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BRAZIL COLLECTION CARS: EXCELENTE
Entre os dias 21 e 23 de setembro, sob a fresca sombra dos eucaliptos do Jockey Club, realizou-se a exposição Brazil Collection Cars. Mais de 100 carros expostos, todos realmente dignos de serem chamados de clássicos. Só de Corvette víamos mais de uma dúzia, desde os modelos da década de 1950 aos Sting Ray de 1970. Corvette é sempre lindo e nos dão uma vontade louca de guiá-los. Seus concorrentes da Ford, os Thunderbird, também faziam presença e deles havia dois da década de 1950 e mais dois da de 1960, estes últimos à venda na loja Advance que lá montou seu estande. Importadora, a loja tem trazido bons carros dos EUA, inclusive raridades como um Corvette branco, modelo 1963, o primeiro Sting Ray, o conhecido ‘Split-Window”. Segundo um dos sócios, o Eduardo, o evento lhes trouxe ótimo retorno financeiro, pois durante esses três dias venderam vários carros, dentre eles um Corvette vermelho, conversível, 1970, por 135 mil reais e um lindo Fusca mexicano, branco cabriolet, por 75 mil reais. O que se notava é que o público, umas 10 mil pessoas ao longo dos três dias, era, em grande parte, gente do meio que sabia dar o devido valor aos carros expostos. A exposição foi pouco divulgada, mas para o ano que vem, segundo um dos promotores - promoção em que o sempre simpático cantor, entrevistador e amante de carros antigos Ronnie Von esteve envolvido -, Juan Felix Pagella, farão mais chamadas. OS CLÁSSICOS
Vamos a eles: os ingleses, três Jaguar XK120 e um E-type, dois MG TC, um Midget, vários Jaguar Sedan, um Mini Cooper de rali, um belo Rover também de rali, em suma, os ingleses estavam muito bem representados. Dentre os alemães, graciosos Porsche 356 e ótimos Mercedes, tendo como destaque um 170S branco, cabriolet, lindíssimo, motor 4 cilindros, 1.700cm³ e um grande Mercedes Adenauer, que ganhou esse apelido em homenagem ao chanceler e estadista alemão, responsável por reerguer o país após a 2a Guerra - o motor deste originou o do famoso Asa de Gaivota. Outro charmoso Mercedes era um 190 SL, 1961, vermelho, conversível - um lindo esportivo cujo primeiro defeito é ser um pouco pesado para o motor 4 cilindros de 1.900cm³. Seu segundo defeito é que o dono não é uma loira platinada, como lhe conviria, mas sim um argentino macho, apesar de muito bem-humorado. Rolls-Royce, Hispano Suiza, Allard Cadillac, vários Cadillac, dentre eles um magnífico Eldorado, branco, rabo-de-peixe enorme, Ford modelo A, Bel Air 1957, BMW 2002, motos: Norton, Sunbean. O Alfa Romeo Club estava lá com dois Giulietta e muitos Giulia GTV, um Giulia Sedan, um Montreal V8, além de uma Duetto e uma bela Spyder, estas últimas design Pininfarina. Dois Ferrari Dino, sendo que uma delas, a vermelha, a mais bonita, conheço bem, pois a pilotei algumas vezes em Interlagos e dela guardo ótimas lembranças.
A HISTÓRIA DO FIAT 509A 1927 Só isso já bastaria de italianos, mas ali encontrei o restaurador Ricardo Oppi que me levou à queridinha da exposição, o Fiat 509A 1927. Motor moderníssimo para a época, primeiro motor 1.000cm³ da Fiat, comando de válvulas no cabeçote, não tem correia, já que o dínamo de 12 volts vai direto no eixo de virabrequim e a hélice do ventilador vai direto no eixo do comando de válvulas, produz 22cv. O carro está realmente quase zero-km, pois quando o dono, um cafeicultor de Campinas, o comprou na época, o achou menor do que esperava e não levaria toda a família. Guardou-o então num galpão e o carro só saiu de lá em 1956. Vendido, foi para o bairro de Santana, em SP. O novo dono tentou emplacá-lo, mas o Detran da época não permitiu, pois o carro não tinha pára-choques. Daí o carro foi pro galpão e de lá, depois de 50 anos, o Ricardo o achou. Chamou um investidor que comprou o carro e o Ricardo o restaurou. Neste sábado, durante a exposição, o Ricardo, o neto do primeiro dono, o segundo dono e o dono atual deram todos juntos uma volta pelos jardins do Jockey a bordo do Fiat 1927. Emocionado, o Ricardo, um restaurador que ama a profissão, me contou essa história. Emocionado, ouvi. Através do carro, o Ricardo juntou os elos da história. Carro antigo é isso, desperta boas emoções; e isso é o que mais interessa. Parabéns! Ano que vem tem mais!
Arnaldo Keller |