P:\Sites\Manutencao\Superauto\editorial\editorial_template_veneno30.htm

Publicado em 28/02/2002

Veneno - Chevettes bons de briga


veneno30a.gif (18899 bytes)Já disse uma vez que se tração dianteira fosse bom, os Fórmula 1 a usariam. BMW, Porsche, Ferrari, Mercedes, Maseratti... todos tração traseira. Por que será? Será que são bobos? Antiquados? Não, meus senhores. Algumas razões devem haver. Vamos a elas:

1- Num arranque mais forte, o peso do carro desloca-se para trás, aliviando as rodas dianteiras e sobrecarregando as traseiras. Portanto, pela lógica, tratemos de fazer com que as que estão fazendo mais pressão de encontro ao solo tenham a incumbência de fazer força. Teremos, por conseguinte, menos patinação e mais eficiência da potência despejada. Os de tração dianteira, por terem suas rodas tracionantes recebendo pouco peso (pois este foi lá pra trás) ficam patinando e, o que é pior, a força — caso não tenham um diferencial autoblocante — fica passando de uma roda para outra, ocasionando a ‘’ciscada’’ de frente que esses carros costumam dar.

Quem já dirigiu um dianteiro mexido sabe do que estou falando e também sentiu essa sensação desagradável de ter que ficar corrigindo um carro tonto que não sabe o que faz com a potência que tem...
— O patrão! Nós vamos pra aquele poste, ou pra aquela árvore ali?
— Vê se segue reto, ô idiota!

veneno30b.gif (20542 bytes)Vou tentar explicar em ‘’câmera-lenta’’ o que acontece: o diferencial, mecanicamente, escolhe para tracionar a roda que estiver fazendo menos força. Por que isso? É para nos ajudar a fazer curvas. Numa curva, a roda de fora terá que fazer menos força para empurrar o carro que a roda de dentro, imagine você mesmo empurrando-o... se você empurrá-lo estando pelo lado de fora da curva, você conseguirá fazê-lo mais facilmente. Assim sendo, tendo a tração na roda de fora, você será ajudado a completar a curva. Não é muito fácil entender, muito menos explicar... mas, vamos lá, de qualquer modo a roda que estiver fazendo menos força será a que vai tracionar e, numa arrancada com patinação, a roda tracionante empurrará a frente para um lado e você naturalmente vai corrigir isso, virando a direção para o outro lado. Ao fazê-lo, o carro dá uma balançada lateral e desloca o peso para o outro lado. O diferencial responde mudando a força para a outra roda e assim segue a bagunça até que se atinja uma velocidade onde cessará a patinação e o danadinho segue reto como deveria estar fazendo há muito tempo... Ufa!

2— Ao acelerarmos um carro numa saída de curva, criaremos uma nova força atuando no atrito entre o solo e o pneu. Esta nova força, quando atingir certa intensidade, provocará a perda de aderência entre ambos (patinação), ou seja, as ranhuras do asfalto, que até então se encaixavam com as do pneu (em física, atrito estático), não mais se encaixarão, pois o pneu estará virando com maior velocidade que deveria para haver o correto encaixe (atrito dinâmico). Moral da história, enquanto o pneu se agarrava como podia ao asfalto, chega você e cria outra força pra ele segurar, só resta ao coitado largar tudo de uma vez e depois que desgarra ninguém segura mais nada. É como se pendurar em uma corda. Parado é fácil mas, se você vier caindo, só o Tarzan pra segurar.

Conclusão, se essa perda de atrito for originada nas rodas dianteiras, você perderá o controle da direção. Se essa perda for na traseira, o carro desgarra de bumbum mas ainda lhe restará a direção nas mãos para agir. Ok?
— Falou de tudo, menos dos Chevettes!
— Espera aí! Tem um motivo. E esse é que, para os que gostam de tração traseira, como eu, só restaram os Fuscas, Opalas, Omegas e os queridos e desprezados Chevettes. Este artigo visa aumentar a auto-estima destes carrinhos, que hoje, apesar da idade provecta, ainda podem esfregar no chão o nariz de muito carrinho recém-saído da fábrica... desde que a gente dê a eles uma forcinha com preparações, vitaminas e hormônios. Claro que tudo com certos cuidados para não enfartar.

Meu amigo Eber está trocando a caixa de câmbio do seu Chevette por uma do Omega 2.2, pois quando o seu atingia 250 km/h, a 7200 rpm, certos rolamentos insistiam em estourar, impedindo então que ele pudesse ‘’deslanchar’’. O motor é um AP 2000 turbinado e já dá pra perceber o que vem por aí em próximos artigos... Mas, antes, com calma, começaremos preparando o coração original dos Chevettinhos mesmo. Depois partiremos para uns transplantes e outros recursos mais drásticos.
Aguardem, mas enquanto isso, vai vendo se aquela manicure ainda está usando aquele Chevettinho bem conservado...

veneno22b.gif (10934 bytes)




Por Arnaldo Keller - Consultoria técnica: Fábio Grecco


<<voltar

 Envie esta página para seus amigos


Enviar