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Publicado em 29/11/2007 COMPETIÇÕES AUTOMOBILÍSTICAS UNIVERSITÁRIAS
Nada melhor para um estudante de engenhariaautomobilística do que colar num professor e, junto com seus colegas, desenvolver um carro de competição. O bicho pega. Eles têm que fazer o melhor carro possível dentro de uma verba e de um prazo estabelecidos. E isso é justamente o que futuramente esse aluno terá que cumprir quando estiver trabalhando em uma fábrica de automóveis: iniciativa, qualidade, verba e prazo. Visando incentivar esse trabalho com os alunos foram criadas algumas competições entre as universidades brasileiras. Hoje temos os Minibaja, os Fórmula SAE e a Ecomaratona. Dessas, as competições dos Minibaja e Fórmula SAE são vistoriadas pela SAE, uma sociedade internacional de engenheiros automotivos criada para troca de informações e estabelecimento de padrões e normas. Assim sendo, os carros construídos aqui podem participar das provas mundiais, pois estão dentro das especificações internacionais. Os Minibaja são, como diz o nome, pequenos baja-buggys de um só lugar. O motor é um 4 tempos, 10cv, é padrão para todos. Na última prova participaram 85 equipes. Por aí já dá pra ver que ela movimenta um monte de alunos do Brasil inteiro. A competição envolve não só a corrida em si, mas também o projeto, a qualidade do trabalho, a criatividade, eficiência, consumo, material, soldas etc. Tudo isso é analisado e ponderado pelos examinadores, e o melhor trabalho de engenharia, como um todo, é premiado. Um dos prêmios, patrocinado pela Petrobras, são passagens para os EUA para a competição mundial. Os alunos da FEI, Faculdade de Engenharia Industrial, de São Bernardo do Campo, sob orientação do professor Ricardo Bock, já são bicampeões mundiais, o que mostra a qualidade de ensino dessa prestigiosa faculdade.
A COMPETIÇÃOA competição é acirrada. Terra, lama, saltos, poeirada. Os alunos trabalham feito loucos “pegando no breu”, ou seja, mão na ferramenta, na solda, aprendendo a pôr em prática os projetos que saem de seus computadores. A mesma orientação foi dada à competição dos Fórmula SAE: ganha o melhor trabalho de engenharia. Os Fórmula SAE são carros de Fórmula, ou seja, são monopostos “charutinhos com as rodas expostas”. Esses Fórmula devem ter motor 4 tempos com cilindrada abaixo de 610cm³. O motor que melhor está rendendo é o da moto Honda 600 Hornet. É um 4 cilindros em linha que produz 96cv. Como o Fórmula SAE é levinho, deve pesar ao redor de 300kg (a moto pesa 180kg), dá para imaginar o quanto esse monoposto é rápido. As provas são geralmente feitas em áreas asfaltadas e amplas (mas que também podem ser feitas em kartódromos), e o circuito é estabelecido com o uso de cones. Neste caso - diferentemente dos Minibaja, onde correm todos juntos disputando posição -, larga um de cada vez e a corrida é contra o relógio: o que fizer o circuito mais rapidamente ganha essa fase da competição. E resta a Ecomaratona, onde o que se busca é o menor consumo de energia. Estas provas ainda não estão sendo vistoriadas pela SAE. Na Ecomaratona há duas classes: os a gasolina e os elétricos. Para a prova dos a gasolina, a organização dá às equipes uma quantidade igual de gasolina e elas que andem a maior distância possível com isso. Tanto faz o motor usado, se tem 1 ou 10cv, tanto faz.
Mas, o motor mais usado é o Honda 4 tempos usado nas roçadeiras da marca. Tem 22cm² de cilindrada e gera 1cv. Com eles estão fazendo mais de 200km/litro, pois os carros são levíssimos e aerodinâmicos. Tenho informações que a FEI já tem pronto um motor totalmente projetado e construído na faculdade, e que será muito mais eficiente que esse da Honda. Os pilotos, no caso da Ecomaratona, geralmente são as alunas mais mingnonzinhas, as mais levinhas, o que discordo, pois acho que deveriam estabelecer um peso mínimo para o piloto - digamos 60kg - e, se ele estiver abaixo do peso, um lastro é colocado (igual às corridas de cavalo). Nos Ecomaratona elétricos, basicamente, é dada a cada equipe uma bateria (de moto) com um volume “X” de energia acumulada, e elas que se virem para rodar a maior distância com isso. Normalmente os alunos usam motores de ventilador de radiador de 100 watts, e, por incrível que pareça, conseguem rodar a uns 20km/h com esse motorzinho. O carrinho que ganhou a última corrida, realizada há poucas semanas no kartódromo de Interlagos, usava motor de 400W e o chassi era feito de bambu! (Os alunos me falaram que uma barra de alumínio de tal tamanho pesava 34 gramas, enquanto que uma igual de bambu pesava 12 gramas - olha a criatividade aí!). Normalmente essas provas são feitas em pista totalmente plana, e no caso do kartódromo de Interlagos há uma pequena subidinha, daí que acho que o motor mais forte que o normal foi mais eficiente. As fábricas ficam de olho nos alunos que participam dessas competições, pois sabem que esses têm algo a mais. E uma coisa é certa: a hora é agora, pois com o crescimento consistente da indústria automobilística no Brasil, as fábricas já sabem que terão que importar engenheiros. Então, rapazes e moças que gostariam de trabalhar com carros, olhem aí uma promissora profissão. Essa moçada que participa dessas provas é disputada a tapa pelas fábricas. Boa sorte, bom estudo, bom trabalho.
Arnaldo Keller |