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Publicado em 18/10/2007 DE JAGUAR NA ARGENTINA
Fiquem certos, esse tal pedágio mais barato será usado como cabo eleitoral pelo atual governo Dois anos atrás, estando em Buenos Aires, eu precisava telefonar para o Brasil. Fui a uma banca de jornal e, pelo equivalente a uns 8 reais, comprei um cartão telefônico. Resumindo: com esses 8 reais passei uns cinco dias ligando todo dia para casa e para poder acabar com os créditos ainda tive que ficar enrolando conversa do saguão do aeroporto enquanto esperava para embarcar de volta - “Como está o cachorro? Ele gostou da ração nova? E por falar em cachorro, como vão as notícias de Brasília?”. Na Argentina, o custo da telefonia é incrivelmente mais barato que aqui, de três a cinco vezes. O motivo é que quando privatizaram as empresas telefônicas argentinas, ganhava quem se comprometesse a prestar o serviço mais barato. Saí de Buenos Aires com o Cato para testar a perfeita réplica do Jaguar C-type. Mecânica do Jaguar E-type, motor 6 cilindros em linha, dois comandos, cabeçotes hemisféricos, três carburadores Weber duplos (uma boca para cada cilindro), suspensão traseira independente, com freios a disco traseiros in board, ou seja, junto ao diferencial e não junto à roda, para a suspensão ficar levinha e rápida, carroceria de plástico reforçada de fibra de vidro, tendo portas e capôs de alumínio - uns 280 ou 300cv carregando 1.000kg.
Pegamos uma ótima estrada saindo da cidade. Vento gelado na cara, casacão p’ra neve, luvas, velocímetro a 150km/h - na boa. Vejo que vou ultrapassar um carro da polícia rodoviária. Tiro o pé para baixar para os 120km/h permitidos e em seguida o Cato se vira, perguntando, “Que é que houve? Pisa aí!”. Respondo apontando, “A polícia, Cato! Olha aí!”. “Anda, rapaz! Acelera! Aqui eles gostam de ver carro esporte roncando.” Reduzi de 4a para 3a (são 4 marchas longas), o giro subiu a ponto de pegar na veia do torque, e aí foi só escutar o escape lateral ecoando no guard-rail à minha esquerda. Êta nóis! Êta gostoso! Lenha no C-type. Mais pra frente um pedágio. Paro. Lá, tal como cá, a gente pára no pedágio, não passa babando. E saco a carteira pra pagar o equivalente a R$1,00. Um real!! E o Cato ainda reclamou que estava caro! Pois é. Lá, ao privatizarem as estradas, ganhava quem cobrasse o pedágio mais barato, além, é claro, de se obrigarem a melhorá-las e conservá-las. As estradas argentinas estão ótimas. Mil vezes melhor que as brasileiras. Tal qual na telefonia, ganha o consumidor, ganha a economia do país, sobra um dinheirinho no bolso, vive-se melhor, não nos sentimos injustamente tributados, penalizados, com as costas demasiadamente arcadas pelo peso de um governo obeso e relapso. E eis que agora o governo brasileiro nos surpreende privatizando algumas rodovias federais pelo sistema argentino. Ganharam as empresas que se comprometeram a cobrar menos do usuário. Ótimo! Pelo menos as estradas melhorarão, menos acidentes ocorrerão, menos mortos e feridos dentre nós que nos locomovemos pelo chão, e não pelo ar em jatinhos emprestados de construtoras. Como vêem, ultimamente estou como os hermanos: “Se hay gobierno, soy contra!”
Arnaldo Keller |