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FIESTA STREET 1000. ANO 2001

O plano é o Superauto avaliar carros usados, tais quais os costumeiramente anunciados em nosso jornal. Em vista disso tratei de juntar o útil ao útil e testar o Fiesta Street, motor Rocam 1000, ano 2001 e com 58.800 km, já que a Pat, minha filha caçula, merece ganhar um carro, e é num Fiesta desses que andei pensando.

Vamos aos porquês. Os motores de 1.000 cmÅ atuais gastam pouco e já estão andando direitinho o suficiente para serem seguros. Este, por exemplo, gera 65 cv a 6.000 rpm e seu torque máximo é de 8,9 kgfm a 3.250 rpm. Esse motor, portanto, empurra facilmente um carro leve como o Fiesta (1.004 kg), ao menos descarregado, e no trânsito temos um carrinho ágil. As relações de marcha são curtas e sabendo usá-las temos um desempenho bastante satisfatório. O motor Rocam (Roller Finger Camshaft) leva esse nome por ter roletes nas pontas dos dedos que vão em contato com o comando de válvulas. Tendo roletes o atrito é minimizado e com isso se pode fazer um comando de válvulas que acione a abertura das válvulas mais cedo, aumentando assim a faixa de torque. Resumindo, é uma tecnologia oriunda das pistas, bem vinda, que aumenta a faixa de torque do motor deixando-o mais elástico.

Outra boa característica dos Rocam 1000 é seu cabeçote de alumínio de sistema de fluxo cruzado, ou seja, coletor de admissão de um lado e coletor de escapes do outro, o que otimiza a troca de gases na câmara de combustão. Outra: o coletor de escapes é em aço inox, muito durável e bom de passagem liberando fácil a saída de gases. A injeção de combustível multiponto também é muito precisa e eficiente. Tudo isso somado mostra um motor moderno, potente para a cilindrada, com boa elasticidade, econômico e durável. Suas trocas de óleo são a cada 20.000 km e segundo a fábrica é um motor para rodar 240 mil km sem problemas. O motor a gasolina (taxa de 9,8:1) faz , segundo a fábrica, 11 km/litro na cidade e 17 km/l na estrada. Acelera o 0 a 100 km/h em 18,5 segundos e atinge 152 km/h de velocidade máxima, números dentro da média dos concorrentes.

Mas, quando estamos comprando um carro para o dia a dia, motor mil cmÅ, não adianta querer muita coisa em performance, procuramos o máximo de conforto e economia por um valor mínimo. E isso o Fiesta Street oferece bem. Bancos dianteiros anatômicos, de boa ergonomia. Comandos de faróis e limpadores de pára-brisas de fácil acesso nas alavancas da coluna de direção. Alavanca de câmbio justinha e de bons engates. Embreagem de acionamento hidráulico, o que a deixa leve. Direção de boa pegada e leve, mesmo não sendo servo-assistida, tipo pinhão e cremalheira, e com bom esterçamento. Ótima visibilidade para todos os lados e boa visão pelos retrovisores. Em vista do tamanho e peso do veículo, é um carro macio e protege bem o motorista da buraqueira paulistana. Os bancos traseiros, rebatíveis, acomodam bem pessoas até 1,70 m eu, com meus 1,80 m, que para os padrões atuais é estatura mediana, bato a cabeça no forro da capota, e não gosto disso, pois num solavanco há perigo para o pescoço.

Outro ponto negativo é a fixação do cinto de segurança na coluna entre as portas. Ela é regulável em altura e tem uma alavanquinha de plástico duro. Essa tramela está justamente no ponto onde num caso de abalroamento lateral nossa cabeça chacoalhante vai de encontro. Isso é de rachar o coco. Não é só este carro que é assim, muitos o são; observem.

Regulei os pneus Pirelli P 2000 175/70R13 com 28 libras/pol na frente e 26 atrás. Carro vazio, essa regulagem mostrou-se ideal, pois com ela o Fiesta desgarrava com as quatro rodas quando forçado ao seu limite. Não gostei muito da borracha dos pneus, que achei duras e com pouco agarre.

A suspensão dianteira tipo McPearson trabalha direitinho e a traseira de eixo de torção e molas helicoidais com amortecedores internos também dá conta do recado. O carro rola pouco e é muito seguro e equilibrado nas curvas. Cumpre notar que os carros da Ford ultimamente têm oferecido ótimas suspensões, que fazem um bom balanço entre desempenho e conforto, além de silenciosas.

A 120 km/h e em 5a marcha o motor está a 4.550 rpm. Rotação um pouco alta, o que denota uma 5a marcha curta além do necessário. Poderia ser mais longa (4.200 rpm a 120 km/h) para obtermos maior economia e menor ruído do motor na estrada. O carro tem torque e aerodinâmica para isso. Mesmo assim viaja tranqüilo a 120 km/h.

Em resumo: um bom carro. Por mim, se a Pat gostar, posso vir a comprar um, desde que ache um jeito de colocar uma boa almofadinha naquele raio de tramela que segura o cinto de segurança.

Pedi para a Nina, minha filha maior, dar uma volta com o carro. Eu queria uma opinião feminina. Ela logo voltou e adorando o Fiesta.

“— O carro é rapidinho e gostosinho, Papai! Rapidinho! Fui comprar ração pra gata, trocar uma bermuda, passei na casa da Fernanda, peguei minha prancha de surf e .... Bom, pelo jeito o carro serve também pra Pat...

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