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MAIS COMBUSTÍVEIS DO FUTURO

Elá venho eu de novo falando de fontes alternativas de energia. Mas, fazer o quê, já que quando falamos de carro, falamos de energia. Começando do começo, vamos à nossa maior fonte de energia: a solar, a energia-mãe. É dela que vem a maior parte da energia que movimenta a vida neste planeta.

Vejamos porque: a energia hidroelétrica veio da solar. Como? Bom, o calor do Sol esquentou a água, a água evaporou e subiu pro céu, formando as nuvens. Choveu. As águas desceram por gravidade e geraram energia nas hidroelétricas. Tá explicado?

A energia contida no carvão e no petróleo vieram da solar. Como? A luz solar fornece energia para as plantas fazerem a fotossíntese, que fixa o gás carbônico da atmosfera. As plantas viram carvão, petróleo, e carvão mineral. Os bichos, que decompostos, viraram petróleo, cresceram comendo plantas ou comendo outros bichos que comeram plantas.

A energia eólica veio da energia solar. Como? Os ventos são formados quando uma massa de ar aquecida sobe. Outra massa de ar vem tomar o lugar dessa massa que ali estava e subiu, e assim, o movimento dessa massa é o vento. Isso funciona tanto para ventos localizados como para planetários. As frentes frias são o ar frio dos pólos correndo em direção ao equador. As massas de ar esquentam com o sol de chapa equatoriano e sobem, e em seu lugar vêm as massas polares.

Portanto, vemos aí que, fora a energia das marés (provinda da atração gravitacional da Lua), da energia nuclear, e da energia geotérmica (calor das entranhas da terra), todas as fontes de energia que podemos aproveitar vieram da solar.

Como o petróleo está acabando – se seu consumo continuar no nível que está, dentro de 30 ou 40 anos ele acaba –, é bom que inventem outra fonte de energia, senão a briga de foice por ele vai piorar ainda mais.

A força do vento

A fonte mais animadora é a eólica, pois a cada dia novas tecnologias barateiam sua produção de energia elétrica. Tanto é que hoje a Alemanha está gerando 20.600 megawatts com a força do vento. Isso corresponde 10% a mais do que gera a hidroelétrica de Itaipú ou a dez vezes a produção de energia de Angra 1 e Angra 2 somadas (Angra 1: 650mw e Angra 2: 1.350 mw). 20 mil megawatts é um bocado de energia, o suficiente para suprir as necessidades de 40 milhões de brasileiros ou 20 milhões de cidadãos do primeiro mundo, que consomem o dobro per capta do que consumimos. Outra grande vantagem é que ela não polui o ar. Há uma certa poluição sonora nas cercanias dos moinhos, com um barulho de “vvuup, vvuup”, porque a ponta do hélice corre a uma velocidade radial incrível, já que os hélices costumam ter coisa de 45 metros de comprimento, mas isso é só nas cercanias e muitos moinhos estão sendo instalados em mar aberto pra pegarem vento sem barreiras e constantes.

Com isso, a Europa vem se livrando de fontes poluidoras para gerar energia elétrica. O consumo de carvão por lá já caiu mais de 10% devido a essas novas fontes. Aqui no Brasil, apesar de termos fantásticas fontes de vento no litoral do nordeste e no litoral sul, o ex-presidente Fernando Henrique – o presidente bom de lábia – e o atual – o garoto propaganda da cachaça brasileira no exterior – acham melhor importar gás da Bolívia para tocar as poluidoras termoelétricas. Para eles, alemão é trouxa e eles é que são inteligentes...

Tendo energia elétrica farta, teremos como viabilizar o hidrogênio como combustível. Explico. O hidrogênio é um gás abundante na atmosfera. Com energia elétrica captamos o gás hidrogênio, transformando-o em líquido. Um carro movido a hidrogênio, no final é movido a motor elétrico, pois ele transforma o hidrogênio líquido, com o qual é abastecido, em energia elétrica e esta vai fornecer energia elétrica para o motor. Essa transformação química gera energia elétrica e água, portanto, ela não polui, desde que a fonte de energia elétrica que captou o hidrogênio não seja poluidora – senão não adianta nada em termos globais, só mudando o local onde é gerada a poluição.

Mas ao que tudo indica, o carro exclusivamente elétrico ainda vai demorar um pouco para ser viável economicamente, pois um bom carro elétrico – com bom desempenho e larga autonomia – com a tecnologia atual sai muito caro, coisa do dobro do custo de um carro a gasolina equivalente. Além disso, o grande problema é a demora no reabastecimento, que pode demorar ao redor de cinco ou mais horas para recarregar as baterias. No Brasil seu custo seria viável, desde que os governos federal e estadual o isentasse de impostos, já que o preço final de um automóvel aqui tem embutido mais de 40% de impostos (nos EUA é em torno de 6%).

CANA, MILHO E SOJA

Um bom passo em direção ao carro exclusivamente elétrico foi dado pela Toyota, com seu Prius, e pela Honda, com seu Insight. Ambos são os chamados híbridos e já estão sendo vendidos às dezenas de milhares nos EUA, Japão e Europa. O que os move é um motor elétrico cuja energia provém de baterias, e essas baterias são carregadas por um pequeno motor a gasolina. A grande vantagem é que quando esse motor a gasolina entra em funcionamento ele trabalha numa rotação constante, sem alterações, justamente na rotação em que ele é mais eficiente, ou seja, a rotação em que ele aproveita melhor a gasolina. Essa rotação é a que ele tem o seu pico de torque, que é quando um motor “respira” melhor. Assim, com o motor a gasolina funcionando em seu melhor regime, esses Prius e Insight têm feito mais de 30km/l de gasolina andando normalmente e com um desempenho semelhante ao de um carro com motor 1.6 ou 1.8 litros – nada mal. São só um pouco mais caros que seus semelhantes mais poluidores, mas o povo está apoiando e comprando.

O problema que ainda ninguém falou a respeito do álcool, é que o plantio da cana (Brasil) de do milho (EUA), por serem gramíneas, é profundamente dependente do petróleo. Isso mesmo, seu principal adubo, o nitrogênio, provém exclusivamente do petróleo. Sou agricultor há 30 anos e sei o que estou falando. Já a soja, por ser uma leguminosa, não depende do nitrogênio, pois ela mesma o sintetiza do ar através de bactérias, os rizóbiuns, que vivem em suas raízes, daí que o biodiesel pode vingar a longo prazo.

De qualquer modo, a longo prazo o álcool é inviável e é um quebra-galho momentâneo. A longo prazo seu consumo só serve para nublar a cabeça dos babões que o consomem em larga escala.


Arnaldo Keller
arnaldokeller@yahoo.com.br

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