novidade. Em suma, ela, mais que ninguém, domina essa tecnologia.

E não é que a BMW criou um departamento, o “Projeto i”, destinado a estudar a fabricação de carros exclusivamente elétricos? O presidente da empresa, Norbert Reithofer, disse que estão em estudo várias alternativas de elétricos, como Rolls-Royce ou Mini – ambas pertencentes à BMW – ou a criação de uma outra marca para produzir esses carros. Bom, já que o consumidor de Rolls-Royce é o sujeito que quer silêncio, suavidade e bastante torque, o motor elétrico é o que melhor dá conta desse recado – não é a expressão “parece um motor elétrico!”, que costumamos usar quando dirigimos um carro cujo motor é muito silencioso e suave?

Quanto ao torque – os leigos ainda não sabem, mas o leitor do Superauto já sabe –, o motor elétrico disponibiliza 100% de seu torque logo de cara e vai com ele a 100% até o giro máximo; não há faixa de torque, por isso que não precisa de caixa de marchas. Nos motores a combustão mudamos as marchas para manter a rotação do motor dentro da faixa de torque, sua faixa de força. Já num motor elétrico, toda sua força – seja ela muita ou pouca – está pronta a ser despejada seja lá em que rotação estiver o motor.

ELÉTRICOS E COMBUSTÃO

E o Mini, que é para ser um carro divertido? Segundo Reithofer, hoje a tecnologia dos elétricos já oferece condições para que se faça carros elétricos que nos proporcionem prazer na guiada; e em breve, ainda mais prazer.

O primeiro objetivo é um carro elétrico para uso urbano, e num futuro próximo, segundo ele, é de termos condições de produzir os que satisfaçam às necessidades que requeiram maior autonomia.

Outra coisa interessante dita por Reithofer, é que os carros elétricos devem seguir um design diferente dos carros atuais, e o Projeto i leva isso em conta. Sem dúvida, vejamos as diferentes características entre os carros elétricos e os a combustão. Carro com motor a combustão precisa de entradas de ar para refrigeração (radiador), já que o motor a combustão transforma em calor 65% da energia consumida e só 35% em movimento. Já o elétrico não, pois ele aproveita 95% da energia transformando-a em movimento e só 5% em calor.

Num a combustão, o motor é o item mais volumoso e pesado, já num elétrico a tranqueira é a bateria, já que os motores elétricos modernos são pequenos e leves (carcaça de alumínio). Daí que onde eles são dispostos num carro é de suma importância para o seu comportamento dinâmico, o balanço. Isso muda o design. Conclui-se que os carros elétricos do futuro terão um design que ainda não está definido, e que será mais livre, pois terão menos premissas a cumprir.

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UM NOVO DESIGN

RADIADOR FALSO

Sorte que hoje estamos mais abertos a inovações. Antigamente éramos mais preconceituosos. Cito o caso do Franklin, um carro norte-americano do início do século passado, cujo motor era refrigerado a ar. O motor tinha cilindros em linha. Os cilindros eram como os de moto, com aletas para dispersão do calor, e uma ventoinha forçava ar por dutos ao longo do motor. Os primeiros modelos do Franklin não tinham a frente com a grade do radiador em primeiro plano – como era o design de todos na época –, já que, oras, ele não tinha radiador. O seu capô formava uma cunha aerodinâmica, fechada. O resultado é que o carro não vendeu porque o cliente estranhava esse design. Para o cliente, um automóvel era aquela máquina com um radiador, meio quadrado e chapado, na frente, e aquela máquina não era assim, portanto, não entrava na cabeça dele que aquilo era um carro. O que a Franklin fez pra resolver o problema? Fez um radiador falso, oco, com grade, tudo certinho, na frente de seus carros, e aí vendeu até que bem. Isso nos faz pensar em quão revolucionário foi o Fusca para a época de seu lançamento, década de 30. Ele era todo diferente; tão esquisito que acho que só foi aceito pelos alemães porque teve Goebels, o “inventor” da propaganda, como marketeiro e Hitler como garoto-propaganda.

Portanto, creio que podemos ir esperando por um design bem diferente para os automóveis do futuro, os elétricos. Nada a ver com os primeiros que estão aparecendo, como o Mégane elétrico da Renault, que por fora é igualzinho ao Mégane a gasolina – o design será diferente. Como? Não sei, mas ele terá que suprir algumas premissas básicas: 1) a bateria (ou as baterias) terá que ficar entreeixos, ou o mais próximo possível disso, para que o carro seja estável. 2) Os passageiros devem ficar entreeixos, por questão de segurança contra impactos. 3) Não serão necessárias entradas de ar para refrigeração do motor (ou motores). 4) para carros de uso urbano o design aerodinâmico não é importante; já para os de uso em estradas, sim, pois quanto melhor a aerodinâmica, menor será o consumo, maior a autonomia.

De qualquer modo, é saudável que tenhamos de queimar a cachola pra inventar coisas úteis. Quem quiser moleza, que vá para a política e deixe que o mundo se exploda.

Abraço, Arnaldo



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