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PRECISAMOS NOS MEXER, E LOGO
Às quinta-feiras, 21:00h, o Discovery Channel tem passado um excelente programa: “Carros do Futuro”. Costumo pegar papel e caneta para ir anotando nomes de carros e fábricas malucas e depois ir conferir na Internet. Um designer muito criativo que sempre aparece no programa é o coroa oitentão Luigi Colani (http://www.automorrow.com/articles/auto89press.html). Ele desenha tudo, de carro a piano; de caminhão aerodinâmico à poltrona, aviões etc. É obcecado por aerodinâmica. Se vamos pensar no futuro temos que pensar em economia de combustível, seja o combustível que for. Quanto menor o arrasto aerodinâmico, menor é a potência necessária para o deslocamento. Menor a potência, menor é o consumo. Pena que nem todas as fábricas divulguem o Cx (coeficiente aerodinâmico) de seus carros. A aerodinâmica é tão importante, que ela, hoje, é o fator que mais influencia no desempenho dos carros de Fórmula1. A grande luta é fazer com que o carro fique o mais estável possível oferecendo o mínimo de resistência ao ar possível. Hoje, a tecnologia da Fórmula1 é o que há de mais avançado em termos de aerodinâmica, só comparável à industria aeronáutica. Em termos de motores a explosão, eles estão no topo, como sempre estiveram. Boa parte do que foi desenvolvido na Fórmula1, foi, e virá, para nossos carros. Pouco há para ser desenvolvido na Fórmula1 sobre motores a gasolina. Eles já sabem tudo. Em breve, por regras que entrarão em vigor, estarão obrigatoriamente usando combustíveis renováveis, ou seja, o etanol (álcool). Isso para que a tecnologia do uso certo do álcool se desenvolva na categoria e depois seja usada nos carros de rua. Fórmula1 é o laboratório das fábricas, além do circo. CONVERSA FIADA Eu já seria ainda mais radical. Acho que o álcool ainda não é solução para o aquecimento global, pois, afinal, o carro a álcool emite só 25% menos gás carbônico que a gasolina. Os defensores do álcool justificam que esse gás carbônico emitido, mais tarde será reabsorvido pelas folhas da cana, formando a celulose do próprio pé de cana. Oras, isso é conversa fiada, pois se em vez de cana essa terra estivesse plantada com outro vegetal, esse vegetal também estaria absorvendo o tal CO2, e não seria queimado, pois iria produzir alimento ou papel, ou roupa etc. Então, usar álcool não é solução. É só um paliativo um pouco menos mal que usar petróleo. É preciso baixar o índice de CO2 da atmosfera, e logo, senão, vamos nos ferrar. E pior que ferrar a nós próprios é ferrar nossos descendentes. Não será de governantes, políticos ou grandes grupos multinacionais que virá a solução. Esse pessoal está preocupado com outras coisas, como balanços financeiros ou de intenção de voto. A solução virá de onde menos se espera, de inventores-malucos desconhecidos e com poucos recursos, a não ser que o desenvolvimento dessa tecnologia seja forçado. COLHER ANTES DE PLANTAR Um jeito de forçar esse desenvolvimento é obrigar que novas fontes de combustível sejam usadas nos carros de corrida. Como? Por exemplo: que tal fazermos um campeonato de F1 paralelo, onde a propulsão fosse energia elétrica? Ou hidrogênio? Ou outro combustível comprovadamente não poluente? As mesmas equipes de F1 – hoje, a maioria pertence a fábricas multinacionais de automóveis, como Fiat, BMW, Mercedes, Honda, Toyota, Renault... – teriam que formar outras equipes, com outros pilotos, com carros movidos a um determinado combustível não poluente. Para o campeonato de pilotos da F1 não mudaria nada, mas para o campeonato das equipes, valeria a somatória da F1/gasolina e F1/combustível alternativo. Garanto que em poucos anos eles já estariam sabendo tudo a respeito de como melhor aproveitar essa nova fonte de combustível. Já teriam contratado os melhores cientistas do mundo e descoberto os melhores materiais etc. Isso daria público? Isso daria dinheiro? Eis a questão... Nestes tempos estúpidos em que estamos vivendo – cada um por si, imediatistas, tentando colher sem antes plantar –, ninguém vai tomar medida nenhuma desde que não rache de ganhar dinheiro com isso. O acidente da TAM mostrou bem que a ganância e o acúmulo de irresponsabilidades provocam o desastre. A INFRAERO, por medo político, liberou a pista sem as ranhuras no asfalto e sem o laudo do IPT, a TAM, para não suspender vôos, liberou para voar um avião com defeito no freio-motor, o comandante do avião, com medo de perder o novo emprego, topou pousar sob essas condições. E nós, o povo, morrendo esturricados, é que pagamos por isso, pois qualquer um de nós poderia estar lá nas mãos desses mentecaptos. O que os mentecaptos mais sabem é tranqüilizar o povo por meio de embromação. São treinadíssimos nisso. “Está tudo bem, sob controle, temos tempo etc., calma” A Terra está nas mãos desses mesmos mentecaptos, e se não nos mexermos logo, vamos todos esturricar nela.
Arnaldo Keller |