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O AUTOMOBILISMO ATUAL
O automobilismo atual está uma bela porcaria, desde a Fórmula 1 à Stock-Car Brasileira. Se me permitem, descerei o pau. O estonteante sucesso do novato Lewis Hamilton é um ótimo exemplo do baixo nível em que a Fórmula 1 está. O rapazinho chega e sem mais nem menos bota todo mundo no bolso. Como diria o Lula se substituísse o Galvão Bueno: “Nunca na história da categoria tivemos um exemplo desses...” E nunca mesmo. Nem Fangio, nem Clark, nem Senna, nem Schumacker. Todos esses incontestáveis gênios chegaram arrebentando, mas nem tanto, não desse jeito arrasador. Cadê a experiência do bicampeão Alonso? Cadê as manhas, o traquejo, o longo aprendizado das pistas e dos boxes? Isso não serve mais pra nada, está provado pelo Hamilton. Poderíamos dizer que o seu MacLaren é muito superior aos outros carros. Tudo bem, o MacLaren está superior, mas o Hamilton está dando olé também no espanhol, seu companheiro de equipe, o “experiente” bicampeão... E eu estou adorando, pois sempre achei o Alonso muito metido a besta. Sou meio mau, adoro ver os prepotentes caírem das nuvens. Me delicio observando suas caras ao tentarem dar explicações para a surra que estão levando. E isso serve pra todo mundo, todos os metidos a tal; não é só pra piloto, não. Mas acontece que o bicampeão Alonso é um inexperiente também. Se fosse mais vivido saberia que foi a Renault quem ganhou os campeonatos para ele. Partindo disso, seria menos metido. O Hamilton está lhe dando uma boa lição de humildade e isso sim é que é ganhar experiência. Um homem experiente é humilde. Enquanto não for humilde não é experiente. E então? Cadê a experiência do Hamilton? Será que a Fórmula 1 já não apresenta mais desafios, segredos que levam anos para ser desvendados? Parece que não. O Kimi Raikkonenn é outro blefe. Bebe pra burro. Enche a cara direto. É um rapaz apático. Só joga videogame e bebe vodca. Rói as unhas até o talo. Esse não é o perfil de um “homem de gelo”. Esse, depois dos ralos que o nosso querido Massa sucessivamente anda lhe dando, vai cair no ostracismo. Conheci o Massa quando ele foi pilotar um Fórmula Fitti-Vê de 1967 em Interlagos. Era para o programa água-com-açúcar de carro que passa no Domingo de manhã na Globo. Eu já guiara o fórmula e escrevera sobre ele para uma revista de clássicos e o dono do carro me pediu para ajudar a orientar o Massa na história dos Fórmula Vê, porque disso o Massa não sabia nada. Fui e adorei o Massa. Gentilíssimo, teve uma paciência enorme esperando o rolo que são as filmagens. Humildemente cumprimentou a todos, conversou de igual para igual com todos. A partir daí, torço por ele, pois ele é sangue bom. Tá na cara que é sangue bom. Só sei que a correia da ventoinha do motor Fusca do Fitti-Vê travou na Curva do Laranja e começou a sair uma fumaceira danada e o rapazinho freiou, jogou o carro na grama e saltou como se tivesse uma mola no banco. Nunca vi um cara tão rápido! Porca manivela! Disse que por nada correria com um carro daqueles. Que os caras da época, Emerson, Wilsinho, Chico Lameirão, Pace etc - eram malucos, pois o carro é muito frágil. Os caras eram malucos, sim, mas esse era o único jeito de correr. O Massa é pequenininho. Meio fracote, desses que se encherem muito o saco a gente dá um tapa no traseiro e o leva debaixo do braço. Só o pescoço é desproporcionalmente grosso, desses que o cara tira a camisa pela cabeça sem desapertar o nó da gavata, já que o pescoço é mais largo que o crânio. Hoje a Fórmula 1 não mais exige uma munheca grossa igual do Fangio, nem a musculatura geral que o próprio Senna foi obrigado a desenvolver. Hoje é coração, pulmão e... pescoço, pra agüentar a força G. É necessária muita saúde, mas não muque. O Rubinho Barrichello é outro gentil boa-praça. Também o conheci e tive o grande prazer de ser levado de carona por ele. Era num autódromo e num Gol de corrida e já descrevi essa experiência anos atrás nesta coluna. Pilota pacas. Nunca vi nada igual, nada tão rápido, preciso e constante. Uma máquina. Fez o carro andar mais do que podia e mesmo assim a segurança era tanta que eu poderia ir tomando um sorvete muito sossegado. O tal Jason Button – o inglês que todos falavam que ia dar pau no Rubinho quando os dois se encontraram na Equipe Honda – só toma samba. Esperneiem os ignorantes o quanto quiserem, critiquem o quanto puderem, mas desde a morte do Senna, há 13 anos, o Rubinho tem sido nosso melhor piloto. Os outros aparecem, prometem e somem. O Rubinho fica. Porque será? Será que os chefes de equipe são tontos? Será que ele não vale os milhões de dólares que recebe? Não foi campeão na F1 até agora e pelo jeito já desistiu de ser, mas na F1 atual os campeões são campeões mais pela obra do acaso que por mérito próprio. Perdeu a graça. Os campeões não mais merecem o respeito. E ano que vem deve vir o Piquezinho para a F1. Espero que ele não seja mais um “Jaboti no galho da árvore”. Jaboti não sobe sozinho em árvore. Alguém o coloca lá. Vamos ver. No mais, continuo com sono quando assisto as corridas de F1. Aquela fila indiana daqueles carrinhos que andam tudo certinho na linha, controlados por milhares de sistemas eletrônicos, é o melhor sonífero. Veremos se melhora essa joça no ano que vem, quando eles tirarem o controle de tração. Aí veremos quem sabe acelerar na dose certa.
Arnaldo Keller |