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Publicado em 20/03/2008 Fórmula 1 volta a ser um campeonato de pilotosUfa! Finalmente a Fórmula 1 voltou às origens: um campeonato mundial que coroa o melhor piloto![]() Nos últimos anos, os recursos tecnológicos atingiram um tal nível que já não se sabia mais se o piloto era bom mesmo ou se ele andava na frente devido somente à superioridade do seu carro. Sinceramente, eu tinha lá minhas dúvidas quanto à tão comentada genialidade do Lewis Hamilton. Os recursos do carro eram tantos, que ele podia ser um garoto genial em Playstation e não um piloto de verdade. Na Austrália, ele começou a me provar que é um ótimo piloto, mesmo. Isso porque este ano foi banido o controle de tração, e isso implica que volta ao cargo do piloto atitudes antes tomadas pelo computador de bordo - justamente atitudes que definem o nível do piloto. O controle de tração atua como o inverso do freio ABS. Todos sabemos que o ABS não deixa as rodas travarem; quando o ABS percebe que o pneu começa a arrastar, ele solta o freio um pouquinho, isso porque, se pneus travarem, o carro freará menos. No caso dos freios, além de frear menos, com os pneus travados perdemos a direção; não adianta virar o volante se os pneus dianteiros não rodarem. De qualquer modo, tanto o controle de tração quanto o ABS são controles de potência. Explico: se temos que aplicar potência para aumentarmos a velocidade de um carro, também temos que aplicar potência para diminuir a velocidade. Se precisamos de 300 cv para acelerarmos um Cobra do 0 a 100 km/h em 6 seg., também precisamos aplicar 300 cv nos freios, se quisermos pará-lo nos mesmos 6 seg. Em ambos os casos, o melhor desempenho é atingido quando aplicamos o máximo de potência possível, sem que os pneus percam o atrito estático. Deficiência em massaNuma arrancada, ou saída de curva, o piloto, agora volto à Fórmula 1, deve saber dosar o máximo de potência que ele pode despejar nos pneus. Se ele acelerar um ‘téco’ além do máximo, a “porca espana”, ou seja, os pneus tracionantes (na F1, os traseiros) perdem o atrito estático, perdem aderência, e o carro solta a traseira. Foi o caso do Massa logo nas primeiras voltas deste GP: ele acelerou além da conta, a traseira soltou e ele entrou de bico nos pneus de proteção. Se a Ferrari ainda tivesse o controle de tração, tal não aconteceria, pois o computador cortaria a ignição de algumas velas, diminuindo a potência para o máximo aceitável, e o carro seguiria certinho, bonitinho. Portanto: erro do Massa. Deficiência do Massa que seria mascarada pelo antigo controle de tração. A F1 do ano passado estava tão baseada nesse raio desse controle - que é ótimo para os carros de rua, já que dá segurança ao motorista comum, ou desatento -, que os F1 estavam com somente 1 cm de curso do pedal de acelerador, ou seja, o piloto já não dosava o acelerador, ele praticamente acelerava como se usasse uma chave on/off, tudo ou nada; o computador é quem dosava, e, claro que o danado dosava certinho, melhor do que qualquer Ayrton Senna ou Jim Clark. Mesmo na chuva, quando bem sabemos que acelerar demais ferra tudo, o piloto de F1 podia acelerar no talo logo após tirar o pé do freio. Hoje, sem o tal controle, se dosarem uma pequena aceleradinha a mais nas saídas de curva, provocam uma pequena escorregada, que não chega a causar a perda de controle do carro. Mas essas rabeadinhas desgastam os pneus traseiros. Esse desgaste também era evitado pelo controle de tração, daí que os pneus traseiros duravam mais do que durarão neste ano. Um piloto sensível poupará mais os pneus que um abrutalhado. O abrutalhado logo sofrerá com pneus se desgastando antes do ideal, antes do melhor momento para a troca. A hora da verdadeO controle de tração atuava como um tradutor inteligente traduzindo o que um presidente da república ignorante e ‘meio-alto’ fala a uma autoridade estrangeira. — Mas a senhora, hem?, querida Presidenta da Babilônia, a senhora engordou que parece uma vaca holandesa! E o tradutor traduz assim: — Cara senhora Presidente da Babilônia, quanto prazer em revê-la. A senhora cada vez mais jovem, mais radiante e elegante! O resultado dessa pequena mudança nas regras da F1, foi essa ótima corrida na Austrália. Sobraram somente sete na pista. O resto se esborrachou por aí, mostrando o quão ridiculamente abrutalhados estavam. Podiam ser brutos porque tinham quem controlasse seus excessos. Não precisavam se refinar. E agora sim. Agora chegou a hora da verdade. Pilotos experientes, realmente bons e refinados, como o Rubinho, o Kubica, o Coulthard, irão mostrar o seu real valor e subirão bastante de posição. Previsões para campeonato? Ainda é cedo, mas parece que a McLaren continua a melhor, com a Ferrari logo atrás, e a BMW chegando para a briga. Estou voltando a ter prazer em assistir as corridas de Fórmula 1. Chega de campeões de araque. Abraço, Leia mais
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