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Publicado em 31/01/2008 Israel aprova projeto da “Better Place”Renault/Nissan Farão a produção em massa de carros elétricosHá cerca de um ano o presidente da Better Place, uma organização que visa difundir o carro elétrico pelo mundo, teve uma reunião com o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert. Propôs a ele seu projeto para introduzir massivamente veículos elétricos no país. Disse que já havia tecnologia para isso. Inteligentemente, já que Israel não pode se dar ao luxo de colocar dirigente burro pra comandar o país, o primeiro-ministro lhe deu as orientações: “1- Arrume o dinheiro para financiar isso, porque nosso Estado não se mete a empresário. 2 - Arrume um fabricante dentre os grandes e sérios que tope a parada. Se conseguir isso, nós topamos”. A Better Place conseguiu a grana e também convenceu o presidente da Renault/Nissan, o brasileiro Carlos Ghson, a encarar o desafio. Israel cumpriu o prometido e no último dia 21 assinaram o protocolo de intenções para dar execução ao projeto. Há alguns anos que Israel vem incentivando o uso de energias alternativas, financiando pesquisas, dando incentivos fiscais etc, e este projeto parece que lhes veio bem a calhar. Uma: baixam a poluição urbana. Duas: fazem a sua parte no combate ao aquecimento global. Três: vão se livrando da incômoda dependência externa de compra de petróleo cada vez mais caro e proveniente de países digamos “temperamentais” como Venezuela, Irã, Iraque. Quatro: (esta é suposição minha) é estrategicamente interessante, pois armam uma encrenca para seus inimigos árabes, cujas economias estão totalmente dependentes das exportações de petróleo. Não que Israel seja um grande comprador, mas se o projeto der certo como parece que vai dar será uma importantíssima experiência a ser seguida pelo resto do mundo. Se muita gente for atrás, caem as exportações ou ao menos o preço do petróleo, o que complicaria a vida dos inimigos de Israel. ![]()
Celular TijolãoO Estado de Israel entra baixando bastante os impostos que incidem sobre os automóveis que lá carregam 90% de impostos embutidos, desde que ele seja totalmente elétrico. Essa isenção fiscal visa tornar o preço do carro atraente comparado ao a gasolina ou diesel e vai até 2019. A Renault/Nissan entra produzindo os carros elétricos. Até agora não há notícias sobre onde os carros serão fabricados. A Better Place entra organizando tudo e montando a rede de abastecimento de energia elétrica que dizem que terá 500 mil pontos de carga. Dos três envolvidos no empreendimento já sabemos da seriedade de dois. Resta saber sobre o Projeto Better Place. É uma empresa de capital de risco que dentre os sócios, tem empresas como o banco Morgan Stanley e a holding Israel Corporation. De qualquer modo, nem o Estado de Israel, nem a Renault/Nissan iriam arrumar sócio trapalhão, portanto essa Better Place certamente é das boas. A Nissan já fez uma parceria com a NEC e já tem a tecnologia para produzir em larga escala as baterias de íon-lítio. Essas baterias são recicláveis, portanto pouco poluentes e darão uma autonomia de 200 km aos carros. Os carros terão desempenho similar aos de 1,6 litros de cilindrada, portanto desempenho de um carro de uns 100 cv. Ainda não está bem explicado, apesar de eu buscar notícias a respeito, mas parece que a compra da bateria é separada da compra do carro. A bateria seria só um meio de lhe venderem a energia. Isso tira do comprador a cisma de que a bateria não vá agüentar um grande número de recargas, e por ser cara implique num gasto pesado de uma hora pra outra, se for necessária sua troca. A expectativa é que durem no mínimo três anos. É bem interessante esse sistema, pois como se prevê um grande desenvolvimento no desempenho das novas baterias que virão o usuário ficará sempre atualizado. O leitor lembra do celular tijolão cuja bateria não agüentava nada? Compare-a com as atuais. Energia Solar ou Nuclear?As baterias de nossos carros são praticamente iguais às da década de 30. Não houve desenvolvimento nesses últimos 70 anos simplesmente porque elas bastam, dão conta do recado. A indústria então acomodou-se. O desenvolvimento proveio da necessidade de melhores baterias para os novos aparelhos eletrônicos que surgiram, como o laptop, o telefone celular etc. Os motores elétricos por sua vez evoluíram e estão muito eficientes. 95% da energia que consomem são transformados em movimento e só 5% vira calor, que é facilmente dissipado. Os a gasolina só transformam 35% da energia do combustível em movimento, e isso os mais modernos e na sua melhor rotação. Fora da rpm ideal sua eficiência gira em torno de 20%, portanto 80% transforma-se em calor. Isso é coisa de ogro. A necessidade é a mãe da criação. Agora o bicho está pegando. Nossa camada atmosférica está esquentando e a natureza ameaça se vingar. Em cem anos detonamos sem parcimônia metade do petróleo que levou milhões de anos sendo armazenado no subsolo e jogamos tudo isso no ar. Soltamos em uníssono, um tremendo pum na sala, o ar está irrespirável e não dá mais pra disfarçar como o Bush tentou botando a culpa no cachorro, porque não tem cachorro na sala só o homem. E de onde virá a energia elétrica de Israel para abastecer esses carros? O projeto fala em energia solar e, cá eu imagino, nuclear. A nuclear hoje está mais bem vista, porque não polui, desde que bem explorada. E agora Israel será um valoroso palco dessa fantástica experiência que juntará o que há de mais avançado tecnologicamente e creio que será muito bem-sucedida, muito melhor do que alguns gostariam. Parabéns aos três. Pessoal peitudo. Arnaldo Keller Leia mais
24/01/2008 |