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Honda New Civic Flex

Publicado em 08/05/2008

Honda New Civic Flex

Vamos começar da conclusão: um excelente carro.

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Honda New Civic Flex

Arnaldo Keller

Bom isolamento acústico - ao fecharmos as portas e vidros -, a barulheira fica lá fora. Boa climatização - o ar-condicionado automático é silencioso, mantém a temperatura que desejamos e não o sentimos roubar potência do motor. Ligado ou desligado o carro responde igual.

Boa ergonomia - o ajuste manual da posição do banco proporciona conforto ao dirigir. Ele sobe, desce, reclina, vai-e-vem. O volante tem regulagem de altura e distância, o que nos permite posicioná-lo corretamente, e o temos sempre à mão.

Excelente suspensão - a traseira, com multibraços, trabalha que é uma beleza. Mantém os pneus traseiros sempre no chão, acompanhando os piores pisos, o que dá bastante segurança. A dianteira - McPherson - reage rápido e a frente vai decidida onde apontamos.

Em termos de suspensão não fica atrás dos melhores sedans de tração dianteira importados, tipo o Alfa 156 ou Mini Cooper. Ela consegue ser macia e firme ao mesmo tempo. Macia a ponto da sogra metida a grã-fina não reclamar e firme o bastante para uma tocada esportiva bem forte. Pouco rola em curvas e vai agarradinho, dando aos pneus as melhores condições para boa aderência. No caso, pneus Goodyear. No limite, escorrega com as quatro. E é um carro camarada, pois ele avisa com certa antecedência que vai escorregar; não nos surpreende, desde que saibamos o que estamos fazendo.

Motor

Excelente motor - muito moderno e elástico. Tem comando de válvulas variável, ou seja, quando está em baixas rotações, o comando que atua é a parte do comando cujo formato oferece mais torque nessa faixa de rotação. Apesar de 17 mkgf de torque não ser um assombro, esse torque está disponível logo de cara. Com isso, sentimos o carro leve, que arranca rápido. Ao passar de certa rotação, o comando corre longitudinalmente e é sua outra parte que passa a atuar, e essa tem formas que mudam a atuação das válvulas, seu tempo de abertura, o que permite que a rotação vá lá pra cima, além dos 6.500 rpm, ganhando potência. Chega a produzir 140 cv de máxima, o que o leva mais de 200 km/h (não divulgado pela fábrica). Parece motor elétrico de tão silencioso e suave. Está aí a prova de que motor com 4 válvulas por cilindro pode ser elástico. É pura bobagem que os de duas são mais elásticos.

Excelente câmbio automático - o automático tem 5 marchas -. está bem escalonado e suas trocas são suaves, quase imperceptíveis. A 5ª marcha é bastante longa; a 120 km/h o giro está em 2.400 rpm, portanto, giro bem baixo, o que torna o carro silencioso e econômico. Isso é um dos frutos do tal comando de válvulas variável, que cria condições para que o motor produza boa potência em baixo giro. Em boa estrada toquei um trecho a 160 km/h e, pelo visto, eu e o carro poderíamos seguir assim até acabar o álcool do tanque. Tudo muito estável, silencioso e tranqüilo a essa velocidade, pois o giro ainda ia baixo, ao redor das 3.300 rpm. Um excelente carro para longas viagens. A 120 km/h o computador de bordo acusava consumo de 10,2 km por litro de álcool.

Na prática

Alavanquinhas atrás do volante para troca de marchas - são divertidas, mas perfeitamente dispensáveis, logo enjoam. Coisa de menino mimado que quer imitar a Fórmula 1. Além do mais, o câmbio “filtra” nosso comando e só troca a marcha se ele achar que deve, ou as troca sem que peçamos. Numa pista faço o mesmo tempo, tanto com o automático quanto com o seqüencial. Em curvas de baixa e de ângulo fechado, quando temos que virar o volante mais de 120 graus, a gente não sabe mais onde estão as tais “brabuletas” e causa uma embananação. Melhor seria uma alavanca no console central.

Freia bem pacas. Sempre alinhado e seguro, com pouco “afocinhamento”, ou seja, a frente baixa pouco ao deslocar o peso adiante. Isso é resultado de bom trabalho de suspensão.

Excelente controle automático de velocidade - de fácil acionamento no raio direito do volante, ele mantém com precisão nipônica a velocidade programada.

Bom espaço interno - cinco pessoas vão numa boa e podem conversar em tom baixo -, o assoalho traseiro é praticamente plano.

Bom sistema de som - tem a opção de controle das estações e do volume no raio esquerdo do volante.

Monte de caixinhas, porta-trecos, porta-copos. Tem lugar pra tudo, celular, maço de cigarros, chaves, moedas etc. Não tem acendedor de cigarros nem cinzeiro, o que considero perseguição.

Design moderno e agradável - isso é opinião pessoal, mas não há como negar que tem boas linhas.

Os defeitos

Se eu comprasse um New Civic, a primeira coisa que faria seria desligar os avisos de “bip, bip” pra um monte de coisas que faço errado: andar um pouquinho antes de atar o cinto de segurança, desligar a chave sem desligar os faróis, abrir a porta sem tirar a chave do cubo. Isso me irrita. O carro fica me controlando pra eu não fazer besteira. Oras! Deixe-me em paz.

Porta-malas relativamente pequeno. Com quatro ou cinco pessoas devemos cuidar para que não haja mais malas que volume de porta-malas.

Alavanca de freio de mão incomoda o joelho. Ela está posicionada mais adiante, o que é bom, porque entre os bancos agora tem uma caixinha bem grandinha. Mas acontece que a alavanca fica do lado do motorista e ao dirigirmos ela fica cutucando nosso joelho. Como não gosto de nada me cutucando, acho isso defeito. Ela bem que poderia ficar do lado do passageiro. Além do mais, a alavanca de marchas fica deslocada mais para perto do passageiro do que do motorista, tanto para o câmbio manual quanto para o automático. Bastava que invertessem as posições.

A visibilidade a 3/4 é bastante prejudicada pela coluna A, a que separa o pára-brisa da janela lateral. Isso é muito ruim ao dobrarmos esquinas, pois não enxergamos a contento, o que nos obriga a deslocarmos a cabeça pra lá e pra cá procurando ângulos de visão. E também quase atropelo uma moça que atravessava na faixa branca. Era noite e eu era o primeiro da fila esperando que abrisse o farol. O farol abriu e fui saindo, na boa, devagar, e não vi que à minha esquerda vinha vindo uma moça. Minha filha, que estava ao meu lado é que me avisou, pois ela via e eu não, porque para mim a moça estava “escondida” atrás dessa tal coluna A. A Meriva e outros carros com esse tipo de coluna muito inclinada e volumosa também têm esse defeito. Falta de boa visão incomoda e exige atenção redobrada.

Fora esses pequenos defeitos é um carro excelente, como já disse no começo. É um produto honesto, que mostra a seriedade da marca. Não é à toa que é um sucesso de vendas.

Abraço, Arnaldo



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