Preparação de fusca

Publicado em 10/04/2008

Preparação de fusca

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Fusca

Arnaldo Keller

Sempre estão me escrevendo querendo saber como se prepara um motor a ar de Fusca, e é bastante gente. Fico contente com isso, pois assim desconfio que não sou louco ou, se sou, tenho um monte de companheiros que me entendem. Nesta edição, algumas recomendações fornecidas por um dos maiores especialistas do Brasil, o Amador.

1600 Nível 2. Este já é forte

Um Fusca com 100 cavalos, pode estar certo, anda pra burro. É uma relação peso:potência de 8:1, o equivalente a um carro médio com 160 cavalos, portanto, nada mal. Já se pode esperar uma arrancada que faça o 0 a 100 km/h na casa dos 10 seg. Vamos a ele.

Receita

  1. Aliviar o volante em mais ou menos 30% do seu peso original, portanto, dos 7,8 kg baixar para 5,5 kg. Veja bem, não é necessária a exatidão nessa aliviada, há uma tolerância de mais ou menos 200 gramas.
  2. Balancear o conjunto.
  3. Trocar o comando de válvulas por um de 285º. Os comandos americanos da Engle são os ideais. Deixar o levante de válvulas com 12 mm.
  4. Usar cabeçotes da Brasília antiga, ou seja, do motor 1600 fabricado até o ano de 1984 (os de 1985 em diante são diferentes). Este cabeçote é mais reforçado. Usinar dutos, manter as válvulas originais e aumentar a taxa de compressão para 8,5:1.
  5. Usar molas duplas de válvulas, americanas, da Engle. Isso é necessário pois o motor atingirá rotações mais altas e, por conseguinte, as molas trabalharão mais rápido. Regular a pressão das molas da seguinte forma: Pressão inicial, de 90 a 110 libras. Pressão final, de 220 a 230 libras. As oficinas de retífica têm a máquina que mede essa pressão.
  6. Usar kit de carburação Weber 40 IBF. O kit consiste em: dois carburadores Weber 40 IBF duplos, dois coletores, dois filtros a seco, um kit de acelerador.
  7. Transformar o distribuidor original, que é a vácuo, em centrífugo. A Mecânica Milani, de São Paulo, faz o serviço.
  8. Usar a ignição transistorizada do Fusca Itamar, o Fusca fabricado a partir de 1993.
  9. Usar a carcaça da ventoinha moderna, da Kombi ou Fusca Itamar, pois ela tem o radiador de óleo deslocado e refrigera melhor o motor, principalmente os dois cilindros da esquerda, de quem olha ao abrir, do capô.
  10. Manter as polias da ventoinha originais. Mudá-las altera a velocidade de rotação da ventoinha, piorando a refrigeração.

1600 Nível 3. Este já é um canhãozinho

Agora já partimos para uns 120 cv, uma potência específica de 75 cv/litro (120cv:1,6litro = 75cv/litro), e isso já é um ótimo aproveitamento para um motor que originalmente vem com potência específica de 40 cv/litro (65cv:1,6litro = 40,6 cv/litro). Estamos praticamente dobrando a potência específica do motor.

Um Fusca com 120 cv tem uma relação peso:potência equivalente a um carro médio com 200 cv. Com esse motor vamos buscar o 0 a 100 km/h em algo em torno de uns 8 seg., ou, possivelmente, em 7 seg.. Com este motor já começamos a morder cachorros grandes. Tendo o câmbio certo (vide “Relação de marchas”), o Fusca vai buscar os 170 km/h de velocidade máxima. Para buscar essa velocidade, vide “Suspensão”, senão, é querer encrenca da grossa e estrelar nos “Vídeos Incríveis” com um acidente espetacular.

Receita

  1. Comando de 300o, ou 312o (são muito semelhantes, o resultado é praticamente o mesmo) e com levante de válvulas de 12 mm. Recomendamos o comando americano da Engle.
  2. Usar kit de camisa e pistão do 1600 moderno a álcool.
  3. Usar cabeçotes do 1600 fabricado até o ano de 1984, tal qual recomendamos para o 1600 Nível 2.
  4. Tornear as camisas (do moderno a álcool) para que encaixem no cabeçote antigo. Para isso é necessário retirar algumas aletas de refrigeração.
  5. Trocar as válvulas de admissão. Saem as originais de 36 mm e entram as de 40 mm.
  6. Usinar dutos dos cabeçotes.
  7. Aumentar taxa de compressão para 9,5:1.
  8. Fazer câmaras de combustão especiais. Isso é feito nos cabeçotes. Melhora o enchimento da câmara e elimina pontos quentes. Todo esse trabalho nos cabeçotes é importante e requer trabalho cuidadoso de quem entende. Recomendamos a Paula Faria. Informar a ela toda a preparação que será feita e o combustível a ser usado, para que faça os cabeçotes de acordo.
  9. Trocar as oito varetas de válvulas por varetas mais longas e de aço. Elas terão que ser cortadas em nova medida, pois o novo conjunto formado de camisas e cabeçotes não tem similar de fábrica (camisa para álcool e cabeçote para gasolina), o que requer uma medida especial para cada motor, e é feita durante a montagem do motor. Recomendamos a Power Amador.

Oficina do Amador: (11) 5667-3412

Abraço, Arnaldo

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