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MAIS DOIS PORSCHINHOS EM INTERLAGOS
Com o intuito de incentivar a disseminação das réplicas de clássicos no Brasil, convidei sete réplicas para serem expostas no meu box de clássicos do evento que fizemos em Interlagos. Além de expostas, elas iam para a pista participar de nossa corrida de clássicos. As réplicas brasileiras estão cada vez melhores e os Cobra da QSH e da Americar estão realmente bons de suspensão. As outras, como as de Porsche da Chamonix descritas adiante, ainda faltam ficar boas de chão, pois estão se dedicando mais à estética, já que a maioria dos compradores não entende lhufas. Mas, aos poucos, os compradores sendo mais bem informados pedirão carros com melhores conjuntos. Só beleza não põe mesa. Este ano a rastreadora de veículos Tracker Lojack nos patrocinou. Vamos às réplicas da Chamonix: PORSCHE 550 SPYDER – RÉPLICA
Produzido pela maior fábrica de réplicas do Brasil, este modelo é um sucesso aqui e no exterior. A maior parte da produção da fábrica – cujo total é de 180 unidades/ano – é exportada aos Estados Unidos. Agora com as dificuldades de exportar devido ao dólar barato, estão olhando mais para o mercado interno. Este modelo tem duas opções de motor, ambos zero-km: o VW 1600 refrigerado a ar ou o VW AP 1.8 refrigerado a água. O que está exposto tem motor AP 1.8, a mais potente das opções. Além do motor mais forte, os que têm motor AP vêm com suspensão traseira do sistema De Dion, o que o torna mais estável nas curvas. Lançado em 1952, o original 550 RS Spyder foi o primeiro modelo da fábrica Porsche especialmente projetado para competições, pois até então era o modelo 356 que a representava nas corridas. Apesar da enorme resistência do 356, seu defeito era o motor posicionado atrás do eixo traseiro, pendurado, o que o fazia de difícil controle nas curvas, exigindo uma perícia especial dos pilotos. Para competir, a Porsche voltou às suas origens, buscando a concepção dos Auto Union “Flechas de Prata” da década de 1930, modelos com motores entre-eixos, traseiros, que saíram da mesa de projetos do velho Professor Dr. Ferdinand Porsche. E assim nasceu o 550o projeto da Porsche (os números que designam os modelos Porsche vêm da ordem em que foram projetados, tal qual, 356o, 911o, 917o, 993o). O 550 logo de cara mostrou ser a referência na categoria, venceu Le Mans, Targa Florio, Carrera Panamericana, ou seja, onde entrasse, vencia, pois aliava resistência, leveza, boa potência para a cilindrada, ótima estabilidade e ótima aerodinâmica. Dava trabalho também para os grandões, muitas vezes vencendo Ferrari e Maserati com o dobro da sua potência. Foi com um desses que James Dean conseguiu, finalmente, se matar. Ficha técnica Motor: AP 1.8 Flex-fuel: 4
cilindros em linha, central-traseiro.
PORSCHE 356 SPEEDSTER – RÉPLICA O Speedster Chamonix tem motor zero-km VW 1600 refrigerado a ar. O 1600 é original, tem injeção direta e rende 67cv. Devido à sua leve carroceria de plástico reforçado com fibra de vidro, este carro pesa somente 650kg, ou seja, uns 100kg menos que um Fusca. Assim sendo, tem boa relação peso:potência. Caso ache que a potência não é suficiente para seus anseios, há muitos modos de envenenarmos um motor VW a ar... Tendo o centro de gravidade bem baixo, a carroceria pouco oscila nas curvas, o que o torna um delicioso brinquedo de gente grande, desde que não se abuse, pois as suspensões são exatamente iguais as do Fusca. A Porsche, desde o princípio quando lançou o 356 em 1948, sempre foi muito rigorosa quanto à qualidade de seus produtos – o material usado, a precisão de suas peças, a engenharia aplicada. Mas isso, obviamente, tem um custo, daí que sempre teve carros caros. Caros e bons, eficientes – uns danadinhos de rápidos tanquinhos de guerra. Com a volta para casa dos soldados norte-americanos que enfrentaram a 2a Guerra, floresceu nos EUA o bom costume inglês de promover as corridas de fins-de-semana, as conhecidas club-racings. Quem melhor que um 356 para agüentar esses pegas no domingo e, após um banho, no dia seguinte ir pra faculdade ou trabalho? O problema era o preço do modelo, muito caro. Daí que o importador americano encomendou à Porsche um modelo com preço e perfil para esse potencial comprador. E assim, em 1956, nasceu o Speedster. Linhas ainda mais aerodinâmicas, carroceria mais leve, pára-brisa e pára-choques fáceis de serem retirados, bancos de competição, sem janelas nas portas, painel espartano – um roadster, a essência do prazer ao volante. Ficha Técnica Motor: VW a ar, 4 cilindros boxer,
1.600 cmÅ, injeção direta.
Arnaldo Keller |