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Boas Novas da Americar
Já faz quase cinco anos, quando em agosto 2002 conheci a AmericarVeículos, em Santo André, SP. Seus carros já eram bem acabados, muito bonitos, e tinham bom comportamento – a maioria vinha com suspensões dianteira e traseira dos Opalas, com outro conjunto de molas e amortecedores. Observei a ele que seria bom estudar uma suspensão ainda melhor, mais refinada, independente. Ele concordou, porém, observou que o cliente não demandava isso, não pedia isso, e que uma suspensão mais sofisticada encareceria o produto, deixando-o mais caro que os dos concorrentes, inviabilizando o negócio. Eu disse que, por enquanto, na época, os clientes não entendiam lhufas, mas que em breve passariam a entender e daí pediriam e não se incomodariam de pagar mais caro para ter algo melhor. Ficamos amigos sinceros. Ontem voltei à Americar – agora não mais um apertado fundo de quintal, mas uma bela fábrica de uns 1.500 a 2.000 mý, na mesma cidade – e vi que ambos estávamos certos, o Cleber e eu. A Americar cresceu, melhorou em todos os sentidos. Nos delicia constatar isso, vendo um monte de gente trabalhando firme em belíssimos carros. Réplicas de Jaguar XK120, Cobra 427 e Thunderbird sendo montadas e recebendo os finalmentes. E não é que o Rex voltou a ser o primeiro a me receber ao portão? Com o mesmo olhar sério, chegou-se a mim, cheirou minha canela ossuda, voltou-se e saiu caminhando por entre os carros. Segui-o, e ele foi para junto do Cleber, que mexia num chassi de Cobra. Eficiente e objetivo esse Rex. PAPA FINA
E aí o Cleber passou a me mostrar a novidade número 1: uma primorosa suspensão recém importada dos Estados Unidos. A suspensão traseira provém do Jaguar E-type, independente, com freios a disco que costumamos chamar de “in-board”, ou seja, dentro do corpo, pois eles estão junto à caixa do diferen-cial e não nas pontas de eixo. Isso alivia o peso do conjunto da suspensão, deixando-a levinha, rápida, propiciando que os pneus se mantenham sempre colados ao chão. Diferencial reforçado, autobloqueante. Babei. Isso sim! Êta nóis! Isso é papa fina. A suspensão dianteira, também importada dos EUA, segue igual à do Cobra original. Desse modo seu conjunto de suspensões fica igual ao do Cobra 427 original, que era um carro muito rápido nas curvas, coisa que pouca gente sabe, pois sua fama veio mais de sua arrancada inigualável. A suspensão está sendo copiada por fornecedores da Americar para ser fabricada aqui, visando custo mais baixo. Novidade 2: Cobra com carroceria de alumínio!!! Belíssima! Um trabalho de artista. Além de bela, é mais leve que a de plástico reforçado com fibra de vidro. É uns 110 kg mais leve, e isso resulta em ganho na relação peso:potência, tornando o carro mais rápido na arrancada e mais ágil nas curvas. Ettore Bugatti, quase um século atrás, já dizia: “O peso é o nosso inimigo!”. Os Cobra originais foram feitos com carroceria de alumínio. Os Cobra de alumínio da Americar em breve estarão nas ruas. Esses terão as novas suspensões acima descritas e certamente serão a papa mais fina dos Cobra no Brasil. Na fábrica há duas. Uma, a mais fosca na foto, será pintada de vermelho e a outra, a mais brilhante na foto, ficará assim mesmo, com o alumínio exposto; uma obra de arte.
FORD GT40 Novidade 3: Réplica do Ford GT40!!!! Acabou de chegar uma réplica inglesa do GT40. Após anos de sondagens, o Cleber elegeu essa fábrica inglesa como a melhor. De tão bem replicada, 95% de suas peças encaixam no original. Carroceria e peças estão sendo copiadas pela Americar e seus fornecedores, sendo que alguns detalhes, diz o Cleber, serão até melhorados. Esse vai ser o bicho! Terá motores Ford V8 zero-km, importados da Ford Racing, com opção para 350, 480, 520 ou 580 cv. Saibam que isso é mais potência que o original, que chegava a mais de 320 km/h na longa Reta Mulsanne, em Le Mans. Há uns dois anos tive a oportunidade de andar no único GT40 que havia no Brasil – e que, infelizmente, foi vendido para o exterior. O original que andei tinha uns 450 cv e era um monstro na pista. Andava barbaridade. Sua especialidade era a alta velocidade, pois parecia que quando passava dos 200 km/h é que ele se espreguiçava e dizia: “Bom, meu chapa, agora é que vamos começar a brincadeira!”. Agarrava-se ao chão como grude e sentíamos o peso do capacete esticando nossa cabeça pro lado de fora da curva... Um ronco fenomenal. Motorzão V8 colado às nossas costas urrando de dar medo. Carro de macho. Tirei fotos do GT40 do Cleber, porém, a seu pedido, não as divulgarei, pois o carro está ainda sem pintura e acabamento, e ele só quer mostrar o carro para o público quando estiver pronto. Obedeço, pois quero continuar a ser bem recebido pelo Rex. E daí, pra matar a dor de barriga que sentimos quando vemos tanto carro tesudo, fomos dar uma volta num Classic XK120. Motor Omega 6 cilindros. Lindo carro. Desfilava sua longa frente com muita classe. Motor torcudo, de funcionamento suave, que, sem muito alarde empurra que é uma beleza. Um Cobra, caso seu motor V8 Ford 302 estiver sem preparação, passará apertado com esse Classic XK120 – isso se não levar pau. Ainda vou colocar os dois para brigar... Parabéns, amigo Cleber! Os que têm paixão por carros de verdade te saúdam e desejam ainda mais sucesso!
Arnaldo Keller |