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BMW 325i: O MELHOR POR R$ 30 MIL
Outro dia, conversando com o João Galhos aqui do jornal, pensávamos nos carros desprezados pelo mercado. Um deles é o Ford Focus, que, tão bom ou melhor que seus concorrentes, Toyota, Honda, Vectra, vende menos e seus modelos usados são menos valorizados. Conclusão: a maioria nem sempre elege o melhor... Ela muitas vezes se engana. Mas a pergunta do João era: “Qual o melhor carro para comprarmos com 30 mil reais?” Tem gente que vai responder que é um Celta motor mil cmÅ, decacombustível, incluindo aí energia atômica e xixi de rato, equipado com um som de quatrocentos quilos que liquefaz o cérebro, decoração escandalosa própria a uma drag-queen e adesivado com “É Nóis na Fita” no pára-choque. E que faz o zero a 100 km/h em cem segundos. Não tenho nada contra isso. Só acho isso o fim da picada... O João também. Então acionei o computador de bordo do meu Fusca, o meu cérebro, e por entre as teias de aranha balançadas por leves brisas que preenchem o meu vazio craniano, achei um neurônio perdido, e ele, piscante feito um vagalume aflito, avisava: “O BMW! O BMW 325i, seu tonto!”
— Ô Pu... Me...! É isso mesmo! O BMW 325i usado, ano 1994, por aí, é o melhor carro nessa faixa de preço! Se a pergunta é qual é o melhor a resposta deve ser direta – concluí. Vamos aos fatos. Os carros alemães são os mais resistentes. São os que menos dão problemas, e há uma explicação: o motorista alemão é o mais bruto. Isso é atávico, é do povo, cultural. Observando-os trabalhar na roça lá na Alemanha constatei que maltratavam seus implementos sem dó nem piedade. Se a máquina quebrasse a culpa era da máquina, e não deles. Passei a observá-los dirigindo seus carros. Mesma coisa. E é o consumidor mais exigente também. Experimente vender um uísque falsificado p’ra um alemão que você vai ver o que acontece – não que eu tenha feito isso, “mi hermano”. O povo alemão não aceita porcaria, serviço mal feito; eles exigem perfeição e robustez.O MELHOR É MELHOR
Então fui até o Xará, que tem um BMW 325i, duas portas, automático, ano 1994, que ele comprou com 4 mil km em 1995 e que hoje tem 50.500 km. No dia a dia o Xará usa um Opala 6 cilindros, o qual ama e não troca por nada, e no dia de rodízio, fins de semana e viagens, usa o BMW; daí a baixa quilometragem. Lembro de uma vez quando com esse BMW viajamos numa madrugada. O Xará é um tanto impaciente e, nos revezando ao volante, numa espécie de Cannonball Run, viemos aproveitando quase todos os 192 cv que o motor seis cilindros de 2,5 litros era capaz de produzir. A viagem seria considerada irresponsável, não fosse a madrugada vazia, a boa estrada, os experientes pilotos, modéstias à parte, e o excelente carro, que se portou impecavelmente. Ao chegar a São Paulo o computador de bordo acusou um consumo 11,5 km/l de gasolina. Fiquei impressionado com a economia. Nenhum outro carro conseguiria esse baixo consumo despejando a potência que despejou. Um motor dos mais eficientes, pois, como sabemos, eficiência é o resultado do trabalho em relação ao consumo ( ef = trab/cons). Quanto maior o consumo, menor a eficiência. Quanto maior o trabalho, maior a eficiência. O trabalho, no caso, era fazer um cupê rasgar o ar a 160 ou 180 km/h. Concluí que viajando normalmente a 120 km/h teríamos feito uns 14 km/l, fácil, o que foi confirmado posteriormente pelos dados da fábrica. Um dos motivos é a baixa rpm – só 2.600 giros quando a 120 km/h em 5a marcha (o câmbio automático tem 5 marchas). — E aí, Xará! Que é que quebrou no carro nesses 11 anos? – perguntei. — Nada! Não quebrou nada, nadinha! – ele respondeu. — Como assim..., nada? É impossível! – questionei a resposta. — Pois eu também achava impossível até ter esse carro. Não quebrou nicas de pitibiribas. E olha, nem pastilhas de freio nem amortecedores ainda troquei, nem pneus. Não precisou. Só troquei óleo do motor, e nunca abaixou uma gota. Sei lá o que acontece com esse carro, mas é isso aí. E tudo funciona, tudo quanto é botão. Vai dar uma volta e veja o que estou falando. Toma aí a chave. Avaliação O carro tem câmbio automático. Tudo bem câmbio automático, minha mulher tem uma perua Mondeo com câmbio automático, e acho gostoso para encarar o trânsito, mas, se eu fosse comprar um BMW eu procuraria um com câmbio mecânico, pois, afinal, esse seis cilindros ronca muito gostosinho pra ficar a mando de um computador. Câmbio automático, seja lá qual for, é pra passeio, deslocamento. Para esporte, e este carro merece esporte, o prazer cresce tendo uma alavanca de marchas pra gente fazê-lo cantar à nossa moda. Mas esse automático faz as trocas com incrível suavidade, sem tranco algum, e o quick-down (quando a marcha é reduzida após pisarmos fundo, pedindo força) é rápido, correto e não se atrapalha. Bancos cheirosos de couro com regulagem elétrica capaz de posicioná-lo desde para um parto como para uma operação na coluna cervical. O volante pode subir e descer, inclinando-se. Não vai nem vem, mas logo achamos uma boa e perfeita posição ergonômica. Comandos todos à mão e fáceis. Tem uma montoeira de botões e comandos, mas basta deixá-los quietos que o carro anda na boa, ou seja, não é necessário ter brevê de avião de carreira para dirigi-lo. Para quem gosta de apertar botões e computação em vez de pilotar há um prato cheio. Suspensão primorosa. Consegue ser firminha e macia, transmitindo conforto, rapidez e segurança. McPearson na frente e multibraços atrás, portanto, toda independente. A arquitetura da suspensão traseira é a mesma dos BMW 2007. Ela tem longo curso e faz com que as rodas sempre estejam na vertical em relação ao solo, portanto, mantém sempre os pneus com sua maior área em contato com o solo. A suspensão é leve e rápida, o que faz com que mesmo em asfalto enrugado ela mantenha os pneus no chão, sem quicar. A distribuição de peso de todos os BMW, e isso é regra da fábrica, é 50%/50%. O centro de gravidade é baixo. Portanto, tendo ótima suspensão, ótima distribuição de peso e baixo centro de gravidade, chegamos à fórmula de um carro bom de curva. Se além disso temos a eficiente tração traseira, como todo carro BMW tem, então, meu amigo, pode esperar um automóvel delicioso. João Galhos, eis aí o melhor carro que dá pra comprar com 30 mangos! Os outros podem ser bons, mas o melhor é melhor.
Arnaldo Keller |