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Réplica de grandes clássicos feitos no Brasil

O trabalho deu-me a oportunidade de dirigir dezenas de carros antigos clássicos, sendo que a maioria deles, esportivos. Pense num desses carrões aí e pode estar certo que já devo tê-lo guiado. Gostoso, não é? Bem, nem tão gostoso quanto muitos imaginam, pois boa parte desses clássicos, apesar de bonitos, tinha problemas mecânicos. Poucos estão realmente em perfeito estado geral. Freios ruins, motor falhando, marcha arranhando, e por aí vai, pois nem todos os proprietários cuidam da mecânica tanto quanto zelam pela beleza. Outro problema é a grana preta que se gasta pra deixar esses carrões antigos nas pontas dos cascos. Se ainda por cima formos contar o valor da compra do carro, então aí, meu amigo...

Mas são carros muito bonitos, charmosos, com personalidades marcantes, românticos... E o que nós não fazemos por um bom romance, hem? A vida sem romance não tem graça. Então, qual a solução para que esse romance não se torne um pesadelo? As réplicas dos carrões. Elas não têm a aura completa que têm os originais, mas são também lindas e muito mais práticas, além de muito mais em conta.

No Brasil já estamos produzindo e exportando várias boas réplicas de carros clássicos. Modelos cujos originais valem cifras estratosféricas. Por exemplo:

  • Ford Cobra 427: o original vale mais de R$ 1.200.000,00.
  • Porsche 550 Spyder: R$ 1.500.000,00
  • Porsche 356 cabriolet: R$ 200.000,00
  • Porsche Speedster: R$ 200.000,00
  • Jaguar XK 120: R$ 300.000,00

Dá pra encarar? E dá pra encarar manter o bicho, comprar peças antigas de um sujeito mal-humorado que não faz a mínima questão de te vender uma peça que valoriza o dia a dia? Eu, particularmente, não tenho paciência pra isso, e muito menos bufunfa, grana.

Faixa brega

O gozado é que muitas réplicas são melhores de guiar que seus originais; o XK 120 é um exemplo. Já guiei bastante os dois e não me restam dúvidas quanto a isso. As vantagens práticas da réplica do XK são: motor 4,1 litros do Omega recondicionado – um excelente motor, potente, elástico, bruto, praticamente indestrutível, e que, com pouca preparação, passa fácil dos 200 cv. Já o motor do XK original tem, se estiver como quando nasceu, 160 cv. Além do motor, o câmbio de Omega com 5 marchas, enquanto o original tem 4, e com 1a marcha e ré não sincronizadas. Suspensão mais moderna, de Opala, o que lhe dá mais estabilidade que o original. Peças novas, tudo novo; você pode sair sossegado pra viajar sem capota com a gata animada e dar uns ralos mais fortes no carrão que não vai sair voando biela pelo capô. Se você tiver bom-senso e bom-gosto, caprichando em detalhes, como importar um painel de instrumentos da Smiths, igual ao original, além de um bom volante também próximo ao original, você terá um carro indubitavelmente chic. Dispense a faixa branca nos pneus porque ela é, e sempre foi, brega, ainda mais num esportivo. Deixe isso pro nosso Rolls-Royce que emprestamos pro Lula.

A Americar fabrica essa réplica do XK120 em Santo André, SP. e a vende por R$ 85.000,00, completinha. É só virar a chave da partida e ir embora.

E os Cobra? Há três fabricantes de Cobra. Eles baseiam seus modelos em moldes tirados da antiga réplica (década de 1980) feita pela brasileira Glaspac: Americar, Newtracke e QSH. Os três ficam na mesma faixa de preço, R$ 85.000,00, e têm mecânica semelhante; todos com motor V8 Ford 302 recondicionado. A Americar usa suspensão de Opala na frente e de Maverick atrás. Já o Newtrack e o QSH usam suspensão de Opala nos dois eixos. A QSH, por dez mil reais a mais, também oferece o “Cobra Inglês”, como costumamos chamar o modelo. Esse é ainda mais fiel ao modelo original, pois tem pára-lamas traseiros menos encorpados e suspensão independente nas quatro rodas.

E os motores? Bom, os Cobra, originais ou réplicas, têm a característica de ter o motor ao gosto do dono. Já guiei Cobra com 200 cv, 240 cv, 350 cv, 380 cv, 500 cv, e já guiei com 1.200 cv. Escolha o seu. Eu ficaria na faixa dos 500 cv que já está bom. Mais que isso não dá pra aproveitar e é potência jogada fora. Lembre-se que o carro pesa ao redor de 1.100 kg, o mesmo que um VW Fox... Com 200 cv já arranca do zero a cem km/h na faixa dos 8 a 9 seg. Com 380 cv faz na casa dos 5 seg. Velocidade final? Bom, isso não é razoável procurar saber.

Porsche, Lotus e Ford

E os Porsche? Aí entramos no reino da Chamonix , cujos proprietários têm raízes na antiga Puma, gente que domina a técnica de fazer uma carroceria de plástico reforçado com fibra, que, por sinal, compõe a de todas as réplicas brasileiras até hoje. Ela replica três modelos Porsche: 550 Spyder, Speedster e 356 cabriolet. O 550 pode vir com motor VW a ar, 1600 ou 1900, ou com motor VW AP 2000. O com motor AP anda bem mais forte e faz curva melhor, devido à melhor suspensão traseira De Dion. O Speedster e o 356 vêm só com motores VW a ar, o 1600 ou o 1900. Sua produção é mais direcionada à exportação, principalmente os EUA, onde faz muito sucesso. Os preços dos Chamonix variam de 60 a 80 mil reais, dependendo do modelo, motor, etc. Ótimas réplicas, fiéis e bem acabadas. Fazendo-lhes uns acertos de suspensão ficam excelentes curvadoras. Mecânica mais barata que os Cobra e XK, e também mais econômicos, além de fáceis de guiar no dia a dia, se quiser.

E o que está chegando, esquentando no forno?

O Lotus Seven. Ai, ai, ai... Esse vai dar o que falar, pois tem chassi e suspensão desenvolvidos na mais moderna tecnologia. Virá com motor Ford 1600, preparado para produzir 150 cv. Não é muito potente, não é? Mas acontece que o carro vai pesar só 460 kg! Esse vai ser um corisco. Sosseguem, serei o primeiro a testar o bicho e contar como é. Mais dois meses e estará pronto.

E a réplica do Ford GT 40 está chegando. A Americar o terá em pouco tempo, uns dois a três meses. Terá duas opções de motor; um com 350 cv e outro com 500 cv, ambos V8 da Ford Racing. Custará mais ou menos uns R$ 200.000,00, sendo que o original custa alguns milhões de dólares. Além do GT 40 ela tem também no forno o Cobra com carroceria de alumínio, ainda mais leve que o plástico/fibra. Fiquem frios que esses dois cairão primeiro nestas mãos aqui, e vocês serão os primeiros a saberem como é guiar essas deliciosas réplicas. Réplicas que muitos colecionadores de originais condenam, mas não estamos nem aí com isso, não é? Pois quem gosta de carro bom e bonito não liga pra preconceitos tolos. Tem espaço pra todo mundo e, além do mais, quando um carro é tão clássico que merece ser replicado, esse fato o valoriza ainda mais.


Arnaldo Keller
arnaldokeller@yahoo.com.br

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