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Depois da DKW Vemaguet, minha mãe
só veio a ter outra perua, quando meu pai lhe deu uma Veraneio. Para nós que morávamos
em São Paulo e viajávamos para o interior quase todo o fim de semana, parecia o ideal.
Cachorro, caixa de laranja, barras de manteiga, verduras, gaiolas, em suma, tudo que minha
mãe, na sua compulsividade carregatícia resolvia levar. Meu pai então não
sabia o que hoje sei: tanto faz o tamanho do automóvel, as esposas sempre o lotarão. E
mais outra, não adianta reclamar, porque em resposta você terá:
É, mas se faltar alguma coisa, tuas botas, a bermuda de pegar onda, o
ursinho da Guga....
Mas, como disse, a Veraneio parecia o ideal. Parecia... porque ao longo da semana, no
trânsito de São Paulo, minha mãe, com seu metro e sessenta, sofria para virar aquela
direçãozona. Direção hidráulica, se restringia aos Galaxie e, já que o
ser humano somente deseja o possível, nem pensávamos em como seria bom tê-la. Hoje,
marmanjões reclamam do Uno por não ter hidráulica como opcional. Ora!. Dá um tempo! O
Uninho, que pesa tanto quanto um estepe da Veraneio! Deixa minha mãe ouvir uma chorada
dessas..., vai escutar um monte.
Mas, se hoje a direção hidráulica é tão difundida, é devido à tração dianteira
que, por virarmos o conjunto tracionante juntamente com as rodas dianteiras, acabamos por
ter que fazer um esforço maior. Coisa absolutamente dispensável num carro pequeno e de
tração traseira como o Chevette, ou mesmo um Fusca. Não digo que estes sejam meu ideal
de automóvel, mas creio que a indústria que lançar um carrinho popular de tração
traseira com toda agilidade proporcionada por essa característica, logo terá uma
montanha de fiéis consumidores.
Bem, mas enquanto isso, nos resta ressuscitar uns Chevette e dar-lhes alguns toques
modernos para termos uns bichinhos prazeirosos nas mãos. Bem, é chegada a hora de
turbinar para termos um brinquedo de gente grande.
Comecemos com um motor a gasolina. Manteremos a taxa original de 8,5/1 e passaremos para o
álcool. Podemos usar a carburação dupla original do Chevette (Weber H 34) ou, caso
queiram pegar mais pesado, um Solex 2-Z. Boas preparadoras, como Ancona, Fôlego, Belquip,
têm todo o esquema certo da preparação. Na certa usarão turbinas Mitsubishi ou KKK e,
neste caso, com esta taxa baixa de compressão, podem elevar a pressão a 1,5 kg. Uma
potência de uns 180 cv será gerada e, posso te dizer que um Chevettinho assim preparado
vai ser capaz de transformar qualquer Chapeuzinho Vermelho em Lobo Mau assim que sentar ao
seu volante.
Caso o motor seja originalmente a álcool, portanto com taxa de 12,5/1, a preparação é
a mesma, somente limita-se a pressão a um máximo de 0,6 kg. A potência será um
pouquinho menor, uns 150, 160 cv, mesmo assim, garanto que será o suficiente para o
escorrimento de baba em abundância.
A troca do sistema de embreagem pela da Chevy 500 torna-se necessária, caso lhe desgoste
ver a traseira do seu oponente sumir, enquanto você fica patinando e tossindo
com o fedor de fricção queimada.
O tubo de escape após o turbo, deve ter duas e meia polegadas para dar maior vazão a
este motor, que então estará cuspindo fogo feito o pai de uma adolescente. Ajude-o,
deixe-o extravasar por favor.
Os 100 km/h chegarão em menos de 7 ou 8 segundos e, por ter tração traseira, terá
menos perda de tempo com patinadas. Seu Chevettinho pulará na frente dos outros carros
preparados, com a mesma potência e que tenham tração dianteira (Gol, Passat, Voyage,
Monza etc.).
Aos 2.500 giros o turbo já estará agindo e, com este nível de preparação, você não
deve ultrapassar os 6.500. Essa diferença de 4.000 rotações será engolida de maneira
muito rápida, portanto, fique atento no conta giros para não se arrepender depois...
Nem preciso falar que pneus e talas mais largas serão necessários. Amortecedores mais
duros e freios em ótimo estado são pré-requisitos básicos para quem quiser manter-se
inteiro. Não preciso nem falar né moçada?
E daí, se alguém ao entrar no seu carro, te falar que Chevette é carro de manicure,
faça com que esse inoportuno deixe as unhas encravadas no painel...

Por Arnaldo Keller - Consultoria técnica: Fábio Grecco
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