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Publicado em 01/05/2008

DODGE RAM SRT-10

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Dodge Ram SRT 10

Arnaldo Keller

Era este último sábado, cedo. Abriu o farol da travessa que vem da av. Pamplona e cruza com a av. Brasil, o André engatou a 1ª marcha e começou a entrar na Brasil, à esquerda. Um pouco antes de passarmos o canteiro central, com o volante esterçado para a esquerda, ele acelerou forte naquele asfalto lisinho e o motor V-10, igual ao do Viper, urrou como um urso. A picape soltou a traseira fazendo um arco perfeito e alinhou com a avenida. Assim que alinhou, tracionou firme e saltou adiante, trazendo tudo que havia à nossa frente de modo tão rápido que parecia uma cena onde a câmera dá um zoom rápido.

Primeira marcha, segunda marcha... aquele troço não parava de acelerar feito um rojão e minhas tripas já iam subindo pela garganta. Mamma mia! Sorte minha que já estou acostumado a andar ao lado do André e confio no maluco, senão eu acharia que tinha chegado a minha hora. É muita potência pra ficar em mãos inexperientes. Com uma máquina alucinante dessas a adrenalina sobe e se o sujeito não for inteligente e souber controlar a si e a máquina, se estrepa.

E ela é alta pra chuchu. A capota está a 1,88 metros de altura, daí que nos sentimos como se estivéssemos ao lado do Mr. Bean naquele filme em que ele coloca uma poltrona na capota do seu Mini e dirige de lá de cima com cordas e cabo de vassoura. A gente estranha no começo.

Performance

Mas ali, na av. Brasil, nem dá pra esticar metade da 2ª marcha sem irmos em cana, então resolvemos achar um lugar mais decente. No meio do caminho, com o André ainda guiando, notei que ele estava incorporando a enorme potência do motor Viper de 500 cv e 72 mkgf de torque que tinha sob seu comando, e ele veio me contar que os cães da raça Bulldog - dos quais ele tem uma cadela toda dengosa e que adora que cocemos sua barriguinha, quando fica fungando em êxtase -, matam búfalos. Matar búfalos?, a Vivi, ou Lili, sei lá o nome, mas sei que é nome de donzela, matando búfalos? Bom, deixei essa passar, mas após outras aceleradas ele se animou ainda mais e veio me contar que uma vez apagou um incêndio a sopros do peito num motor V8 de um Hot-Rod. “Meu chapa! - exclamei - Assoprando?!!”, “Pois é, Naldão, eu não tinha nada pra apagar aquele troço e comecei a assoprar desesperado e acabei apagando o fogo.” E ele virou o rosto de lado e me olhou sério, olhos nos olhos...

Achei melhor não o contrariar até que eu estivesse ao volante. Vai saber... Então paramos e trocamos de lugar. Botamos os cintos e saímos. O André Fole, agora devidamente apelidado em alusão à sua capacidade torácica, me avisou que os freios, contrariamente ao que costumam ser os das picapes americanas, estancam forte; que era pra eu experimentá-los antes de precisar deles. Realmente, ela freia forte e bem. Toda ela foi corretamente preparada pela Dodge para receber um dos motores mais fortes que há no mercado. Ela é firme, a carroceria apresenta pouco rolling, oscilação vertical para os lados, e isso é bom, porque devido à altura essa oscilação seria incômoda.

Excelente trabalho na suspensão, porque a danada faz curva direitinho, desde que o asfalto seja liso, sem rugas, porque senão o eixo traseiro - rígido e pesado, com um diferencial reforçado -, pula, quica. Isso é o normal dos carros americanos, e, como lá nos EUA o asfalto é bom, não há problema algum. Já aqui, basta escolhermos onde andar rápido que ela se mostra muito estável.

O volante é rápido, reage rápido e a carroceria acompanha com agilidade impressionante. A alavanca de câmbio Hurst tem curso curto e justo, e é bruta como tem que ser. Ela aciona uma caixa Tremec T56, a mesma do Viper, com algumas modificações, possivelmente reforços, já que temos 72 mkgf de torque para forçar suas engrenagens de encontro a um peso muito maior que o esportivo. São seis marchas. Primeira até que curta para o tremendo motor, e não deve passar de uns 60 km/h, e as subseqüentes estão muito bem escalonadas. Em 6ª marcha, e a 100 km/h, o giro está abaixo das 1.800 rpm, e mesmo assim o motor reage forte quando aceleramos. É simplesmente impressionante.

Motor

O motor é um V10 a 90 graus, com bloco de alumínio e cilindrada monstro de 8.300 cm³. Tem o funcionamento deliciosamente suave, com marcha lenta ao redor de 700 rpm, e andando devagar é tão dócil e silencioso que poderia equipar um Cadillac. Mas basta uma cutucada que vem uma tremenda explosão de energia. A energia é tanta que é capaz de acelerar os 2.300 kg da picape a 100 km/h em apenas 5.2 segundos e levá-los a 248 km/h de final, apesar dessa frente enorme e chapada, que não nos permite dizer que tenha “penetração” aerodinâmica, mas sim “arrombamento” aerodinâmico. Faz o quarto de milha em 13,8 segundos.

Vale lembrar que as primeiras SRT-10 tinham o mesmo bloco do esportivo Viper, porém o motor era preparado para ter mais torque. Já este é a nova versão que vem com a exata preparação do esportivo e está se mostrando muito mais eficiente, daí que ela ficou mais veloz. Já que tem velocidade maior, ela agora vem com um bom spoiler na dianteira para diminuir o ar que passa por baixo e assim ela fica com a frente mais firme em alta velocidade. Na traseira colocaram um aerofólio, que além de firmar a traseira no chão, melhora a penetração aerodinâmica.

Rodas de 22 polegadas e outros apetrechos a deixam bonita e eficiente. O pessoal da Dodge deixa aos mais animados muita margem para maiores preparações, já que um motor enorme desses com pouquíssima coisa passa fácil dos 800 cv, mas isso não seria razoável, não é? Bastam quinhentinhos...

P.S. O André me passou um link da associação dos buldogueiros onde diz que esse cachorro no século passado matava boi na Inglaterra, numa luta organizada por uns sangüinários e que depois foi proibida. Mas boi não é búfalo! E o Jean, sócio do André na loja de carros fora de série Prestige Motors, disse que estava junto com ele quando ele assoprou mais que o lobo dos Três Porquinhos e apagou o fogo do Hot, portanto, se o André tossir, caiam fora da frente dele...

Agradecimentos à Prestige Motors: esquina da Estados Unidos com a Campinas.

(11) 3887.7400.

Abraço, Arnaldo



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