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Nós e o aquecimento global

Preparem-se, pois muito vamos ouvir e ler sobre esse tema. Além de ouvir e ler, temos que colaborar no enfrentamento do problema.

Recentemente, a ONU, Organização das Nações Unidas, apresentou um contundente relatório onde atesta que o homem mudou o clima da Terra, e que, se não tomarmos jeito, virão catástrofes das grossas, como degelo dos pólos, inundações, secas, furacões onde nunca houve, etc.

Até pouco tempo atrás ainda restavam dúvidas se o clima estava mudando devido ao ciclo natural da Terra, tal qual foi a Era Glacial, ou se devido ao homem, que de uns duzentos anos pra cá vem literalmente botando fogo no mundo. Agora não resta mais dúvidas, o relatório concluiu que somos nós os culpados. A partir da Revolução Industrial o homem passou a queimar uma quantidade enorme de combustíveis fósseis. Combustível fóssil é tudo que um dia foi matéria orgânica viva, como plantas e bichos, e que com o passar dos milênios fossilizou-se, transformando-se em carvão e petróleo.

Com o processo da fotossíntese as plantas absorvem o gás carbônico. Ao gás carbônico ela junta os minerais da terra e forma a si própria. Quando a planta é queimada, ela volta a transformar-se em água, gás carbônico (95% do seu peso seco) e cinzas (5%). As cinzas são os minerais que saíram da terra e a ela tornam. Os restantes 95% voltam ao ar como gás carbônico. E esse gás esquenta a atmosfera terrestre.

Até aí, tudo ia bem; as coisas equilibravam-se e muito gás carbônico foi se acumulando no subterrâneo, fossilizado em forma de petróleo e carvão. Acontece que o animal mamífero homem escarafunchou a terra, tirou e vem tirando cada vez mais montanhas desse fóssil e, queimando-o, está jogando duma vez na atmosfera esse gás carbônico acumulado o que estava inerte. Ao mesmo tempo, queima as plantas vivas e reduz definitivamente a área de matas. E aí a conta não fecha, desequilibra tudo.

A atmosfera é só uma finíssima camada ao redor da Terra; finíssima. Olhando a Terra de perfil, vemos um globo com uns 13.000 km de diâmetro recoberto por uma atmosfera de 100 km. Isso corresponde a um globo de 13 metros com uma atmosfera de 10 cm, sendo que praticamente só os dois primeiros centímetros (20.000 metros de altitude) concentra a totalidade do ar. Vendo por esse ângulo percebemos o quão tênue é essa maltratada camada de ar que nos protege e dá vida. A atmosfera não é um “marzão infinito” como costumávamos pensar. Ela é fina, bem fina, e finita.

Esse gás carbônico em suspensão na atmosfera cria o efeito estufa, que é refletir de volta o calor que a superfície terrestre irradia, aquecendo a atmosfera tal qual uma coberta. Esse efeito estufa tem sido bom, pois não tem deixado a atmosfera esfriar demais e mantém um clima propício ao tipo de vida que hoje recobre a Terra. Mas acontece que aumentar demais esse gás é o mesmo que aumentar as cobertas, esquentando a atmosfera. Essa mudança desequilibra tudo e a natureza vai buscar seu equilíbrio e continuar criando vida sob novas condições. O problema é que essas novas condições podem excluir o homem, esse animal burro metido a sabido.

Vacada alumiando pasto

O Brasil está entre o quarto e quinto país emissor de poluentes. O primeiro é os Estados Unidos, mas em cinco anos a China, que está em segundo, vai liderar o estrago. Três quartos da emissão brasileira provém das queimadas florestais, portanto, poderíamos contribuir bastante se impedíssemos essa devastação desnecessária e que favorece somente a poucos foras-da-lei. Essa é uma atitude que cabe ao poder executivo, pois lei pra isso já há. Cabe a ele tomar jeito para tirar de nós a vergonha que passamos perante o mundo. Além disso, creio que em breve deveriam vir taxações cada vez mais altas para automóveis gastões, esses dinossauros pesadões que atualmente fazem parte do diáfano sonho de consumo dos que querem mais que o mundo se exploda contanto que eles possam ir pra Miami pra comprar besteiras.

Hoje, nos países desenvolvidos, só se fala no aquecimento global. O pessoal está com um medo visceral. A opinião pública de lá, em geral mais consciente dos problemas do mundo, está ligada, e chiando. A Comunidade Européia está começando a agir. Os EUA só começarão a agir quando o senhor Bush voltar pra casa pra brincar de faroeste com os netinhos (eles que tomem cuidado!), pois, certamente, seja qual for o próximo presidente americano, na campanha ele terá que assumir compromissos com seu eleitor, prometendo ações anti-estufa. Então, em breve, poderemos contar com os EUA. Já a China, por ser uma ditadura de esquerda, não tem opinião pública, e esse vai ser um abacaxi espinhento pra diplomacia mundial descascar.

E nós? O que devemos fazer?

Eu poderia dizer que é comprar carros econômicos, economizar luz, economizar, economizar, economizar. Mas, o mais importante é votar em pessoas que certamente tomarão atitudes, pois essa é uma questão em que o grosso cabe aos governantes. O político que só fala não serve.

Particularmente pra mim a situação é dura, pois a ONU também constatou que o metano exalado no pum dos bovinos provoca tanto efeito estufa quanto toda a frota circulante do mundo. Então, nessas, me ferrei, pois amo duas fontes poluidoras: carros potentes e vacas. Adoro bois e vacas desde meus 11 anos, quando ganhei uma vaca leiteira do meu avô, e tenho vacas desde então. Fazer o quê? Eu gosto, uai?! O jeito vai ser instalar um maçarico no traseiro dos meus bichos pra queimar esse tal metano, já que assim ele polui menos. Vai ficar bonita a noite com a vacada alumiando o pasto. Talvez com luz elas comam mais capim e dêem mais leite. No fim, tudo se ajeita; desde que ajamos.


Arnaldo Keller
arnaldokeller@yahoo.com.br

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