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Já disse uma vez que se tração
dianteira fosse bom, os Fórmula 1 a usariam. BMW, Porsche, Ferrari, Mercedes,
Maseratti... todos tração traseira. Por que será? Será que são bobos? Antiquados?
Não, meus senhores. Algumas razões devem haver. Vamos a elas:
1- Num arranque mais forte, o peso do carro desloca-se para trás, aliviando as rodas
dianteiras e sobrecarregando as traseiras. Portanto, pela lógica, tratemos de fazer com
que as que estão fazendo mais pressão de encontro ao solo tenham a incumbência de fazer
força. Teremos, por conseguinte, menos patinação e mais eficiência da potência
despejada. Os de tração dianteira, por terem suas rodas tracionantes recebendo pouco
peso (pois este foi lá pra trás) ficam patinando e, o que é pior, a força caso
não tenham um diferencial autoblocante fica passando de uma roda para outra,
ocasionando a ciscada de frente que esses carros costumam dar.
Quem já dirigiu um dianteiro mexido sabe do que estou falando e também sentiu essa
sensação desagradável de ter que ficar corrigindo um carro tonto que não sabe o que
faz com a potência que tem...
O patrão! Nós vamos pra aquele poste, ou pra aquela árvore ali?
Vê se segue reto, ô idiota!
Vou tentar explicar em câmera-lenta o que
acontece: o diferencial, mecanicamente, escolhe para tracionar a roda que estiver fazendo
menos força. Por que isso? É para nos ajudar a fazer curvas. Numa curva, a roda de fora
terá que fazer menos força para empurrar o carro que a roda de dentro, imagine você
mesmo empurrando-o... se você empurrá-lo estando pelo lado de fora da curva, você
conseguirá fazê-lo mais facilmente. Assim sendo, tendo a tração na roda de fora, você
será ajudado a completar a curva. Não é muito fácil entender, muito menos explicar...
mas, vamos lá, de qualquer modo a roda que estiver fazendo menos força será a que vai
tracionar e, numa arrancada com patinação, a roda tracionante empurrará a frente para
um lado e você naturalmente vai corrigir isso, virando a direção para o outro lado. Ao
fazê-lo, o carro dá uma balançada lateral e desloca o peso para o outro lado. O
diferencial responde mudando a força para a outra roda e assim segue a bagunça até que
se atinja uma velocidade onde cessará a patinação e o danadinho segue reto como deveria
estar fazendo há muito tempo... Ufa!
2 Ao acelerarmos um carro numa saída de curva, criaremos uma nova força atuando no
atrito entre o solo e o pneu. Esta nova força, quando atingir certa intensidade,
provocará a perda de aderência entre ambos (patinação), ou seja, as ranhuras do
asfalto, que até então se encaixavam com as do pneu (em física, atrito estático), não
mais se encaixarão, pois o pneu estará virando com maior velocidade que deveria para
haver o correto encaixe (atrito dinâmico). Moral da história, enquanto o pneu se
agarrava como podia ao asfalto, chega você e cria outra força pra ele segurar, só resta
ao coitado largar tudo de uma vez e depois que desgarra ninguém segura mais nada. É como
se pendurar em uma corda. Parado é fácil mas, se você vier caindo, só o Tarzan pra
segurar.
Conclusão, se essa perda de atrito for originada nas rodas dianteiras, você perderá o
controle da direção. Se essa perda for na traseira, o carro desgarra de bumbum mas ainda
lhe restará a direção nas mãos para agir. Ok?
Falou de tudo, menos dos Chevettes!
Espera aí! Tem um motivo. E esse é que, para os que gostam de tração traseira,
como eu, só restaram os Fuscas, Opalas, Omegas e os queridos e desprezados Chevettes.
Este artigo visa aumentar a auto-estima destes carrinhos, que hoje, apesar da idade
provecta, ainda podem esfregar no chão o nariz de muito carrinho recém-saído da
fábrica... desde que a gente dê a eles uma forcinha com preparações, vitaminas e
hormônios. Claro que tudo com certos cuidados para não enfartar.
Meu amigo Eber está trocando a caixa de câmbio do seu Chevette por uma do Omega 2.2,
pois quando o seu atingia 250 km/h, a 7200 rpm, certos rolamentos insistiam em estourar,
impedindo então que ele pudesse deslanchar. O motor é um AP 2000
turbinado e já dá pra perceber o que vem por aí em próximos artigos... Mas, antes, com
calma, começaremos preparando o coração original dos Chevettinhos mesmo. Depois
partiremos para uns transplantes e outros recursos mais drásticos.
Aguardem, mas enquanto isso, vai vendo se aquela manicure ainda está usando aquele
Chevettinho bem conservado...

Por Arnaldo Keller - Consultoria técnica: Fábio Grecco
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