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VENENO NO FUSCA

Todo dia recebo e-mails de ansiosos leitores querendo saber como envenenar seus carros. A maioria tem Fusca.

Gostar do Fusca hoje em dia, com tanto carro perfeitinho andando por aí, é sinal de que o sujeito não é muito bom da bola. Como sou ainda pior da bola, respondo. O que não sei, encaminho a pergunta a quem sabe. Mas volta e meia tenho que explicar conceitos básicos de preparação, então, notando que conhecendo esses conceitos o sujeito entende melhor o porquê de cada procedimento numa preparação, passo agora o começo de um pequeno glossário a respeito. Apesar de ser direcionado aos Fuscas, serve também para a maioria dos outros carros.

BALANCEAMENTO DO CONJUNTO

O conjunto, no caso, é constituído de: eixo de manivelas (também chamado de virabrequim), volante, platô da embreagem e polia da ventoinha, todos acoplados e na posição em que o motor será montado. O balanceamento visa eliminar vibrações. Com ele ganha-se potência, maior rotação final e vida útil do motor, além de promover um funcionamento mais suave em todas as faixas de rotação. Há melhora na lubrificação do virabrequim, pois, sem vibrações, uma camada fina de óleo protetor mantém-se constante nas bronzinas onde o virabrequim é assentado.

COMANDO DE VÁLVULAS

O formato dos ressaltos do comando é que asseguram a abertura e fechamento das válvulas no momento mais oportuno para o enchimento e esvaziamento dos cilindros. Quanto maior o grau do comando, maior o tempo de abertura das válvulas, o que propicia melhor enchimento do cilindro. Quanto maior o grau do comando, mais “forte” ou “bravo” ele é. Porém, quanto mais forte o comando, maior deve ser a carburação, senão a marcha lenta fica afetada, irregular, embaralhando. Os comandos fortes tendem a ocasionar perda de potência em baixa rotação, porém, ganho em alta. Com comando forte há perda de faixa de torque, que fica mais restrita às altas rotações.

VOLANTE DO MOTOR

Disco acoplado ao virabrequim cuja função é, devido a seu peso, diminuir a vibração causada pelo torque produzido pelo pistão no virabrequim. Aliviar o volante é diminuir sua espessura por meio de um torno mecânico, gastando-o. Ao aliviá-lo facilitamos a rapidez de aceleração da rotação do motor, pois teremos menor inércia do volante. Para motores de rua, o limite tolerável de redução de peso é ao redor de 30%, com tolerância de mais ou menos 200 gramas. Maior redução ocasiona vibrações indesejáveis. Com o alívio do volante, quando tiramos o pé do acelerador numa troca de marchas, por exemplo, o giro cai mais rápido também, pois há menor inércia para a desaceleração do conjunto.

TAXA DE COMPRESSÃO

É a relação entre os volumes do cilindro e a câmara de combustão. Indica quantas vezes a mistura é comprimida quando o pistão atinge seu ponto máximo superior. Para calcularmos a taxa, somamos o volume do cilindro mais o da câmara de combustão e o dividimos pelo da câmara de combustão. O aumento da taxa de compressão é normalmente feito através do rebaixamento do cabeçote, diminuindo assim o volume da câmara de combustão. Podemos aumentar a taxa com o uso de pistões de cabeça mais plana, ou mesmo convexa. Os motores VW a ar foram projetados numa época em que nossa gasolina tinha octanagem mais baixa. Hoje, com 25% de álcool adicionado à gasolina, essa octanagem subiu, o que permite que aumentemos a taxa. Desse modo há melhor queima da mistura ar/combustível e a conseqüente maior potência. Há diminuição de consumo, também. Quando o combustível é o álcool, a taxa é bem mais elevada que a gasolina. Quando turbinamos um motor com altas pressões a taxa deve ser baixa. Cada caso é um caso.

USINAR DUTOS DOS CABEÇOTES

Os cabeçotes originais de fábrica vêm com imperfeições em seus dutos, rebarbas. Usiná-los é aumentar a sua passagem, limpando rebarbas e deixando dutos que permitam maior fluxo para a entrada da mistura e saída de gases queimados. Isso requer critério técnico em oficinas especializadas.

POTÊNCIA

É a velocidade com que um trabalho é realizado. Um cavalo vapor (cv) é a potência requerida para elevar um objeto com o peso de 75kg a uma altura de 1 metro em 1 segundo.

Está intimamente ligada ao torque do motor. Ela é a resultante da multiplicação do torque pela rotação (velocidade angular).

Potência cv = (torque kgfm x rpm): 726,4. Exemplo: um motor com 15,5kgfm a 4.000rpm estará gerando 85,3cv a 4.000rpm. Nesta conta multiplicamos 15,5 por 4.000 e dividimos pela constante 726,4. Esse mesmo motor quando a 5.800rpm está gerando 118cv de potência e seu torque está em 14,7kgfm, pois, a partir de uma certa rotação o torque cai (veja explicação em Torque).

POTÊNCIA ESPECÍFICA

É a potência gerada por cada litro de cilindrada do motor. Por exemplo: um motor VW 1300 com potência de 46cv tem potência específica de 35,4cv/litro, pois dividimos 46cv por 1,3 litros. Já um 1600 tem 40,6cv/litro (65:1,6 = 40,6). O Honda CSi é o aspirado brasileiro com maior potência específica. Ele tem um motor de 2 litros de cilindrada (2.000cm³) e gera 193cv, ou seja, quase 100cv/litro. Quanto maior a potência específica, maior o nível de aproveitamento do motor. Os motores turbinados atingem potências específicas mais altas. Por exemplo, na Era-Turbo da Fórmula 1, nos anos 1980, os motores turbinados atingiam potência específica de 800cv/litro, já que tinham só 1,5 litro de cilindrada e geravam ao redor de 1.200cv.


Arnaldo Keller
arnaldokeller@yahoo.com.br

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