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Segundo revistas especializadas, o traseiro, antes valorizado
somente pelos pilotos homens, hoje, vai conquistando adeptos entre as mulheres. À medida
que adquirem experiência, as mulheres vão aprendendo a tirar proveito dessa
característica que nos proporcionam percorrer curvas de forma suave e harmoniosa.
Um bom traseiro somente se revela quando está em nossas mãos.
Aí sim, podemos sentir a diferença no menor esforço necessário para o contorno das
curvas, não sendo, portanto necessária a ajuda externa. Você sozinho com seu próprio
esforço controla a situação.A maciez da tocada de um traseiro merece ser experimentada
por todos e, uma vez provada, jamais a abandonamos. Conclusão: um bom traseiro nos
proporciona mais alegrias. PERAI! Não se deixe levar pela primeira impressão! Sou um
cara sério e estou simplesmente discorrendo sobre as vantagens do carro traseiro, isto
é, o carro que traciona pelas rodas de trás. Releia e note que foi você que maliciou.
Não tenho nada com isso!
Quando digo que gosto de um traseiro (tá bom!, de ambos), não implica que desmereça
totalmente os de tração dianteira. Eles economizam gasolina e espaço por dispensar o
pesado eixo cardam mas, estamos falando de carros mexidos e vem daí minha simpatia por
este traseiro, o Chevette.
Bom, mas para que este traseiro tenha a força que desejamos,
vamos dar uma mexidinha no seu motor. Comecemos pelo mais fácil: peguemos os dotados
originalmente com motor 1.6/S álcool. Estes já vêm com uma carburação dupla da Weber
ou Solex 2-E, um comando um pouco mais forte que o antigo e com taxa mais alta (12/1),
daí teremos menos trabalho e despesas.
Primeiramente faremos um polimento dos dutos de admissão e escape. Rebaixaremos o
cabeçote para atingirmos taxa de 14/1 e, para finalizar, caso queiram um traseiro mais
nervoso, o comando 280 cairá bem. Cumpre notar que, caso queiram um comando mais forte
que o mencionado, será necessária a troca da carburação por outra maior. Chegaremos
lá...
Aliviar o volante em 400 gramas dará uma subida de giro mais rápida e, vale lembrar que,
para andar na rua o alívio de volante não deve ultrapassar 20% do peso total deste.
Resultado: um aumento da ordem de 40% na potência, passando dos 60 cv originais, para
algo em torno dos 80, 90 cavalos. Nada mal, assim você terá em suas mãos um traseiro
quente, ao invés daquele sem graça anterior.
E agora? Você é daqueles que se amarram num traseiro mais
apimentado? Meu amigo Éber providenciou uma receitinha jóia: arromba-se a camisa e
mete-se um pistão de Monza 1.8. Este pistão tem 85 mm de diâmetro contra os 82 mm do
Chevette, o que proporciona um aumento da cilindrada para 1720 cc. E, já que a coisa
está esquentando, trocaremos o comando por um de 300º. Daí, para equilibrar este
traseiro, seremos obrigados a aparelha-lo com uma carburação que permita maior passagem
de ar (ar!), isso para compensar a maior demanda de mistura causada pelo comando bravo.
Uma Weber 446 será suficiente. Usadas em ótimo estado não ultrapassam os R$ 250,00 (já
vi anúncios nos classificados do SuperAuto). Caso encontre uma Weber 44, vale a pena
utilizá-la, é mais cara, porém mais eficiente.
Nesse caso, a embreagem da Chevy 500 substituirá a sua quando esta começar a patinar
devido aos 120 cavalos que este traseiro estará carregando. A Chevy, por ser caminhonete
de carga, tem embreagem mais resistente e, até aqui, suficiente.
Tenho certeza que me faltam alguns parafusos nos miolos, porém, afirmo que o Éber tem um
a menos que eu, daí, ele recomenda trocar a coroa e pinhão do diferencial pela do
Chevette automático para ter uma final mais longa. Eu, por mim, sei lá, você decide.
Agora, só me resta lamentar que o Chevette tenha sido o último traseiro feito por mãos
brasileiras e, desejar que algum dia tenhamos novos traseiros no mercado. E vê se para de
pensar bobagem !
Um abração... Arnaldo.

Por Arnaldo Keller - Consultoria técnica: Fábio Grecco
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