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Publicado em 22/05/2008 Diversão com os clássicosPara organizar um evento, a primeira regra é criar regras e tentar ao máximo segui-las![]() Sou um cara esquisito, nem eu me entendo. Não consigo organizar minha mesa de trabalho e muito menos o porta-luvas do carro, porém consigo organizar uma boa diversão em Interlagos com cem carros clássicos. Claro que tive um “sócio” pra isso, o Eurico; sem ele eu não conseguiria. A dupla funciona. Marcamos a reunião para o último sábado de manhã no estacionamento Boulevard do Shopping Iguatemi, o de trás, que é descoberto e arborizado. Lá, a Câmara dos Dirigentes Lojistas ofereceu aos participantes um delicioso buffet de café da manhã. Tava chique e informal, descontraído, todos mostrando excitação para colocar seus adorados carros numa adorável pista. Marido coroa e esposa coroa, garotão e namorada, maluco sozinho, duplas de amigos. Legal. Para organizar um evento, a primeira regra é criar regras e tentar ao máximo segui-las, daí que tivemos que limitar a idade mínima dos carros: 30 anos. Fora isso, o carro estando original e bem cuidado, tava dentro. Entrou Alfa Romeo, Porsche, Chevette, Thunderbird, Fusca. Sem essa de só clássicos mesmo, pois a idéia era uma homenagem a todos os automóveis, desde o carrinho que levou o remediado ao trabalho, ao que levou a madame ao Shopping Iguatemi mais de 30 anos atrás. Outra coisa: só duas pessoas por carro ao entrar na pista, nenhuma delas com menos de 18 anos e todos com capacete. Essas três últimas regras, irrevogáveis. Limitamos em 80 o número de inscrições, pois esse era o número dado pela organização de pista do evento Quatro Rodas Experience (que por sinal vai até o domingo, 25 de maio). Em poucos dias recebemos 106 inscrições. Problema. Na sexta-feira à tarde, corri a Interlagos e pedi penico para mais 20, pois sabia que sempre tem gente que falha e dos 106 iriam 100 no máximo. Lábia, lábia; deixei o meu na reta, como responsável, consegui. Voltei correndo e alegremente confirmei por e-mail os 26 que estavam esperando. Beleza. Ansiedade antes de dormir. Será que vai dar tudo certo? Será que teremos contratempos? Será que fará sol mesmo, como afirmam os sites de meteorologia? Será que muita gente deixará de ir? Isso tudo nos passa pela cabeça amparada pelo travesseiro, até que vem o abençoado sono, o travesseiro está gostoso e a gente dorme. A saídaÀs 8:15 da manhã já começaram a chegar os carros ao Shopping. Jaguar, Opala, Galaxie, Porsche, Alfa... Às 9:30 começou o chorrilho de carros chegando, um atrás do outro, muitos vindos em grupos, como os do Auto Union DKW Club, que provavelmente marcaram ponto de encontro “nalgum” lugar e vieram juntos, representando com fidelidade a marca. Oito DKW, sendo 6 sedans e dois Puma DKW GT, os primeiros Puma que tinham motor DKW. Eles vêm roncando o som ardido dos motores 2 tempos, chamam a atenção. Estacionam alinhados, todos impecáveis. Nada melhor que os clubes para preservar uma marca; os fiéis sócios garantem sua história. As fábricas dão apoio, não todo o apoio que os clubes merecem, mas dão. Exatamente como planejado, saímos às 10:30 em direção a Interlagos. Não havia CET nem batedores para nos aporrinhar e fomos livres. Até o autódromo fui com o Fusca Cabriolet azul-marinho, 1960, que o André - o nosso já conhecido “André Fole”, o peito-de-aço - emprestou para as minhas filhas “pilotarem” na pista. Ele foi com a esposa, de Thunderbird vermelho, 1956, todo estiloso. ![]() No AutódromoEntramos no autódromo pelo Portão 9, o do kartódromo, e dali entramos no Antigo Retão, onde organizamos na frente os que queriam andar mais rápido e atrás os que só queriam passear. O Marcelo, piloto da Escola de Pilotagem Roberto Manzini, veio com o pace-car e puxou a fila. Apesar dos protestos de alguns, é necessário o raio do pace-car, porquê tem um bocado de gente que se empolga e pira, e se transforma feito lobisomem em lua cheia assim que entra na pista. Confesso que sou um desses. Isso está no sangue e não tem jeito. Acontece o mesmo com um cavalo do Jockey quando entra na raia, o mesmo com um lutador quando sobe no ringue, um jogador quando senta à mesa de bacará, um surfista quando entra em mar bom - alguma coisa acontece com a gente que todos nossos sistemas se ligam, todas as luzes se acendem e a gente quer é mais. O Eurico pilotou um Porsche 914 me levando de carona - por sinal, o Eurico é ótimo piloto e é realmente muito bom andar ao lado de quem sabe - e sem a capota, pra eu poder olhar melhor para trás e xingar meus amigos que queriam nos passar e sair babando, fomos atrás do pace-car para ajudar a controlar a coisa. O Marcelo foi camarada e andou o mais rápido possível, dentro do limite de segurança, e assim todo mundo se divertiu por meia hora nessa deliciosa pista. Enchemos a pista com noventa e tantos ou cento e poucos carros (acabei perdendo a conta), como uma cobra mordendo o próprio rabo. Foram 5 Porsche, dentre os 911 e os 356, um histórico e original Karmann-Ghia Dacon que foi do José Carlos Pace, piloto que deu seu nome ao autódromo, uma esplêndida réplica de Jaguar C-type feita na Inglaterra, mais outros dois Jaguar sedans, 8 DKW, 6 Fusca, vários Opala, 15 Mercedes-Benz, 10 Alfa Romeo, vários Impala, 4 Thunderbird, um Cadillac Eldorado, um Ferrari Dino, um Ford 1929, um Belair 1957, 4 Galaxie, um Chevette, um Opel GT, um Maverick GT, Austin 1951, Chevrolet cupê 1946...em suma, a pista ficou linda e todo o mundo se divertiu. Estacionamos num local reservado e todos entraram a pé na área dos boxes para aproveitar o evento Quatro Rodas Experience. Ufa!!! Deu tudo certo. Nenhum carro encrencou e nem bateu e todo o mundo deu risada. Só um doido como eu pra inventar uma dessas. Ainda bem que existem mais doidos para inventar outras. Afinal, carro antigo é pra isso, é pra nos proporcionar bons momentos, e não pra ficar mofando na garagem. O Eurico e eu agradecemos a todos que participaram, ao Shopping Iguatemi e a Quatro Rodas Experience. Façam e promovam diversões assim. Tem um monte de gente legal querendo participar. Abraço, Arnaldo Leia mais Compartilhe: |