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COMBUSTÍVEL CASEIRO
Imagine que na sua casa o ponteiro do “relógio” marcador de consumo de energia elétrica virasse ao contrário? Isso mesmo, se em vez da energia estar entrando ela estivesse saindo. Imagine receber uma conta da Eletropaulo dizendo o quanto ela vai te pagar no fim do mês. Pois é o que já está acontecendo em algumas casas na Alemanha que têm painéis de células fotoelétricas sobre o telhado. Esses painéis, como é sabido, transformam os fótons da luz em eletricidade. Ela abastece a casa e sobra energia elétrica para “injetar” na rede elétrica que vem da rua. Quando, por exemplo, de noite, você está consumindo e o seu telhado não está produzindo, o teu “relógio” vira a favor da companhia que te fornece energia. O ponteiro do “relógio” fica nesse vai-e-vem. Parece meio bobagem, meio ficção científica, mas lembro claramente de há não muitos anos ler uma notícia de um experimento que fizeram numa cidadezinha americana. Isso foi lá pelo fim dos anos 1970 ou começo dos anos 1980, quando só usávamos cheque e papel-moeda para pagarmos as coisas. Nessa cidadezinha, por uns tempos, não circularia dinheiro em papel-moeda. Tudo seria pago com o cartão magnético, que era uma novidade. Na época achei incrível, coisa do futuro. Mas olhem só o que acontece agora; raramente usamos dinheiro além de uns trocados. Maiores somas em dinheiro vivo, só para compra e venda de políticos. Hoje o uso do cartão chega a tal ponto, que até muitas igrejas evangélicas “aceitam” que os dízimos sejam pagos com cartão, ali mesmo no meio do culto. Em vez daquela sacola puída com dinheirinho amassado, o pegador da grana já vem com a maquininha de passar cartão e o dinheiro vai direto para o céu pra pagar o seu terreninho lá. Muito prático. O futuro está chegando cada vez mais rápido Nesse futuro, não haverá lugar para o petróleo, pois ele está acabando. Não dura mais que 30 ou 40 anos, o mesmo tempo que passou de 1970 pra cá. E não vai ser assim, um certo dia vem uma “autoridade”, como o Lula, dizer: “Olha pessoal, acabou o petróleo! Finito. Michou o carbureto! ”Antes disso virá uma absurda subida de preço e o uso do petróleo ficará cada vez mais restrito a setores essenciais. A isso se soma o combate ao aquecimento global. E nós que gostamos de carro? O que faremos? Andaremos de ônibus elétrico? Bicicleta? Sim, porque não, mas o carro como transporte individual não vai acabar; só precisamos desenvolver uma nova fonte de energia, e ela está sendo desenvolvida e está em estágio avançado. Dessas todas que andei estudando, e perguntando a quem entende, creio que a mais viável é a elétrica. Esta semana estive com um professor da USP, o dr. Vinícius Rodrigues. Especializado em mecatrônica, ele faz parte da equipe que construiu um carro brasileiro movido a energia solar que competiu na Austrália e na Grécia. Nossa conversa foi muito proveitosa e esclarecedora, mas girou sobre muitos assuntos, pra mim ainda não conclusivos de tanto que tínhamos para conversar. Fui convidado a visitar a “oficina-laboratório” e quando o fizer escrevo aqui. Mas, por enquanto, vamos a alguns dados ainda meio desencontrados, mas interessantes. O Brasil é o 4o maior emissor de gás carbônico na atmosfera. 75% de nossas emissões provêm da queima de mata, ou seja, além de emitir CO2 pra caramba, nós acabamos com as árvores que retiram o gás da atmosfera. Um crime duplo vergonhoso. Segundo o jornalista Washington Novaes, no mundo o transporte é o responsável por 18,6% das emissões de CO2. Já no Brasil essa porcentagem é de 40,7%. Isso porque poucos países têm o privilégio de ter tanta energia hidrelétrica como nós, e são obrigados a gerar muita energia queimando os poluidores carvão, gás e petróleo. Conclui-se que São Paulo é o fedorento emissor de gases do Brasil. Vamos ao carro-solar O carro-solar, na verdade, é elétrico e, segundo o professor Vinícius, é um exagero necessário. Vamos ao por que. A placa de células fotoelétricas gera energia elétrica que carrega uma bateria e essa bateria toca o motor elétrico. Portanto, é um carro peculiar, que capta sua própria energia. Essa bateria poderia ser carregada na tomada de casa (ou galpão da fábrica) para depois o carro andar. A placa de células fotoelétricas poderia ficar no telhado, carregar uma bateria e essa bateria carregar a bateria do carro. O carro fica menor e mais leve sem ter que carregar a própria placa, além de poder ser muito mais potente. Mas o carro-solar e as competições, que fazem cruzando a ensolarada e plana Austrália de norte a sul (3.000 km) – fora outras corridas na Europa, Japão, EUA –, são um excelente laboratório de pesquisas. Cada vez fazem placas mais eficientes, cada vez motores e baterias mais leves e eficientes, carros mais aerodinâmicos etc. Como já disse em matérias anteriores, as corridas são o melhor laboratório, pois os participantes, por tesão, dão seu máximo. Desenvolvendo esses carros-solares, desenvolvem-se os carros-elétricos do futuro. Carro-elétrico não precisa ser xoxo, só pra “hippie metido a verde”. Já escrevi sobre o carro-elétrico Tesla, da Califórnia, que faz de zero a cem em 4 segundos, dá mais de 200km/h, tem autonomia de 400km e custa U$ 100 mil. Fora o Fétiche, fabricado em Monte Carlo, que tem mais ou menos o mesmo desempenho. Portanto, nada tema! Não vamos ter que ficar andando devagarinho de carro elétrico morrendo de sono. O carro-solar vencedor da corrida australiana, da equipe holandesa, fez uma média de 103km/h nessa corrida de 3.000 km. Média, rapaz! Média! E numa estrada aberta, cruzando com carros e caminhões. E tudo isso só com a energia do Sol que conseguia captar na sua placa de 9mý. Bom, como disse, as coisas ainda estão meio confusas, com os dados só entrando na cabeça, e ainda não ordenei para ter a fórmula que vai resolver os problemas do mundo. Em breve, tomo um porre, me candidato a presidente, continuo de porre e resolvo a parada. Por enquanto, estou muito curioso para visitar o laboratório do professor Vinícius. Ele tem uns 30 anos, é muito inteligente e sangue bom. Um novo bom amigo e estou muito contente com isso.
Arnaldo Keller |