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Publicado em 22/11/2007 Mini morris
Um mini de coração grandeEis aí um carrinho que fazia tempo que eu queria guiar, o Mini Morris. Desde quando há décadas assisti ao filme “Um Golpe à Italiana”, com Michael Caine, que fiquei com ganas de guiar esse capetinha. No filme uma gang rouba barras de ouro de um banco, carregam alguns Mini Cooper (veremos adiante o que é um Cooper) com o ouro e depois fogem pela cidade feito malucos, sendo perseguidos pela polícia italiana. Descem escadas, entram em canos de esgoto, fazem curvas instantaneamente, fazendo de bobos os Alfa Giulia dos polícias. Os Mini dão um nó na cidade e se safam. Pois é, em outros países dá um trabalhão roubar. O filme foi um sucesso, principalmente devido às peripécias do “astro” Mini Cooper. Tanto sucesso fez o filme, que há alguns anos, logo após o lançamento do Novo MINI, agora produzido pela BMW, o refilmaram, já com o novo modelo. Eu já havia guiado o Novo, ótimo carro, e o Jornal Superauto tem esse teste em seu arquivo: (www.superauto.com.br). O MINIEm 1956, deu um qüiproquó político no Canal de Suez, que era por onde passavam muitos navios petroleiros. O preço do petróleo subiu e os europeus passaram a buscar carros mais econômicos. Ovinhos sobre rodas, do tipo da Romi-Isetta, estavam vendendo bem e carrões gastões vendendo mal. Devido a isso, Sir Alec Issigonis, designer-chefe da British Motor Company, foi encarregado de projetar um carrinho pequeno, econômico, espaçoso e que utilizase ao máximo a mecânica já fabricada pela marca. Outra coisa, ele teria que caber numa “caixa” de 1,2m x 1,2m x 3,0m e desses 3 metros de comprimento, 1,8m seriam para os passageiros, portanto, só sobrava 1,2m do comprimento para motor e porta-malas. A solução da equipe foi colocar o motor 4 cilindros na transversal, e essa foi uma das grandes sacadas desse carro, ele foi o primeiro a ter essa disposição do motor, hoje usada na maioria dos carros com tração dianteira. Com isso, ganharam espaço. Outra grande sacada está na suspensão que é independente nas quatro e não tem molas, mas sim cones de borracha que cumprem a função muito bem, apesar disso tornar o curso da suspensão muito curto. Isso não é problema em países onde o asfalto não é esburacado como o nosso. Aqui ele pula. Em compensação, no asfalto bom... Outras: o carro é levinho, pesa 600kg, os pneus são pequenininhos, aro de 10 polegadas, e o carro é baixinho. O resultado é que ele ficou muito rápido de curva, muito estável, o que nos proporciona grande prazer na guiada ágil. Muitos dizem que ele lembra a guiada de um kart, e estão certos. O carro foi lançado em 1959 e, como a BMC era dona da Morris e da Austin, ele era vendido tanto por uma quanto pela outra marca. O primeiro motor tinha 850cm³ e 34cv, e com o tempo outros motores foram utilizados, até a cilindrada máxima de 1.275cm³ e 65cv, que é o motor destes dois Mini das fotos. Essa potência 65cv igual a de um Uno Mille, por exemplo, é mais que suficiente para acelerar gostoso um carrinho 300kg mais leve que o Uno. Comparando um Mini com cinco passageiros pesa tanto quanto um Uno só com o motorista. Sacou a rapidez e a leveza do bichinho? INGLÊS SIMPÁTICO E POPULARPois, o construtor de carros duas vezes campeões de Fórmula 1 na época, John Cooper foi quem revolucionou a F1 colocando o motor atrás do piloto no final dos anos 50 -, logo sacou o potencial do Mini, entrou em entendimento com a BMC e passou a fazer preparações para o Mini. Daí nasceu o Mini Cooper. Havia várias versões de preparação que incluíam, além de motor mais forte, outras melhorias de suspensão, rodas, freios a disco etc. O Mini, que já era um corisco, ficou um demoninho. O Mini Cooper venceu o rali de Monte Carlo em 1964, 1965 e 1967, e só não venceu o de 1966 porque foi desqualificado, injustamente, porque tinha os filamentos dos faróis fora da regra, como foi reclamado pela Citroën, a 2a colocada. Ridículo. O piloto da Citroën disse que nunca mais guiava para a marca e recusou a taça de vencedor. Essa injustiça acabou dando ainda mais propaganda para os Mini Cooper e o tiro da Citroën saiu pela culatra. Foi fabricado de 1959 a 2000 e em vários países, como África do Sul e Austrália, com um total de quase 5.300.000 unidades. Enfim, por essas e outras, o Mini é o carro mais popular e simpático da Grã-Bretanha, tornando-se como um mascote do reino. Tanto é que foi o carro escolhido para “atuar” nos filmes do Mr. Bean. Outra grande cena é no filme “Identidade Bourne”, quando um Mini já velho e bichado faz miséria e dá um pau lascado em carros modernos. Paul Newmann também pilota um Mini no filme “500 Milhas”, numa cena em que relaxa com a namorada entre as corridas. Outros felizes proprietários de Mini: Enzo Ferrari, que adorava divertir-se com um Mini nos Alpes, Nikki Lauda, George Harrison, John Lennon, Steve McQueen e, para culminar, o nosso grande astro e ídolo das patricinhas, o amigo Jean, sócio da loja Prestige Motors, onde estão estes dois Mini (1975 e 1976) que guiei. Hoje, os ingleses andam aprontando ainda mais pesado com os Mini. Há kits para encaixar motor de Suzuki Swift GT ou Honda VTEC de 160cv (!) além de preparadores que colocam motor da moto Yamaha R1 na traseira. Êta nóis! Isso é que é diversão! Agradecemos à Prestige Motors: www.prestigemotors.com.br
Arnaldo Keller |