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Na primeira matéria sobre Chevette
envenenado citei o caso do amigo Eber Botteon de Lima. Ele adaptou o motor AP 2000 do
Santana em seu Chevettinho e, não contente com o aumento da potência, turbinou o
coitado. Por que? Oras, porque o Eber assim como muitos outros que entendem do assunto,
dá preferência ao traseiro turbinado... Tração traseira! Caramba! Estou falando de
automóveis!
Pra que essa trabalheira toda? Transplantar motores?
Para ter a melhor performance nas arrancadas e curvas que os autos de tração
traseira proporcionam sobre os dianteiros. E, também porque o motor do Chevettinho tem
limites estruturais que são facilmente superados pelo AP da Volks.
E porque turbinar?
Bom, o Eber antes de turbiná-lo mantinha um motor AP aspirado bastante forte. Álcool,
carburação Weber 44, comando bravo e mais um monte de parafernálias envenenantes.
Conclusão: consumo muito elevado, 4 km/l. Como o Eber mora em Pirassununga, 200 km de SP,
e sempre vai a Santo André, cinqüenta litros de álcool por viagem enervavam-no.
Resolveu-se portanto turbiná-lo. Baixou a taxa de compressão, trocou a carburação,
comando de válvulas...
Dessa maneira, Eber tem um carro relativamente manso e econômico no dia-a-dia e quando
baixa o capeta, tem respostas bastante estúpidas de seu brinquedo de 490
cavalos contados pelo dinamômetro.
Mas, como foi feita essa adaptação? O segredo está na flange. Essa flange é uma emenda
de mais ou menos uma polegada de espessura que tem a furação do motor AP de um lado e
furação da caixa seca da embreagem do Chevette do outro. Assim sendo, retira-se o motor
do Chevette, parafusa-se a flange na caixa seca e nela parafusa-se o motor AP. Ok? O Eber
(19-3562.7819) tem todos os componentes dessa adaptação que, além da flange são
neces-sárias a troca da tampa do cárter, para não raspar na suspensão, suporte do
motor e outros pequenos detalhes. Este kit o Eber vende a R$ 350,00 e, além do kit, é
necessária a troca da bomba de óleo pela do Escort 1.8 AP, também passa-se a usar o
radiador do Chevette que vinha com ar-condicionado, por este ter sistema de cebolinha que
acionará a ventoinha, agora elétrica, do radiador.
Em suma, são necessárias trocas de 18 itens. À primeira vista assusta um pouco mas,
acompanho a história deste Chevettinho vermelho e, até agora só assustei mesmo foi com
a performance do diabinho. O Eber domina perfeitamente esta adaptação e pode fazê-la ou
orientar os realmente interessados. Mesmo que não haja interesse na preparação do novo
motor, essa substituição dará um enorme ganho em torque (força) e potência ao seu
traseiro e, com facilidade serão deixados pra trás os que antes iam a sua frente. Os 70
cavalos anteriores pularão para 116, o que representa 60% de ganho, nada mal. Preparar o
motor original do Chevette de maneira que obtenha esse mesmo ganho certamente lhe custará
mais e, você ficará com um motor que estará sendo mais forçado do que o planejado pela
fabrica, ao passo que o AP estará rendendo isso tudo com mais naturalidade,
além de oferecer mais recursos de envenenamento.
Devido ao reduzido peso, a nova potência de 116 cv e a tração traseira, o Chevette AP
sem preparações, proporcionará arrancadas de 0 a 100 km/h na casa dos 8 segundos e já
que houve um grande aumento do torque, a troca da coroa e pinhão do diferencial pelos do
Chevette automático, que dão uma relação mais longa, será bem-vinda, todas as marchas
ficarão mais longas, proporcionando menos trocas de marchas no dia-a-dia, maior conforto
e economia na estrada e maior velocidade final.
Maiores detalhes dessa adaptação não pretendo passar-lhes pois, como o nosso amigo Eber
é um preparador de automóveis, vive disso e batalhou para fazer uma adaptação
perfeita, não me cabe passar dicas suas que outros preparadores possam aproveitar.
Portanto peço que entendam e caso tenham interesse, contatem-no.

Por Arnaldo Keller - Consultoria técnica: Fábio Grecco
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