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PORSCHE E COBRA LARGANDO O PAU EM INTERLAGOS

Pois é. Durante o evento em Interlagos, pusemos uns clássicos pra rachar na pista. Era Corvette rachando com Mustang, Ferrari Dino com Porsche 914, réplica de Jaguar XK120 com réplica de Porsche Spyder 550, Lavínia da FEI com BMW Alpina, e por aí vai, todos embolados.

É legal ver essa variedade na pista, em vez dessas corridas monomarcas tudo igual que têm formado o automobilismo atual. Conto agora um pouco de cada um.

COBRA 427 – RÉPLICA

Esta réplica do Ford Cobra 427, fabricada pela QSH, Vinhedo, SP, segue fielmente as linhas do original. Seu grande mérito é, além de ter cuidadoso acabamento, sua engenharia. Projetado pelo engenheiro Ricardo Colombo – de raízes na Stock-Car –, tem chassi tubular de seção circular, bastante rígido, e isto permite que sua suspensão independente nas quatro rodas trabalhe com perfeição. O resultado é ter excelente estabilidade, tal qual tinha o Cobra original. Esse bom conjunto dinâmico permite que abrigue um motor bastante forte. O Cobra exposto tem sob o capô um V8 com 380cv – e o carro dá conta de controlar com tranqüilidade essa potência toda. Até há pouco tempo este era o único fabricante brasileiro que oferecia a opção da suspensão traseira independente. De dois meses pra cá, a Americar, outro bom fabricante de réplicas do Cobra, também passou a oferecer essa ótima opção.

Este carro tem o 3o melhor tempo para o 0 a 100 km/h nas medições até hoje feitas pela revista Quatro Rodas: fez em 5.4 segundos (eu guiando); só foi superado pelo Corvette Z06 e Ferrari F40. Todos os outros ele papou.

Mas ele não fez mais que a obrigação, já que a especialidade do Cobra 427 original era humilhar a todos com sua tremenda arrancada. Na sua época, início dos anos 1960, não havia quem batesse seu tempo no 0 a 100km/h: 4,8 segundos! E isso ele fazia usando só a 1a marcha, já que ela ia a 110km/h... Neste eu tive que botar, pelo menos, a 2a marcha, e nisso há perda de tempo.

O Cobra nasceu da genialidade de Carroll Shelby – um piloto texano que correu na Europa pilotando Maserati, Ferrari e venceu a 24 Horas de Le Mans de 1959 com um Aston Martin. No início dos anos 1960 ele tratou de unir a agilidade dos carros esportivos europeus aos potentes e confiáveis motores V8 americanos. Após tratar com a Ford, que queria um oponente ao Corvette da GM, acomodou um V8 Ford 289 ao roadster inglês A/C, batizando-o de Cobra após sonhar com o nome. Daí em diante os V8 cresceram, enfiaram-lhe um big-block Ford 427, e a potência foi para 485cv.

Ficha Técnica

  • Motor: V8 Ford 302 em que foram preparados cabeçotes, pistões, carburadores, comando de válvulas, virabrequim.
  • Potência: 380 cv
  • Torque: 33 kgfm (estimados)
  • Suspensão dianteira e traseira: independentes, duplo A, molas helicoidais e amortecedores telescópicos.
  • Freios a disco nas quatro rodas, os dianteiros ventilados
  • Peso: 1.050 kg
  • Velocidade máxima: 250 km/h (estimada) 0 a 100 km/h em 5,4 segundos

PORSCHE 911 CARRERA RS 1973

Este, dentre todos os modelos Porsche de rua, é o que exala mais cheiro de pista. Em 1972 o Campeonato Mundial de Marcas mudou as regras. Os motores não poderiam ter mais que 3 litros de cilindrada. Com isso, o imbatível Porsche 917, com motor 12 cilindros e 4,5 litros, não poderia mais competir. Ferrari, Matra, e os ingleses usando o motor Ford Cosworth, possuíam seus motores de 3 litros já provados e oriundos da F1. Já a Porsche não tinha. O jeito de continuar competindo no Mundial de Marcas era mudar de categoria, partindo para o grupo 4 da Gran Turismo.

Para tanto, a Porsche teria que ter como carro de linha ao menos 500 exemplares do modelo a entrar nas corridas. E assim nasceu o Carrera RS, um carro de rua praticamente pronto para entrar na pista. Carroceria de chapa mais fina, mais leve, vidros mais finos e leves, acabamento espartano, motor mais bravo – em suma, uma linhagem com menos peso e mais potência. Aerofólios atuantes para fincá-lo contra o solo, suspensão enrijecida com amortecedores Bilstein, barras estabilizadoras mais grossas, rodas e pneus mais largos, principalmente os traseiros, para segurar a característica traseira pesada do 911. Bancos mais leves, duros e envolventes, para o piloto sentir-se parte natural do RS.

É 150kg mais leve que o 911 normal, pesa só 960kg. Ar-condiconado? Tá louco? Isso pesa. Direção hidráulica? Esqueça. Bancos traseiros? Não, isso não é carro pra levar criança. Som? Pra quê, se já temos o do motor Porsche?

As origens do nome: Carrera – em homenagem à vitória da marca na Carrera Panamericana de 1954, quando Hans Hermann venceu em sua categoria e chegou em terceiro na geral pilotando um Porsche 550 RS Spyder. Corrida terrível que matou um bocado de gente – mais de 3.000km cruzando o México de sul a norte, com média horária, para ela toda, acima de 160km/h em estrada de pista simples. RS – Renenn Sport, em alemão, Esporte de Corrida.

Ficha Técnica

  • Motor: 6 cilindros boxer, refrigerado a ar, 2,7 litros
  • Potência: 210 cv a 6.300 rpm
  • Torque: 26 kgfm a 5.100 rpm
  • Tração: traseira (neste box não verás carro com tração dianteira...)
  • Desempenho: 0 a 100 km/h: 6,0 seg.
  • Vel. Máxima: 240 km/h

    www.gsh.com.br
    Fone: 19 – 8124.8124


    Arnaldo Keller
    arnaldokeller@yahoo.com.br

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