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MEU BOX DE ESPORTIVOS CLÁSSICOS Sabem o que eu espero dele?
Nos fins de semana dos dias 2, 3, 9 e 10 de Junho terei no evento Quatro Rodas Experience, um box com 12 carros esportivos clássicos e esportivos nacionais. Os carros, claro, não são meus (pena), mas sim de convidados. Eis a lista dos clássicos: Corvette Sting Ray 1963, Ferrari Dino GT 1971, Porsche Carrera RS 1973, BMW Alpina 1974 (que foi do Emerson Fittipaldi). Os esportivos nacionais são réplicas, pois infelizmente neste país, fora o Lobini, esportivo mesmo só réplica: Cobra, Jaguar XK 120, Porsche Speedster, Porsche 550 Spider, Lotus Seven, Alpine. Além das seis ótimas réplicas, um Hot Rod T-Bucket (que já foi matéria do Superauto) e um Spyder PW1 de corrida. Nesses dias, por volta das 12:30, toda essa nata sairá para uma corridinha café com leite na pista. Os amigos leitores estão convidados a nos visitar. Estarei no box para, com muito prazer, recebê-los e lhes mostrar os carros nos mínimos detalhes. Poderão xeretar a vontade. Pra quem gosta de ronco saudável de carro de verdade, é legal estar no box na hora da turma ligar os motores... Conto agora um pouco deles: FERRARI DINO GT 1971
O nome do modelo provém do motor, que é da “linhagem” Dino dos Ferrari – motores V6 de cilindrada baixa, cuja boa potência resultava de obter altas rpm. Alfredo – filho de Enzo Ferrari, e apelidado de Dino – era obcecado em construir motores menores, mais leves e com potência específica (cv:cilindrada) alta. Em meados da década de 1950, juntamente com o experiente engenheiro Vittorio Jano (ex-Alfa Romeo e Lancia), projetou a arquitetura desses motores V6. Uma doença grave tirou a vida ainda jovem de Dino logo em seguida, porém, seu trabalho frutificou e seus motores passaram a trazer inúmeras vitórias à marca, dentre elas o Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1961. Phill Hill estava ao volante desse Ferrari, o 156 F1, motor Dino V6 de 1,5 litro de cilindrada, modelo mais conhecido como “nariz de tubarão”. No ano seguinte, o esporte-protótipo Dino 206 S, projetado por Joacchino Colombo, venceu o Campeonato Europeu de Montanha, e foi esse modelo – de motor central-traseiro, design fluido e belo – que inspirou as linhas dadas pela Pininfarina ao Gran Turismo aqui exposto. Lançado em 1967, como o primeiro Ferrari Gran Turismo de motor central-traseiro, trouxe para as ruas o que havia de mais moderno nas pistas. Sua suspensão primorosa lhe dá comportamento impecável nas curvas – reações rápidas, agarrado ao chão como se estivesse num trilho. Dirigi-lo numa pista, acelerando o sonoro e “virador” V6 a cada saída de curva, é sentir os melhores prazeres que os esportivos são capazes de oferecer. Os atuais Ferrari F430 descendem deste modelo, pois o conceito é o mesmo.
CHEVROLET CORVETTE STING RAY 1963
A geração Sting Ray, surgida em 1963, representou um grande salto de qualidade para os modelos Corvette. Até então, os Corvette tinham linhas esportivas, motores potentes, eram relativamente leves devido à carroceria em plástico reforçado com fibra de vidro, mas careciam de chassi, suspensão e freios condizentes. Ou seja, eram bons de reta, mas ruins de curva. O inglês Jaguar E-type, lançado em 1961, entrou no segmento matando a pau. Era relativamente barato e bom de tudo, e muitos E-type estavam sendo importados para os Estados Unidos, o que incomodava Detroit. O Sting Ray foi a resposta certeira da GM. Linhas ousadas e revolucionárias, várias opções de potentes e torcudos motores V8, e, principalmente, uma bem arquitetada suspensão traseira independente, com feixe de molas transversal. Seu longo capô é, além da estética, a conseqüência de recuarem o motor para trás do eixo dianteiro, posicionando-o como central-dianteiro. Com isso conseguiram sua excelente distribuição de peso: 50% no eixo dianteiro/ 50% no eixo traseiro. O Corvette, então, mudou da água para o vinho, passando a ser um esportivo para quem realmente entende e gosta de uma pilotada mais refinada. Neutro em curvas, desgarra com as quatro quando atinge seu limite de aderência. Motor torcudo e elástico – com enorme potência desde baixas rpm – acelera feito uma bala de canhão quando despejamos seus 300 cv a cada saída de curva, nos espremendo de encontro ao banco e gostosamente nos tirando o ar dos pulmões... O modelo exposto é uma raridade, pois é um dos poucos Split Window (Janelas Separadas, em referência à janela traseira dividida) no Brasil. Essa configuração da janela traseira só foi adotada nesse primeiro ano, pois, apesar de bonita, atrapalha a visão. Seu nascimento se deve aos esforços dos então diretores de design e engenharia da GM, Bill Mitchell e Zora Arkus-Duntov, respectivamente. Seus nomes enobrecem a história da GM.
Arnaldo Keller |