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VENENO EM GERAL: COMO FUNCIONA UM MOTOR

Continuo agora o que comecei semana passada a explicar o funcionamento de um motor a gasolina e/ou álcool

TORQUE: é a força torsional exercida pelo motor.

Só transforma-se em trabalho quando o motor se move, vira, e, uma vez movido, o resultado é potência. Dizemos que um motor é “torcudo” quando ele tem bastante força.

Lembre-se da fórmula: Potência = (torque x rpm) : 726,4, ou seja, potência é igual a torque vezes a rotação e o resultado disso dividido por 726,4.

O torque máximo é atingido na rotação onde o enchimento dos cilindros com a mistura ar/combustível está em seu ponto ótimo. É a rotação em que o motor melhor “respira” e expulsa do cilindro o gás queimado. Acima dessa rotação o enchimento piora e o torque passa a cair, porém, mesmo assim, a potência aumenta compensada pelo aumento da rotação. A rotação vai subindo, a potência vai subindo e o torque caindo, até ao ponto em que o aumento da rotação não compensa a queda do torque e a potência também passa a cair. Um pouco antes disso é o momento de mudar de marcha, para cair a rotação, o motor volta a respirar melhor e começa tudo de novo.

Vejamos, por exemplo, o motor 1.4 do Prisma, da GM. A fábrica divulga que, com álcool, ele tem seu pico de torque, 12,9m.kgf, quando o motor está em 3.200rpm. Essa é a rotação em que ele melhor “respira”, como vimos. Qual é a potência produzida a essa rotação? Vejamos: (12,9 x 3.200) : 726,4 = 56,8cv. Então, deduzimos que a 3.200rpm ele está produzindo 56,8cv. Se você está guiando um Prisma, no plano, em 5a marcha e o conta-giros está estabilizado em 3.200rpm, sabemos que o motor está produzindo 56,8cv, que é a força necessária para ele deslocar o carro a essa velocidade.

Se, por exemplo, outro carro na mesma velocidade necessita de menor potência, e isso dá para calcular pelas contas que estão acima, conclui-se que ele tem melhor aerodinâmica, dentre outras qualidades, como engrenagens que consomem menos energia para serem movimentadas, além de menor peso do veículo. Mas o peso, no piso plano não é tão importante quanto a aerodinâmica, desde que a velocidade esteja estável num piso plano. O peso importa bastante quando temos aceleração; aí sim, já que A = P:M, ou seja, Aceleração é igual a Potência dividida pela Massa. Quanto maior a potência, maior a aceleração, e quanto maior a massa (peso), menor a aceleração.

A fábrica também divulga que a potência máxima do Prisma 1.4 é de 97cv a 6.200rpm, quando com álcool. Pelas contas acima, vejamos qual o torque produzido a essa rotação: Torque = (Pot. x 726,4): rpm, ou seja, torque é igual a potência vezes 726,4 e o resultado disso é dividido pela rotação. Temos então que Torque = (97 x 726,4) : 6.200 = 11,36. Então, o torque do Prisma, quando ele está desenvolvendo potência máxima, é de 11,36m.kgf. Vemos aí que o torque caiu em relação ao seu pico, caiu de 12,9 para 11,36, isso porque nessa rotação elevada ele não “respira” tão bem, não dá tempo dele fazer a melhor “lavagem” do cilindro após a queima, nem o melhor enchimento com mistura nova.

Mas, devido ao maior número de explosões num mesmo espaço de tempo, no fim das contas, ele gera uma potência maior. Isso vai indo até essa rotação, 6.200rpm, mas a partir daí a potência também passa a cair, pois o aumento de rotação passa a não compensar mais a queda acentuada do torque. A conclusão prática é que não adianta ficar esmerilhando o carro, com a aba do boné virada pra trás da cabeça, passando de giro só pra dar uma de boy, que só está perdendo tempo e maltratando o carro. Trouxa, mocorongo. Troque as marchas no giro da potência máxima, quando quiser acelerar o mais rápido possível, e só.

CÁLCULO DA VELOCIDADE MÁXIMA A PARTIR DE NOVA POTÊNCIA

Quando a potência máxima de um motor é aumentada, a velocidade máxima do carro também aumenta, claro. Há uma fórmula para esse cálculo, porém, há uma ressalva: ela só é válida quando o escalonamento do câmbio é ótimo, ou seja, quando, no caso do Fusca, a quarta e última marcha está com a relação certa. Por exemplo, se a quarta marcha for curta, o motor atinge o giro máximo mas o carro está ainda em baixa velocidade, assim como ocorre quando estamos em terceira marcha. Portanto, quanto maior a potência, mais longa deve ser a última marcha.

Nota: vale lembrar que o Fusca não é um carro estruturado para altas velocidades. Para tal são necessárias muitas mudanças na suspensão, pneus e aerodinâmica.

Aqui vai a fórmula que serve para todo e qualquer carro (serve, pelo menos, como estimativa, já que é preciso acertar o escalonamento da última marcha para atingir a velocidade máxima possível com a nova potência):

V2 = V1 x (raiz cúbica de P2/P1)

Onde:

  • V1 = velocidade com a potência menor
  • V2 = velocidade com a potência maior
  • P1 = potência menor
  • P2 = potência maior

    Por exemplo: aumentamos a potência de um Fusca 1600 dos 65cv originais para 100cv. Qual será a velocidade máxima com a maior potência? Antes, porém, sabemos que o Fusca com motor 1600 original atinge 135km/h.

    Portanto:

    • V1 = 135km/h
    • P1 = 65cv
    • P2 = 100cv
    • V2 = ?
    • V2 = 135 x raiz cúbica de (100/65)
    • V2 = 135 x raiz cúbica de 1,54
    • V2 = 135 x 1,153
    • V2 = 155,8km/h

    Nota: esse resultado é válido, como já disse, se o câmbio não for muito longo nem muito curto.

    Eu sei que aí tem um monte de conta. É meio sacal, mas se quer entender alguma coisa de motor – nem que seja pra esnobar os amigos durante um chopp, enquanto sua namorada esfrega a canela sedosa na do seu amigo galã –, você tem que saber. Guarde-as, anote o resumo disso e guarde, pois elas servem de base para entenderem de preparação e mesmo de carros originais. Serve de comparativo.

    E agora apitou a sirene do recreio e pode ir se divertir, jogar bola, sacanear as meninas etc.


    Arnaldo Keller
    arnaldokeller@yahoo.com.br

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